quinta-feira, 21 de junho de 2018

Karatê Kid, Orientalismo e um Apelo Identitário


Karatê Kid é um verdadeiro clássico dos anos 80; a obra inspirou uma sequência quase que infinita de filmes, impulsionou e popularizou o karatê, bem como volta hoje a ganhar destaque a partir da websérie Cobra Kai (que foi, aliás, o que me levou ao filme). A história segue mais ou menos a estrutura básica da “jornada do herói”: temos o protagonista que leva uma vida feliz até que, por conta do emprego de sua mãe, tem de se mudar; essa mudança de residência acaba por complicar-lhe a vida, arranja ele encrenca com uns carinhas bons de briga por conta de uma guriazinha bonitinha; daí recebe a ajuda de um “mentor” que lhe ajuda a superar seus problemas, onde o karatê é uma metáfora para o desenvolvimento pessoal e o autoaprimoramento; terminando o filme ganhando a briga e fazendo par romântico com a mocinha. 


O filme maneja bem o instrumento da analogia; é engraçado como Daniel-san aprende a lutar com atividades simples e bobas, como o pintar a cerca e encerar carros. Lindo de se ver na ficção, impraticável e inútil no mundo real das artes marciais

Uma coisa que me chamou atenção foi um aparente apelo tradicionalista: o moderno Daniel precisa recorrer a experiência do ancião asiático para aprender a ser gente. Todavia, digo aparente porque não há de fato uma linha de continuidade entre Daniel e Myagi. Daniel é americano e não asiático, a tradição que lhe comunica Myagi não é algo que lhe é devido, como uma herança, algo relacionado a identidade e as tradições de Daniel, aliás, o fato de no filme Daniel ser uma criança sem pai ilustra muito bem sua situação de alguém perdido no mundo, sem um passado que lhe oriente para o futuro. Daniel é então, como que enxertado nas tradições alheias, no mundo oriental do Sr. Myagi. 

E nós, somos como Daniel? Perdidos, gente “sem pai” que precisa implorar para serem integrados na cultura alheia? Ou aquela sabedoria ancestral está bem próxima de nós? Sou adepto da segunda opção, e creio que ao invés de se buscar alhures uma sabedoria exótica, precisamos antes redescobrir nossas tradições luso-católicas. 

Banzai!? 
Deus Vult!

Nenhum comentário:

Postar um comentário