terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Eixo Rio-Hollywood-Tóquio e as dinâmicas da Guerra Cultural

Rio de Janeiro-Hollywood-Tóquio, este é o eixo de difusão de ideias via entretenimento cujos ecos ressoam na mente do brasileiro. Vez ou outra ecoa aqui alguma coisa da “zoropa”, mas só depois de ter batido carimbo no Tio Sam.

Do Rio de Janeiro, do Projac, saem as degenerações nacionais da Rede Globo, regadas pelo substrato pseudo-intelectual das universidades brasileiras, como a USP e a UFRJ, difundindo pós-modernices que atingem as massas, de modo especial, as classes mais baixas, na forma de novelas, minisséries e programas "inteligentinhos" (estes mais ao gosto de classe média) como a dona Fátima Bernardes.

O entretenimento estadunidense (e o europeu com carimbo do Tio Sam) influi mais sobre as classes médias e altas. Chega via TV paga, cinema e Netflix. É artisticamente superior as produções nacionais, mas igualmente meio de difusão de uma filosofia antropocêntrica, pós-moderna, globalista e anti-católica. Além de gestar degenerados, o entretenimento americano causa a doença do viralatismo e dá ao consumidor uma falsa sensação de superioridade por consumir uma droga mais refinada.

Por fim, o entretenimento japonês, que atinge uma pequena parcela da população brasileira, sobretudo jovens com acesso à internet e tempo de ócio, um entretenimento igualmente problemático, mas, de natureza um tanto quanto diferente dos anteriores. Se a indústria cultural nacional e estadunidense estão comprometidas e submetidas ao projeto de poder novordista-marcusiano, o entretenimento japonês, por sua vez, é a expressão de um povo espiritualmente doente que busca na fantasia gnóstica a fuga do trauma advindo do pós-guerra.

Sob estes três pólos não têm a Igreja nenhuma influência, o que explica porque de difundirem degenerações. No caso dos dois primeiros (Rio-Holywood), temos uma estrutura abertamente hostil e inimiga da Fé e dos valores católicos, comprometida um projeto de poder que visa a destruição do cristianismo e sua assimilação em uma espiritualidade new age híbrida e sincrética. No caso do terceiro (Tóquio) temos uma terra que não foi evangelizada de forma satisfatória, que guarda as chagas de um passado pagão clássico e o parasita gnóstico-moderno em alto grau de desenvolvimento.

Poderia o leitor acusar-me de simplismo, aceito a acusação. Realmente, este esquema dos eixos culturais é demasiado simplista, mas é um simplismo com fins pedagógicos. É certo, por exemplo, que pólo norte-americano é palco de uma guerra interna entre o projeto novordista-marcusiano e um projeto nacionalista-neocon (resíduo da fase anterior da revolução); certo é também que para além das produções televisivas e cinematográficas há a influência de cada um destes pólos culturais no mundo da música, e em menor grau, por meio da indústria dos quadrinhos e livros pops; mas por agora fiquemos com o modelo inicial afim de extrairmos dele algumas consequências.

Como não há na atualidade uma "potência cultural" católica, sendo as manifestações dos filhos Igreja na cultura pop raríssimas, constituindo quase que uma subcultura, inevitavelmente o católico brasileiro será consumidor dos produtos culturais advindos destes três pólos, a menos que magicamente surja do “nada” uma nova indústria cultural católica com pretensões globais, coisa está não muito provável no curto e médio prazo. Neste cenário, o caminho para a lida do católico com a cultura pop é apenas um: não “seje” trouxa, ou em linguagem bonitinha: não seja um consumidor passivo, mas um espectador crítico. Jamais sente na frente da TV e torne-se refém do que “está passando”, da programação previamente escolhida e desenhada pelos donos de uma emissora anti-cristã; não invente de assistir uma série só porque "todo mundo está comentando", a popularidade em uma cultura pagã-mundana nunca é um guia seguro. Faça uso da crítica, e de um apurado discernimento, selecione previamente e detalhadamente o conteúdo que vai consumir, do contrário, vai assistir porcaria e ter a cabeça envenenada por degenerações.

A tudo isso junta-se mais uma dificuldade: não existe em nosso país uma crítica cultural católica. Daí, na hora de avaliar a pertinência de determinado entretenimento vai ter que acabar recorrendo a crítica pagã-mundana para formar seu juízo inicial com relação a determinada obra.

Sim, a coisa é feia, e do ponto de vista da guerra cultural estamos anos atrasados. Mas choramingar não adianta; já passou da hora de abandonar a passividade e ingenuidade infantil e encarar as coisas como são. A vitória no campo político-institucional depende antes de uma vitória hegemônica do campo cultural, e neste front, nós filhos da Igreja estamos perdendo de lavada.

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