terça-feira, 25 de abril de 2017

Católicos e Protestantes frente a Guerra Cultural

Os protestantes têm aparentemente maior facilidade em lidar com a cultura pop do que os católicos por um motivo: são mais superficiais. Os filhos de Lutero podem pegar qualquer coisa, qualquer forma, mudar seu conteúdo e pimba! Temos a cultura gospel: música gospel, novela gospel, balada gospel, hollywood gospel.

Já o católico é em tese mais radical, ele rejeita o mundo com mais facilidade, enquanto o protestante tenta conciliar, fazer sua versão gospel do mundo.

Para o protestante basta mudar a letra da uma música e pronto, temos sua versão gospel; para o católico não. Têm que mudar a letra, ver se o ritmo está adequado a letra, mudar os trejeitos, a estética, encontrar a linguagem própria para expressar a coisa de modo correto e harmônico entre outros inúmeros fatores.

O protestante se dá por satisfeito em jogar o jogo descartável da indústria cultural, ele não têm uma tradição a continuar, normalmente sua seita é tão nova quanto a moda cultural de sua época. O católico já não, têm dois mil anos de tradição nas costas, e quando se manifesta na arte quer fazer algo digno, duradouro.


Funk Gospel, um exemplo da ação protestante na guerra cultural. Ridículo para dizer o mínimo.

Caso você assista (não assista) um desses programas de pastores ai nas madrugadas da Record, ou sua versão americana (não assista) verá como eles copiam a estética dos talk shows de sucesso da época. Agora compare ‘’ISSO’’ com os programas do Pe. Paulo Ricardo, o padre desenvolveu um estilo próprio, uma linguagem própria e uma estética própria para ensinar a doutrina da Igreja. Não se contentou em pegar uma forma pronta e só trocar o conteúdo. Não! Construiu e adequou sua própria forma para que ela se expresse de acordo com o conteúdo.


Porém, essa atitude tem mudado. Alguns irmãos menos conscientes da herança da tradição resolveram que não dá pra ficar atrás dos hereges protestantes e entraram na lógica do descartável. As ações culturais da RCC (Renovação Carismática Católica) são um exemplo: ao modo protestante pegam uma forma da moda e só trocam a mensagem, o conteúdo e pimba! Vejam alguns dos programas da Canção Nova (cito Revolução Jesus praticamente um programa de auditório católico, uma copia ”gospel” do Altas Horas), ou as músicas carismáticas com seus festivais que imitam festivais mundanos, artistas que se vestem e expressam conforme seu estilo musical, e por fim cito as terríveis ”cristotecas” ou ”baladas santas”. É a mesma atitude protestante de ao invés de rejeitar o mundo, fazem sua versão gospel mais açucarada.


<Ain, larga de ser rabugento, puritano, fundamentalista, caretão! É elitismo seu querer que toda a intervenção do católico na cultura seja uma construção original quase do 0, porque não podemos pegar as formas já pronta e só mudar o conteúdo?> Porque o produto de vocês não será o original, e quem consome o produto pirata ora ou outra vai atrás do autêntico.

Quem começa indo em baladinhas gospel açucaradas vai acabar enjoando e indo atrás das ”baladas de verdade”, quem começa ouvindo o rosque gospel vai terminar comprando ingresso pro Rock in Rio, quem começa assistindo Revolução Jesus vai acabar fã de Altas Horas.

Entenderam? A guerra cultural e as complexas relações entre religião e cultura pop são mais complexas do que conseguem imaginar as incautas mentes juvenis.

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