quarta-feira, 12 de julho de 2017

Cinema "da Libertação" : Daens, Nomadelphia, Hélder e Dom Romero


O cinema é um precioso meio de difusão de ideias, uma arte usada com frequência pelos inimigos da Igreja, não só pelos seus inimigos externos como também por seus inimigos internos que escondem sob a batina as armas da revolução. Em nosso país a Teologia da Libertação usou e abusou dos meios cinematográficos, temos uma verdadeira indústria do filme socialista-cristão[1]: Batismo de Sangue, Dom Helder: O Santo Rebelde, O Anel de Tucum, Descalço sobre a Terra Vermelha são alguns dos títulos que infestaram a cinema nacional. Já no estrangeiro poderia citar Don Zeno - O Fundador de Nomadelphia, Daens: Um Grito de Justiça, Ya no Basta Rezar.

Sem dúvida há no mundo muitas injustiças e cabe sim a Igreja denunciar, tal qual fez o profetismo israelita. Mas, a Teologia da Libertação não fica só no profetismo bíblico e na denúncia das injustiças, passa para um milenarismo herético na tentativa de imanentizar a escatologia; o mal deixa de ser fruto do pecado e é jogado na culpa do sistema; o pecado pessoal dá lugar ao pecado estrutural; a conversão e a penitência dão lugar a Revolução. E como está claro que essa concepção não é muito católica, a Teologia da Libertação estende seu conceito de sistema à “igreja hierárquica”, comprando a narrativa protestante que associa o Catolicismo a uma artimanha do Império Romano para “domesticar” o cristianismo. 

E isto não é calúnia, os próprios expoentes da Teologia da Libertação não têm vergonha de admitir:



Além da narrativa “TL” ser algo herético e estúpido é de uma chatice e um mau gosto terrível, tanto do ponto de vista Teológico, quando do narrativo. E nessa chatice que, com raras exceções, basicamente consiste sua expressão cinematográfica. A história é sempre a mesma: um padre rebelde a combater o sistema, mas que têm em seu caminho o obstáculo da Igreja institucional; assim é em Daens: Um Grito de Justiça, onde o padre “romaninho” é sempre retratado como um covarde puxa-saco a abusar de sua autoridade espiritual para intimidar os trabalhadores a não se revoltarem contra seus patrões carrascos. No mesmo filme encontramos também o personagem Woeste, um eminente politico católico que não passa de um tirano burguês. Os malabarismos narrativos utilizados no filme são tão grandes, que da luta da Igreja pela dignidade dos trabalhadores a coisa se converte na imagem simbólica de socialistas e liberais se unirem em apoio a eleição do Padre Daens contra a “opressão do partido católico”.

Em Don Zeno - O Fundador de Nomadelphia não temos coisa muito diferente: um padre revolucionário, “amigo dos pobres”, lutando contra uma Igreja indiferente submissa aos ricos; o Papa (Pio XII) nessa história vira um príncipe apático prisioneiro do poder, uma figura simbólica oprimida pelas estruturas aristocráticas da cúria romana. Não estou eu forçando a barra, veja algumas frases extraídas de diálogos do filme: "o mundo é dividido em duas partes: opressores e oprimidos”; “(...) ao longo do tempo tivemos os santos, a caridade, tudo bem mas isto não basta, precisamos de uma Revolução!”;

Os filmes nacionais vão na mesma linha, Dom Hélder: O santo (?) rebelde, embora tente desgrudar do Bispo de Olinda o rótulo de “comunista” como fosse uma “calúnia da ditadura”, não consegue disfarçar seu desconcerto para com a Igreja “institucional”, finalizando a obra com o famoso e blasfemo poema “helderiano”:

“Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo
Ao Vaticano.
E à Basílica de S. Pedro…
Loucura sagrada,
Porque Deus atiçava o fogo
Que os bombeiros
Em vão
Tentavam extinguir.
O Papa, louco,
Saía pelas ruas de Roma,
Dizendo adeus aos Embaixadores,
Credenciados junto a Ele;
Jogando a tiara no Tibre;
Espalhando pelos Pobres
O dinheiro todo
Do Banco do Vaticano…
Que vergonha para os Cristãos!
Para que um Papa
Viva o Evangelho,
Temos que imaginá-lo
Em plena loucura!…”


***

Diante deste festival de heresias, cujo uma pequena parte chegou as lentes do cinema, o Vaticano obviamente tomou providencias, culminando na publicação do documento Instrução sobre alguns aspectos da «Teologia da Libertação», assinado pelo prefeito da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, na época, o Cardeal Ratzinger (futuro Bento XVI). Apesar do choro dos teólogos da libertação, a “inquisição ratizingeriana”  foi extremamente branda. Muitos conservadores consideram até que foi “branda até demais”... Talvez, mas vale apresentar o argumento de que a Teologia da Libertação não é um produto de meras especulações intelectuais, mas tomou forma no complicado contexto politico das ditaduras sul-americanas, um “furacão de tensões e emoções” que confundiu a cabeça de muita gente; isso, possivelmente, ajuda a explicar a paciência da Santa Sé. 

De todo o modo, como só falei de filme ruim até aqui, falo agora de um bom filme, um dos poucos filmes “TL” sem o veneno da heterodoxia[2] , falo do filme Romero, onde temos o retrato de uma oposição católica a um regime tirano, um bispo que ama seu povo e sua Igreja e que não cai na armadilha de escolher neste falsa oposição entre a doutrina e a justiça. 



***

Em resumo, além de rechados de heterodoxias, 90% dos filmes “TL” são uma chatice só (igualzinho suas músicas)...


Obs: 
-Todos os filmes mencionados podem ser facilmente encontrados no YouTube.
-Me limitei aqui a comentar apenas os filmes, pouco sei sobre os personagens históricos nele retratados como: Daens, Zeno, Dom Hélder e Dom Romero.
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[1] Que dizer então do chamado “socialismo cristão” ou “católico”?
O chamado “socialismo cristão” ou “socialismo católico” é uma aberração tão grande como se alguém falasse de um protestantismo católico ou de um círculo quadrado. - Catecismo Anticomunista, §84; Dom Geraldo de Proença Sigaud.
[2] Talvez nem TL seja, alguns defendem que Dom Romero jamais teve ligação com os expoentes heterodoxos deste movimento, mas que teve sua imagem “sequestrada” pelo marketing revolucionário.

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