quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Apocalipse Ambiental?


Imagine o leitor que more em um grande centro urbano, um lugar gigantesco, cinza, extremamente populoso, com quase total ausência de "áreas verdes". Esta selva de pedra, sem dúvida, o tornaria mais propensas a alimentar fantasias apocalípticas: “o mundo está superpovoado”; “estamos destruindo a natureza”; “o ser humano é uma chaga no planeta”; e outras tolices mais. Alimentando tais fantasias, estaria, porém, apenas seguindo o coro midiático, com o adendo de justificar-se por uma experiência intima e pessoal. Todavia, tal experiência seria de sobremaneira local e não global. Se é evidente que as modernas megalópoles são um barril de pólvora, isto não se aplica a experiência humana no resto do planeta. Tratemos apenas do Brasil, provavelmente não sabe o leitor , mas apenas 4% do território nacional é ocupado por áreas urbanas, sendo além disto, a maioria delas pequenas e médias cidades. Diante de tal estatística falar em superpopulação é no mínimo risível. E se formos estender o raciocínio a nível global, em que países como o Japão correm o risco de desaparecer devido à baixa taxa de natalidade da população, a alegação malthusiana se torna ainda mais cômica. 

Voltemos a questão da destruição das florestas, florestas tais que, se pensarmos apenas em mata nativa, no Brasil ocupam 66% do território nacional. Haja vontade para desmatar tudo isso, não rsrs? Além de que, a grande vilã apontada por derrubar as arvorezinhas, a “maligna” agricultura, não chega a ocupar nem 10% do território nacional. Para ser mais exato, 7%, e com um uso tão modesto da terra já somos conhecidos como o “celeiro do mundo”. 


O que pretendo eu com este texto? Talvez construir sofismas para justificar a destruição da natureza pelas malignas corporações agroindustriais rsrs; na verdade busco apenas ajustar o senso das percepções, do global para o local. É evidente que existem problemas ambientais, problemas estes que afetam não só o corpo como também a alma, tendo em vista que: <Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência por suas obras; [...] (Rm 1, 18)>, ou seja a contemplação da criação é uma das vias as quais nos levam a conhecer Deus, bem como a nós mesmos. Entretanto, agrupar tais problemas em uma metanarrativa ideológica, em que de modo histérico as preocupações dos indivíduos se voltam não para a tragédia ambiental no âmbito local  - onde que terrenos baldios se tornam depósitos de lixo, antigos parques dão lugares a empreendimentos imobiliários, ciclovias são ignoradas em favor do lobby das montadoras - mas a um suposto desastre ambiental global - onde se grita em defesa da floresta (como um ente genérico e abstrato) e todo novo empreendimento é demonizado (hidroelétricas, grandes propriedades agrícolas, etc) -  é no mínimo histeria. 

No fundo, estamos diante do ressurgimento de primitivas superstições, onde a natureza, Pachamama, torna-se um ídolo ídolo demoníaco que, toma as vidas e destrói a inteligência de seus devotos. 

O verdadeiro amor pela Criação, enquanto herança confiada a Deus ao gênero humano, se manifesta, sobretudo, em âmbito local. Quando os limites do visível se excedem demasiado, corre-se o risco de entrar nos sinuosos terrenos da ideologia.

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