sábado, 22 de abril de 2017

Sobreviencialismo de Mentirinha

Tem crescido no Brasil, sobretudo por influência do entretenimento americano, uma subcultura conhecida como Sobrevivencialismo.

Em que consiste o sobrevivencialismo? Consiste na consciência de que a calmaria, a paz e a ordem não são um estado normal e perpétuo; que o caos, a desordem, e os desastres podem ocorrer a qualquer momento e é preciso estar preparado para isso.

Em questão de princípios é uma subcultura muito interessante, embora algumas de suas manifestações sobretudo interétnicas beiram o ridículo. Com a imaginação bagunçada pelo entretenimento, não faltam figuras a gastar seu tempo e recursos preparando-se para acontecimentos longínquos e irreais. Do moço da cidade carregando bugigangas para caçar e fazer fogo no centro de São Paulo aos interioranos construtores de abrigos subterrâneos, sem contar bizarrices do tipo "preparados para apocalipse zumbi"; a preparação toma ares fantásticos a mirar realidades irreais enquanto realidades mais concretas e próximas como a atenção a criminalidade urbana, o cuidado em conservar a sanidade neste mundo neopagão, bem como a mais importante preocupação: o destino último da alma; são sumamente ignoradas.

É um sobrevivencialismo de mentirinha, uma rpg adulto, um modo placebo de se lidar com a fragilidade humana.

Mais do que estocar alimentos, carregar pederneiras e construir abrigos subterrâneos a mais importante e efetiva medida sobrevivencialista deve consistir, pois, na confissão frequente. Que drama maior pode haver que a morte, e sobretudo a morte eterna? Quando o seu tempo chegar, e tiver de prestar constas diante do tribunal do Altíssimo, estará ''preparado''?

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