quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Aprontemo-nos!


(23ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira 13/09/17)
Primeira Leitura (Cl 3,1-11)
Responsório (Sl 144 (145),2-3. 10-11. 12-13ab (R. 9a))
Evangelho (Lc 6,20-26)


Hoje vemos novamente uma harmonia providencial na liturgia, um providencial remédio contra uma das mais disseminadas doenças do mundo moderno, um verdadeiro exorcismo ao Espírito Burguês. Que é o Espirito Burguês? É um “estado de espírito” um padrão de pensamento e comportamento baseado no orgulho e avareza, motivado pelas glórias do mundo, pelo lucro e conforto. São Paulo, hoje na primeira leitura (Cl 3, 1-11) vai direto a raiz quando nos recorda que nós cristãos estamos mortos para o mundo, e devemos buscar as coisas do alto. Sem acordo, sem conciliação de opostos, oito-oitenta. No Evangelho (Lc 6, 20-26), a radicalidade da mensagem cristã torna-se ainda mais penetrante: “Aí de vós ó ricos! Aí de voz que são louvados pelo mundo!”. O cristão não é alguém que vive no conforto burguês, mas um homem que tal qual o seu Senhor é perseguido, porque não pertence a este mundo.

E nós? Estamos acostumados com o mundo? Aspiramos uma felicidade mundana? Ou temos a coragem e a radicalidade de morrer para o mundo, mortificar-nos, e nos manter fiéis a verdade, não importa o quanto isso nos traga problemas?

Hoje também celebramos a memória de São João Crisóstomo, um dos maiores pregadores da história da Igreja, um homem que mesmo em meio as perseguições, jamais deixou de denunciar com coragem profética, as vaidades, ilusões, e “poses” de seu tempo, que eram contrárias aos ensinamentos de Cristo. Diz o santo em de suas mais uma famosas homilias: 

"Vamos! Aprontemos-nos para combater os ímpios anomeus. Se eles se indignarem com a designação de ímpios, fujam da impiedade e eu retiro o nome; renunciem aos pensamentos incrédulos e eu desistirei do apelativo injurioso. Se, porém, eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?" (São João Crisóstomo, Da incomprensibilidade de Deus, Homilia 2. Ed. Paulus, p. 33).
Que São João Crisóstomo interceda por nós! E, como cristãos, aprontemo-nos, pois não nascemos para o conforto e sim para o combate.

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