sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Transhumanismo e a Alma do Robô


Assistia ontem Metrópolis, não o filme de Fritz Lang, mas a animação japonesa baseada na obra de Osamu Tezuka, um dos maiores mangakás da história. No melhor estilo cyberpunk, com no traço característico de Tezuka, vemos múltiplas histórias entrelaçadas a convergir em um final épico; num roteiro recheado de simbolismo e analogias históricas, tal qual a ascensão do nazismo, as guerrilhas comunistas, e a Torre de Babel. A obra é um primor artístico extraordinário, um verdadeiro clássico digno de ser comparada a Matrix e Blade Runner, mas deixemos os aspectos técnicos aos especialistas e vamos direto ao ponto: robôs.

A trama principal destaca o inocente romance entre Tima e Ken'ichi, sendo Tima um humanoide robótico. No filme é até bonitinho, mas é algo restrito apenas ao terreno da ficção; não apenas a questão do romance, mas a própria ideia de humanização das máquinas. 

O que nos torna humanos, e faz-nos diferente de toda a criação não é fruto de processos evolutivos que podem ser copiados e programados, mas  é nossa alma imortal, o sopro divino de que nos fala simbolicamente o livro do Gênesis (Gn 2, 7). Essa ideia de humanização das máquinas pode ser rastreada até o mito do Golem, passando pela fábula do Pinóquio até as velhas heresias gnósticas. Para os gnósticos, o homem é divino, e que maneira melhor de provar sua tese senão parodiando a criação, se Deus criou do nada um ser dotado de liberdade, porque não pode o homem fazer o mesmo?

Porém, como a gnose não passa de ilusão demoníaca, por mais que a ciência avance, jamais poderá o homem dar alma a matéria inanimada. Entretanto, ainda resta a possibilidade blasfema de brincar de Deus desumanizando o homem, a ideia das quimeras, mutantes e cyborgs. Se um robô jamais teria uma alma; algo como um cyborg ou um mutante, por mais que venha a ter seu corpo e sua mente bagunçados, seria ainda um homem dotado de alma imortal. 

“Especulações e divagações inúteis”, dirão alguns, porém, infelizmente está distopia sci fi faz parte dos planos dos grandes figurões; como manifesta o movimento transhumanista, que visa por meio das aplicações técnicas “transcender” o paradigma humano.



Conforme bem disse o controverso filósofo Aleksandr Dugin, é o transumanismo realmente um prelúdio ao “reino do Anti-Cristo”...

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