terça-feira, 2 de maio de 2017

Hipersensibilidade Pós-Moderna

Aiin meu corasaum!!
Uma das características da pós-modernidade latino americana é sua hipersensibilidade. Junta-se as características melodramáticas deste continente acostumado a educar-se a partir de telenovelas com a rejeição pós-moderna a razão, e pimba! Temos a fórmula para o desastre.

Desastre na religião, desastre nos estudos, desastre nos relacionamentos amorosos.

Um povo emocional tende a cair nas mais tolas superstições, não só as superstições pagãs como espiritismo e a macumba (ou a moderna mania alienígena), mas também as superstições gospel como as inúmeras seitas protestantes em cada esquina, ou o fenômeno RCCista, onde estados de transe hipnóticos são atribuídos como sendo “obra do Espírito” (os parapsicólogos[1] vão a loucura com isso). Ah! Mas o meio dito tradicionalista não escapa deste pensamento mágico emocional, me canso de desmascarar tantas falsas visões a aparições; a mais popular atualmente é uma ficção científica burlesca bem a estilo norte-americano onde temos uma nova descoberta científica predita pelas profecias[2]... É cada lorota que faz o País das Maravilhas de Lewis Carroll parecer plausível.

Quando a religião vira questão de sentimento às portas estão abertas as mais tolas invencionices, não atoa que a Igreja sempre foi bem cautelosa com relação ao reconhecimento de milagres; bem como prepara seus sacerdotes com uma sólida formação filosófica antes de iniciá-los no conhecimento teológico (coisa, aliás, que não fazem os protestantes, daí não é de se surpreender a qualidade intelectual do “pastorado” rsrs).

O desastre extrapola também para o mundo dos estudos científicos, onde certa friesa deveria ser pré-requisito. Um intelectual não pode jamais rejeitar hipóteses apenas com base em seus sentimentos, não pode irar-se diante de teses estranhas, mas antes deve ouvir pacientemente e contrapô-las a realidade em busca da verdade. Mas, quão distante isso estará de nossas academias onde o apego sentimental e a busca da aprovação dos pares tem mais valor que a verdade. Experimente por em dúvida os pressupostos evolucionistas e se verá diante do Talibã Laico.

E, por mais surpreendente que possa parecer, a hipersensibilidade gera também um desastre no terreno afetivo, no mundo “do amor”. Ora, se a pessoa guia-se apenas por sentimentos como diz a música: resolvi seguir meu coração; ouvir só a voz dele e não dar mais bola pra razão[3] é inevitável que venham as ilusões e a decepções. Quantas histórias de mocinhas iludidas por cafajestes não rondam a literatura? E as versões masculinas do corno a chorar as mágoas ao garçom? Mas, não importa você mente de verdade eu acredito de mentira[4] cantam nossos jovens; e vivendo na ilusão querem depois se surpreender que o errado não dê certo.

São tantas emoções dirá Roberto Carlos.

Então não é para sentir? É sim, mas é necessário ordenar os sentimentos através da razão fazendo estes servos dela e não o contrário.

Diante de um sentimento forte deve-se perguntar: porque estou sentindo isso? Esse sentimento está coerente com a situação vivida? Minha atitude interior é razoável ou um mero melodrama infantil?

Deu para entender? Sentiu a vibe (rsrs)? 



P.S. Indicações mais detalhadas a respeito do ordenamento das paixões e o controle afetivo pode o leitor encontrar em:
· Curso de Integração Pessoal – Mario Ferreira dos Santos
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[1] A Parapsicologia é uma ciência dedicada ao estudo dos fenômenos paranormais, usada para discernir a verdadeira mística do charlatanismo, foi propagada e popularizada no Brasil principalmente pelo famoso padre Óscar Quevedo.

[2] A suposta profecia seria parte do Terceiro Segredo de Fátima revelado pelo Pe. Malachi Martin a uma de suas filhas espirituais. A historinha fala de uma nova fonte de energia descoberta pelos cientistas que seria a causa de uma guerra mundial com a Rússia. Caso o leitor queira dar umas boas risadas pode encontrar o texto completo aqui.

[3] A Voz do Coração - Marília Mendonça

[4] Acredito de Mentira - Henrique e Juliano

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