sábado, 21 de outubro de 2017

Death Note - Light up the New World e as dinâmicas da Cultura Pop

Diz o ditado que o segredo da arte é saber a hora de parar. Se o artista não der um término a sua obra alguém vai, seja este alguém a morte ou o mercado, sendo que o último, o mercado não tem o mínimo senso estético. Mas, o término de uma obra, a sua conclusão, paralisa a correnteza dos dividendos, levando o autor a uma encruzilhada: a arte ou os cascalhos? A perpetuação, ou o gozo no efêmero? Infelizmente, tal como ocorre com as almas dos pobres pecadores, que sacrificam a eternidade por um prazer efêmero, assim inúmeros artistas matam suas obras primas em prol de um prato de lentilhas.

Agora que falamos do caso geral, do sublime, desçamos ao específico, ao “vulgar”, ao mundo do entretenimento e vejamos como os mesmos princípios se aplicam também ali. Perceberam a quantidade de remakes e continuidades de antigas obras antes encerrada: Rocky Balboa, Exterminador do Futuro, Dragon Ball, Digimon... As velhas histórias são tiradas do limbo, com novas narrativas de qualidade muito inferior as originais. A última da lista foi Death Note, e não, não estou falando daquela abominação americana confeccionada pela Netflix, mas do novo (ou nem tanto, uma vez que o filme é de 2016) live action: Ligth up the New World (você pode encontrá-lo tanto em torrent quanto no Youtube; aliás, o que é que não se encontra hoje nestes meios? Até o filme do Olavo, Jardim das Aflições, vi por tais meios, e diga-se de passagem, o filme é ruim). Apesar do novo live action ser interessante e bem feito, uma obra prima se comparado com o fiasco americano, Ligth up the New World o mutila o roteiro de Tsugumi Ohba, abrindo margem para um looping infinito. Em resumo e com spoliers: o Rei Shinigami bolou um joguinho, o Shinigami que encontrar um novo Kira, tornar-se há seu sucessor. Resultado? Uma enxurrada de cadernos no mundo humano... Gerações e gerações de Kiras e Ls; filmes e mais filmes ad infinitum ou ao menos enquanto os fãs continuarem a suportar e pagar pela franquia.



Tais exemplos não são fatos isolados, mas parte da dinâmica interna da cultura pop, show bussiness, onde a cultura torna-se uma mercadoria e o número de zeros no cheque é mais importante que o ideal estético da arte.

Money Talks...Infelizmente.

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