domingo, 2 de julho de 2017

Viva segundo suas próprias regras

Estou lendo atualmente "A Arte da não Conformidade" de Chris Guillebeau. Um livro muito interessante que, como diz o subtítulo, apresenta estratégias para viver segundo suas próprias regras.

Tantas vezes, deixamos que as convenções culturais e pressões sociais definam nossa vida,  seguimos o fluxo fazendo coisas que não queríamos fazer apenas porque “todo mundo age assim”. O livro apresenta alguns conselhos importantes e práticos para por fim a este ciclo, tais ensinamentos podem ser usados tanto para a vida pessoal, quanto para os combates políticos e culturais.

Cito aqui alguns deles, como a estratégia do azarão:
Gladwell argumenta que, mesmo em uma guerra convencional, os azarões vencerão 28% das vezes. Em uma batalha típica, Davi pode ter sorte e sair vitorioso quando a autoridade se permite baixar a guarda. Mas, quando o azarão adota uma estratégia não convencional e subverte as regras do jogo, a porcentagem de vitórias decola para 63%. Em outras palavras, quando o azarão usa estratégias não convencionais, ele na verdade acaba sendo o favorito. Apesar de todos os fatores aparentemente indicarem o contrário, se for esperto você apostará no adversário mais fraco.

Qual é a diferença entre as duas situações? A diferença é que, em uma situação, o azarão subverte deliberadamente as regras do confronto. Lembre que o verdadeiro propósito dos guardiões é restringir as escolhas (você tem a opção a ou b, mas não c, d ou e). A estratégia do azarão parte em busca de alternativas. No artigo de Gladwell, as alternativas incluíram Lawrence da Arábia escolhendo percorrer quase mil quilômetros pelo deserto para contornar e surpreender o inimigo, o Davi bíblico se recusando a usar uma armadura na batalha contra Golias e um time de basquete desfavorecido utilizando uma inovadora estratégia de defesa agressiva para confundir o adversário. A alternativa de Tim DeChristopher foi encontrar uma terceira opção de protesto como uma alternativa às opções pouco eficazes de escrever cartas ou apelar para a violência.

Em outros encontros com a autoridade, você pode simplesmente fingir que concorda, sorrir e no fim fazer o que quiser. Como mencionamos, é mais fácil pedir perdão do que permissão, mas, felizmente, você na verdade não precisa pedir nem perdão nem permissão com muita frequência. 
E também a ideia da exclusão radical:
Ao começar a redefinir a maneira como passará a dedicar seu tempo, se não souber ao certo quais responsabilidades deverá assumir, pode ser útil começar a aplicar um filtro a todas as opções com as quais você encontra. A resposta às duas perguntas – “Por que eu deveria fazer isso?” e “O que acontecerá se eu não fizer?” – esclarecerá a necessidade de assumir ou não vários tipos de responsabilidade.

Exemplo: Você tem uma reunião marcada e sabe que ela não será produtiva.
Pergunta: “Por que eu deveria fazer isso?” (Respostas possíveis: as pessoas esperam que eu compareça, nós nos reunimos toda semana, pode ser diferente desta vez etc.)
Pergunta: “O que acontecerá se eu não comparecer?” (Respostas possíveis: provavelmente nada, alguém ficará irritado, alguém pode achar que foi esperto da minha parte não ter comparecido etc.)

Se a resposta for que você será demitido imediatamente, pode ser necessário engolir o sapo e comparecer à reunião. Provavelmente, você poderá encontrar uma maneira de não participar da reunião e, ao mesmo tempo, manter o emprego.
Outro ponto muito interessante são as críticas do autor aos métodos tradicionais de educação, e os conselhos para educação autodirigida:
A EXPERIÊNCIA DE UM ANO DE GRADUAÇÃO ALTERNATIVA AUTODIRIGIDA 
•Faça uma assinatura da revista The Economist ou alguma outra boa revista de notícias e atualidades e leia todos os números religiosamente.
Custo: 110 dólares na versão digital para o Brasil + 60 minutos por semana.
•Memorize os nomes de todos os países, capitais e presidentes ou primeiros-ministros do mundo. Custo: US$ 0 + 3-4 horas.
•Compre uma passagem aérea ao redor do mundo ou use milhas de programas de milhagem para viajar a várias importantes regiões do planeta, incluindo a África e a Ásia.
Custo: variável, mas considere uma quantia de quatro mil dólares para seus planos.
•Leia os textos básicos das principais religiões do mundo: o Torá, o Novo Testamento, o Corão e os ensinamentos de Buda. Visite uma igreja, uma mesquita, uma sinagoga e um templo.
Custo: os textos podem ser obtidos gratuitamente na internet (ou em livros usados por menos de 100 reais + 20 horas.
•Faça a assinatura de um podcast de ensino de idiomas e ouça cada episódio de 20 minutos, cinco vezes por semana, durante o ano inteiro. Participe de um clube de idiomas uma vez por semana para praticar o que aprendeu.
Custo: US$ 0 + 87 horas.
•Empreste dinheiro a um empreendedor por meio do site <www.kiva.org>, por exemplo, e visite-o quando estiver no exterior em sua grande viagem ao redor do mundo.
Custo: provavelmente US$ 0 no final, já que 98% dos empréstimos são pagos.
•Desenvolva pelo menos três novas habilidades durante o ano. Sugestões: fotografia, paraquedismo, programação de computador, artes marciais. A chave não é se tornar um especialista, mas sim se tornar proficiente a ponto de ser funcional. 
Custo: variável, mas cada habilidade provavelmente custará menos do que três créditos em uma universidade.
•Leia pelo menos 30 livros de não ficção e 20 romances clássicos.
Custo: aproximadamente 1. 500 reais (pode ser reduzido ou eliminado se você utilizar uma biblioteca).
•Entre em uma academia de ginástica para manter a forma durante seus rigorosos estudos independentes. (Algumas universidades incluem acesso a suas academias mediante o pagamento de 32 mil dólares em mensalidades, de forma que você deverá pagar por isso se não for um estudante universitário.) Veja o custo em seu clube, no Sesc, na ACM.
Custo: cerca de 50 a 150 reais por mês.
•Familiarize-se com habilidades básicas de apresentação e falar em público. Procure cursos ou um grupo de apoio para falar em público para obter uma ajuda construtiva e estruturada. Veja o site do Toastmasters International (www.toastmasters.org), que já conta com algumas unidades no Brasil.
Custo: cerca de 100 reais + 2 horas por semana durante dez semanas.
•Crie um blog, determine um cronograma básico de postagens e se atenha a ele durante o ano inteiro. Uma dica: não tente escrever todos os dias. Limite-se a um cronograma semanal ou quinzenal por um tempo e, se você ainda estiver gostando da experiência depois de três meses, acelere o ritmo.
Custo: US$ 0.
•Configure a página inicial do seu navegador para <http://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Aleatória> . No decorrer de um ano, cada vez que abrir o navegador, verá uma página diferente e aleatória da Wikipédia. Leia-a. Custo: US$ 0.
•Aprenda a escrever ouvindo podcasts, como o Escriba Café em português e o Grammar Girl em inglês no iTunes, e lendo livros sobre o processo de escrever, como o Manual de Redação de jornais como Folha de São Paulo ou O Estado de São Paulo ou o excelente livro em inglês Bird by Bird de Anne Lamott. Custo: US$ 0 para os podcasts, cerca de 40 reais para os livros em português e 14 dólares para o livro de Anne Lamott (10 reais no Kindle).
•Em vez de ler toda a Encyclopedia Britannica, leia resumos, como o em inglês The know-it-all, de A. J. Jacobs ou o Guia dos curiosos em português.
Custo: 15 dólares para o texto americano. O site do Marcelo Duarte (autor do Guia dos Curiosos) é gratuito, <http://guiadoscuriosos.uol.com.br/> .
CUSTO TOTAL: cerca de 10 mil dólares
O autor não é católico e vez ou outra muitas escorregadas liberais (como dá para notar nas citações acima), entretanto, creio que valha a leitura, com a devida prudência é possível tirar muitas coisas boas daí. O livro pode ser encontrado em .pdf no Le Livros.

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