terça-feira, 14 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Morte, Sofrimento e Esquecimento


32ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Sb 2,23–3,9)
 Responsório  (Sl 33 (34),2-3. 16-17. 18-19 (R. 2a))
Evangelho - (Lc 17,7-10)

Hoje a primeira leitura da a resposta a um dramas que sempre atormentaram a humanidade e intrigaram os filósofos: o porquê da morte e do sofrimento. A morte é consequência do pecado, que entrou no mundo pela inveja do demônio com a cumplicidade Adão e Eva. Por conta deste pecado original toda humanidade é culpada de um crime tamanho, somos todos pecadores, bandidos, marginais, imundos. Mas, Deus em sua Infinita Misericórdia ofereceu aos homens a aliança, e por meio de seu Divino Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, foi-nos aberta a porta do céu. Mas, não nos enganemos, ninguém de nós têm "direito ao paraíso", como nos ensina o Evangelho somos todos servos inúteis; a Salvação é pura graça de Deus. Mas, a graça age na natureza, e exige uma resposta de nossa parte. Nada de impuro entra no céu, desta forma, temos de nos penitenciar por nossos pecados, para que a Salvação que nos foi oferecida em Cristo, seja-nos aplicada. Desta forma, o sofrimento dos "bons", tem sentido o sentido de prova e purificação, como nos ensina ainda a primeira leitura: <(...) tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; (Sb 2, 6-7)>. Todavia, é um sofrimento passageiro, leves correções que não tem comparação aos glórias reservadas aos eleitos no Reino dos Céus.

E quanto aos maus, os impios e impenitentes? A resposta nos foi dada pelo salmista: <O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. (Sl 33 (34), 17)>; a lembrança dos maus, sua vida de maldade e impiedade será apagada. Lembro-me eu de um antigo poema de Percy Bysshe Shelley a este respeito:
Ozymandias

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.
O mal é passageiro, efêmero. O bem se eterniza em Deus.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Viva Cristo Rei!

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