domingo, 2 de abril de 2017

Aos Católicos Perplexos

“Que os católicos deste final do século XX estejam perplexos, quem negará?”


Com essas palavras Dom Marcel Lefebrve inicia sua Carta Aberta aos Católicos Perplexos, que tive a graça de ler recentemente. Um livro estarrecedor e fundamental para se entender o tempo histórico em que vivemos (embora tenha sido escrito há mais de 30 anos, o livro é de uma atualidade chocante).

Dom Lefebrve expõe com clareza e tristeza a profunda crise vivida pela Igreja no pós-concilio: os modernistas, outrora condenados por São Pio X, chegaram aos mais altos postos da estrutura eclesiástica, parasitando a Santa Igreja, renegando a tradição e buscando substituí-la por outra fé, dócil e perfeitamente adaptada ao mundo moderno.



A cada linha é possível quase que tocar a profunda tristeza deste homem ao ver a Igreja que tanto amou depredada pelos seus inimigos. E o mais trágico de tudo isto é que tais acontecimentos não pertencem apenas ao passado recente, ainda hoje os inimigos da igreja infiltrados na estrutura eclesiástica causam danos a fé de tantos homens e mulheres: grita-se pelo fim do celibato sacerdotal, pela ordenação de mulheres; a doutrina reta é silenciada, as mais vis e heréticas novidades propagadas aos quatro cantos. Os meus irmãos de Fé e pátria podem inclusive apontar para as garrinhas heréticas invadindo até mesmo a tradução das Sagradas Escrituras na terrível “edição pastoral”  recheada de notas de rodapé destilando o veneno marxista da Teologia da Libertação.

Haveria ainda muito que comentar, e ainda não seria o suficiente. Mas, longe de ficar apenas em lamentações, o bispo francês também aponta um plano de ação aos “católicos perplexos”:

“(...) O que é preciso fazer? Existem escolas verdadeiramente católicas, se bem que em número reduzido [1]. Enviai para lá vossos filhos, mesmo se isso pesar no vosso orçamento. Abri novas, como alguns já o fizeram. Se não podeis frequentar senão escolas onde o ensino é desnaturado, manifestai-vos, reclamai, não deixeis os educadores fazer vossos filhos perder a fé.

Lede, relede em família o catecismo de Trento [2], o mais belo o mais perfeito e o mais completo. (...)

Rejeitai os livros que veiculam o veneno modernista. Fazei-vos aconselhar. Editores corajosos difundem excelentes obras e reimprimam as que os progressistas destruíram. Não adquirais qualquer Bíblia; toda a família cristã deveria possuir a Vulgata, tradução latina feira por São Jerônimo no século IV e canonizada pela Igreja. (...)

É preciso rezar, fazer penitência, como a Santíssima Virgem o pediu, recitar o terço em família. (...)”

***

No mais, fica indicação do livro, com algumas ressalvas: Dom Lefebrve acaba tomando algumas posições por demais extremas, chegando a pôr em dúvida a validade dos sacramentos celebrados no rito pós-conciliar, portanto fiquem ligeiros!

A este respeito gostaria de deixar claro o que penso: é certo que o rito de São Pio V expressa de forma mais adequada a sacralidade do culto católico. Assim quando as circunstancias permitirem, recomendo que, sempre sob consulta do diretor espiritual, o fiel de preferência as missas celebradas segundo o rito tridentino, quando celebradas por sacerdotes em plena comunhão [3] com a Sé Romana. A Missa segundo o rito de Paulo VI, entretanto, continua inteiramente válida [4]. Em resumo, procure a missa que melhor edifique sua fé e não crie desculpas empoladas para deixar de cumprir o preceito dominical.
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[1] No Brasil, o único colégio católico digno do nome que conheço e indico sem peso na consciência é o colégio São Mauro.

[2] Além do Catecismo de Trento, chamado Catecismo Romano, e interessante também que se adquira e se estude o chamado Catecismo Maior de São Pio X, um resumo um pouco mais didático do Catecismo Romano elaborado pelo Papa Santo.

[3] Infelizmente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X fundada por Dom Lefebrve, atualmente não se encontra em estado de plena comunhão com Sé Romana. Há rumores de um acordo em vista, rezemos.

[4] A validade da Missa segundo o Rito de Paulo VI não é contestada por nenhum fiel católico que esteja em plena comunhão com a Sé Romana, entretanto, a afirmação da superioridade da Missa Tridentina pode pegar algum leitor de surpresa, deixo claro ser esta uma opinião pessoal deste que vos escreve.

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