segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Contra a Teologia da Prosperidade



29ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira 23/10/2017
Primeira Leitura (Rm 4,20-25)
Responsório (Lc 1,69-75)
Evangelho (Lc 12,13-21)

1. A liturgia de hoje é uma verdadeira refutação da Teologia da Prosperidade. O homem rico do Evangelho pôs sua esperança em seus bens, morreu. Parou no que é terreno e esqueceu do eterno. Já dizia São Francisco que o luxo enfraquece a alma. Não devemos colocar nossas esperanças no dinheiro, mas usá-lo, gastar os bens desta terra, não para o gozo, mas na caridade e no serviço, afim de alcançar as graças de Deus, espiar nossos pecados, e ajuntar tesouros no céu. Exatamente o contrário do que prega a teologia da prosperidade, que ao invés de usar dos bens terrestres para tentar alcançar os celestes; tenta usar de Deus para alcançar vaidades e o luxo neste mundo que passa.

Livrai-nos Senhor da doença da avareza!

2. O santo que hoje celebramos bem reflete o que meditamos hoje no Evangelho, sendo um grande sinal de contradição para com a mentalidade avarenta e materialista do mundo moderno. São João de Capistrano, um juiz de direito e antigo governador de uma cidade Italiana que, após a morte de sua esposa, vendeu todos os seus bens, abandonou todo o seu gozo terreno, e ingressou na ordem dos franciscanos vivendo a mais austera pobreza e a mais rígida penitência. São João de Capistrano mal dormia, e comia apenas uma vez ao dia; seu tempo era todo dedicado a Deus, homem sábio, humilde e combatente, foi conselheiro de vários Papas e pregador nas Cruzadas; além de um grande taumaturgo. A santidade, sabedoria e grandeza deste gigante da Fé é algo que escapa ao vão entendimento dos homens deste tempo, tão apegados aos bens e ao dinheiro.

São João de Capistrano é um luminoso sinal para nós, sinal que denúncia nossa moleza e fraqueza, sinal que denúncia nossos horizontes vazios e tolos que colocam as esperanças apenas neste mundo que passa.... Que São João de Capistrano interceda por nós, para que aprendamos o que realmente importa: a glória de Deus!

3. Complementando as reflexões do dia, e respondendo algumas possíveis objeções, segue alguns trechos extraídos do DOCAT
164) O que a Bíblia diz sobre a pobreza e a riqueza?
Quem segue Jesus, nunca deve esquecer que devemos nos tornar ricos sobretudo diante de Deus (Lc 12, 21). Tornar-se rico materialmente não constitui um objetivo especial da vida cristã. E ser rico materialmente não é nenhum sinal seguro de uma graça especial de Deus. Jesus ensina-nos a rezar: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” (Mt 6,11). Com estas palavras pedimos ao Pai tudo aquilo que precisamos para a nossa vida terrena. Não procuramos o luxo, mas sim aqueles bens que são requeridos para uma vida feliz num bem-estar moderado, para o sustento da família, para a caridade e para a participação na cultura e na educação bem como para o desenvolvimento.

165) A pobreza é sempre má?
Quando "pobreza" significa a necessidade involuntária e a falta de meios necessários para a vida, então a pobreza é uma desgraça. A realidade de que uma parte da humanidade passa fome e uma outra joga fora alimentos em abundância é um escândalo e um pecado que brada aos céus. (...) A pobreza relativa - portanto não viver na abundância - não deve ser só negativa. Pode levar as pessoas a reconhecer as suas verdadeiras necessidades e chegar a uma atitude orante e cheia de confiança parante Deus. Onde os cristãos levam a sério o Evangelho, há sempre a renúncia consciente e livre à riqueza material: as pessoas podem servir a Deus com o coração livre. Em geral, vale o principio: quem quiser seguir Jesus tem de ser pobre perante Deus, isto é, estar interiormente desprendido da posse dos bens (Mt 5,3). Nada deve ser anteposto ao amor a Deus.

166) O bem-estar é sempre bom? 
R: Poder viver sem preocupações materiais é uma enorme vantagem pela qual se devia agradecer a Deus todos os dias. Quem assim vive pode ajudar aqueles aos quais, por qualquer motivo, a vida não lhes corre bem. Mas a riqueza também pode levar a uma saturação espiritual, à arrogância e à presunção. De modo diferente do pobre, o rico é tentado a atribuir ao próprio mérito as condições da sua vida feliz. Quando o ter se torna uma ganância, junta-se-lhe com frequência a dureza do coração. Para aqueles que se ficam apenas na riqueza material, vale a advertência de Jesus: "Louco! Nesta mesma noite vais ter de devolver a tua vida" (Lc 12,20).

Nenhum comentário:

Postar um comentário