domingo, 16 de julho de 2017

Que tipo de educação?



”Vou investir em educação”

”Lugar de criança é na escola’’

”Escola em tempo integral”

São alguns dos mantras repetidos pelos políticos em época eleitoral…Escola, escola, escola, educação, educação, educação. Mas que escola?Que educação?

Quando mais jovem a escola para mim foi uma longa e entediante perca de tempo.

As aulas de História eram divertidas, o professor um piadista nato. Mas, e a história que aprendi?Simplesmente falsa: aprendi que a Igreja matou ”milhões na inquisição” e que Salazar era uma versão portuguesa do nazismo. Aprendi que Cuba era um paraíso na Terra, e que o mundo não era outra coisa se não uma eterna luta entre opressores e oprimidos, o mesmo roteiro em cenários diferentes…

Nas aulas (terrivelmente tediosas) de Gramática devia decorar uma lista incansável de regrinhas.
Para que isso? – perguntei certa feita a professora.
Para passar no vestibular... – me respondia.

As aulas de Matemática Aplicada não podiam estar mais longe da aplicação, aprendia fórmulas e complexos raciocínios , mas nenhuma indicação de como aplicá-lo em situações cotidianas.

E o que dizer então das aulas de Química, e Física?Totalmente voltadas ao tal do ”Vestibular”, com suas musiquetas e trocadilhos idiotas a fim de decorar fórmulas cujo o sentido do uso não compreendia.

As únicas aulas que escapavam desta lógica: Artes e Educação Física. Mas eram como fosse um segundo recreio: a professora de Artes nos dava algumas folhas e tintas para rabiscarmos; já o professor de Educação Física dava uma bola para jogarmos futebol, e sumia. 

Nenhuma destas, porém, foram piores que minhas aulas de Inglês, lá era eu induzido a decoreba de mil regrinhas a respeito do uso de verbos que não sabia o significado para frases que minha velha professora traduzia de má vontade. E assim foi, que depois de 7 anos desta disciplina ainda sou incapaz de ler um texto na língua anglo-saxônica sem recorrer ao Google Tradutor.

BAMMMMMM! O sinal batia, e finalmente podia eu ir pra casa.

E assim foi ano após ano, sendo eu obrigado dia após dia à frequentar aulas e mais aulas da escola, sem que meus professores me desse quaisquer respostas do porque de eu estar ali, se não para o tal do vestibular.

Educação, educação, educação. Escola, escola, escola.

Ao menos no que se propôs, funcionou, serviu para me fazer ”passar no vestibular”, nos dois que prestei passei em uma boa colocação sem dificuldade, mas perdi tanto tempo para tão pouco...E a vida acadêmica na faculdade não é lá grande coisa, mas isso é assunto para outra hora.

Ah, se me tivesse sido ensinada a verdadeira História! Ah se me tivesse sido ensinado colocar em prática os raciocínios abstratos da Química, da Física e da Matemática! Ah, se a professora de Gramática tivesse dito sobre a importância da língua na compreensão e desenvolvimento do horizonte mental do individuo! Ah, se meu professor de Educação Física tivesse me mostrado outro esporte que não o futebol!

Aqui estou eu, depois de anos dessa tal educação, procurando me virar, limpar a mente das mentiras e cacoetes ensinados, e a procura de aprender aquilo de importante que não aprendi… Buscando a verdadeira história, aplicando à vida concreta as abstrações, treinando o corpo na disciplina de um esporte que me agrada.

Quem dera no passado eu não tivesse sido um bom aluno… Sim, isso mesmo. Quem sabe se eu fosse da turminha do ”fundão”, da zoeira, não teria eu tanto trabalho hoje para limpar a mente das porcarias aprendidas no ontem, com a tal ”educação”.

Quanto tempo perdido, quantos anos ali sentados naquela carteira só para cumprir uma exigência curricular, só para passar numa provinha de múltipla escolha ao final da jornada… E hoje falam em escolas de tempo integral! Penso nas pobres crianças….

Acaso venha eu a ter filhos e fossem eles obrigados a frequentar tais instituições lhes daria o seguinte conselho:
-Não deixe que a escola mate seu desejo de conhecimento meu filho! Se dedique o suficiente para sair daí com o ”papel” o mais rápido possível, e ter tempo de sobra para estudar de verdade.

Educação!Educação! Escola! Escola! -gritam os políticos.
-Que tipo de educação? -pergunto eu, a multidão se aquieta, e não sobra nada além do velho sorrisinho cínico, a contemplar a própria mentira enunciada. O mesmo sorriso de meus velhos professores, o sorriso de alguém que não acredita na real utilidade daquilo que diz.

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