sábado, 9 de junho de 2018

Quem fundou o Brasil?


Quem fundou o Brasil? A resposta correta: a Coroa portuguesa e a Igreja Católica. O erro: os heróicos líderes das milícias nativas que triunfaram na Batalha de Guararapes. O erro crasso: José Bonifácio, Patriarca da Independência.

A Coroa portuguesa semeou neste território as instituições jurídico-burocráticas existentes no quadrilátero europeu. A Igreja Católica alfabetizou e evangelizou as populações autóctones, os grupos de recém-chegados e a descendência comum de ambos. São esses os fundadores institucionais do País: caso façam questão de cultuar fundadores pessoais imediatos do Brasil, olhem para Martim Afonso de Sousa e para o Apóstolo do Brasil, o jesuíta Dom José de Anchieta. Caso busquem os fundadores pessoais remotos, olhem para Dom Afonso Henriques e para Nosso Senhor Jesus Cristo em Ourique.

A seu turno, o grandioso porém mais limitado papel histórico dos líderes nativos vitoriosos em Guararapes foi a expulsão do alógeno judaico-batavo-calvinista, e com ele do monopolismo predatório e anticatólico do Brasil, impedindo que nossa terra se tornasse um Suriname continental.

Se é assim, por que a neodireita quer vender a tese de que José Bonifácio é o Pai da Pátria? Além do costumeiro revisionismo caça-níqueis que é uma tara entre essa gentalha, o que está por trás de tudo é a pretensão de identificar as origens do País e de seu povo com o mais bem-sucedido pioneiro da utopia vira-lata de inserir o Brasil no paradigma cultural e institucional angloiluminista. Afinal, se convencerem as pessoas de que o passado brilhante do Brasil foi análogo ao dos Estados Unidos, por que a americanização - leia-se protestantização e liberalização -, o suposto retorno às raízes, não poderia vir a ser o antídoto salvador do futuro brasileiro?

Não se enganem: a oposição de Bonifácio ao projeto de subalternização e reengenharia do Brasil acalentado pelas lideranças da Revolução do Porto não estava lastreado na defesa de uma civilização lusocatólica pluricontinental, mas no projeto revolucionário - menos nocivo que o dos liberais exaltados do Porto, certamente - de erigir uma nova civilização brasílica norteada pelo espírito do Iluminismo anglo-saxão. Em outras palavras, Bonifácio queria uma democracia coroada filomaçônica subcontinental em vez do império mercante salvífico lusotropical cujas perspectivas eram pouco conhecidas dos portugueses de além e aquém-mar, mas muito conhecidas (e temidas) pelo avatar britânico da Anglosfera Protestante, o qual não economizou apoios por meio da Maçonaria às manobras que visavam criar distanciamento entre Brasil e Portugal.

#Victor Fernandes

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