sábado, 29 de abril de 2017

Uma série blasfema e uma crítica demente

Um papa narcista, ateu, "ultraconservador" com tendências homossexuais, eis o plano de fundo blasfema série The Young Pope que vem causando polêmica na Itália e chega o Brasil neste sábado.

O fato de todo o aparato cultural moderno ser usado afim de atacar, denegrir e zombar da Fé Católica não é, infelizmente, nenhuma novidade. A novidade está que católicos estão batendo palminhas para isso.

Algum dos colunistas da página Veritatis Catholicus teve a coragem (ou a demência) de publicar estas linhas: 


ENTRE ACERTOS E ERROS !!!

Estréia hoje as 22 horas, pelo canal pago Fox Premium 1 ( acessem o site ou página deste canal para mais informações ), a polêmica série "The Young Pope". Exibida na Europa ano passado e nos EUA em Janeiro deste ano, a produção foi dirigida pelo italiano Paolo Sorrentino e tem no elenco nomes de peso como Jude Law e Diane Keaton. Com apenas 10 capítulos e com a segunda temporada ainda incerta, esta mini-série conta a história da eleição de Lenny Belardo para o Papado. Se tornando o primeiro americano eleito Papa, Lenny escolhe o nome de Pio XIII ( Jude Law ). Seu comportamento estranho, impulsivo e imprevisivel causam mal estar entre a Cúria Romana, sobretudo com o Cardeal Angelo Voiello ( Silvio Orlando ) acostumado a comandar a administração vaticana usando métodos excusos. Pio XIII conta com a ajuda da Irmã Mary ( Diane Keaton ) para aconselha-lo em sua conduta frente a Igreja. A religiosa é como uma mãe para o Papa, pois cuidou dele em seu orfanato quando o Pontífice foi ali abandonado por seus pais. Alias, o trauma causado por este abandono somado com a obsessão em encontrar seus genitores moldam o carater de Pio XIII influenciando diretamente em suas decisões frente a Igreja e também causando a profunda crise de fé do Pontífice. Considerada um sucesso pela crítica especializada e estreando com ótima audiência na Itália (superando a estréia de Game of Trones), "The Young Pope" aborda todos os temas atuais da Igreja como pedofilia e homossexualismo entre os padres, corrupção e chantagem no Vaticano, disputa entre liberais e conservadores dentro da Igreja, brigas com governantes laicistas e até a crença nos milagres. Obviamente esta série, que tem muitos outros personagens interessantes, comete seus reducionismos ou mesmo erros ao abordar tanta variedade de assuntos. Mas a produção também possui seus méritos e o balanço acaba sendo positivo. Merece, portanto, ser assistida com um mínimo de prudência que qualquer católico é capaz de ter. O autor do post assistiu toda a série pela internet, onde ela esta disponível desde o fim do ano passado, daí sua capacidade para fazer este resumo da mesma.

Destaco novamente a seguinte afirmação: Mas a produção também possui seus méritos e o balanço acaba sendo positivo. Merece, portanto, ser assistida com um mínimo de prudência que qualquer católico é capaz de ter. - cumé? Merece ser assistida? Têm um saúdo positivo?

Aprofundemos então em alguns dos conteúdos da série:

Logo nas primeiras imagens, vemos um papa realmente belo, exibindo seu bumbum nos aposentos papais, tendo sonho erótico. Em sua homilia, ele choca os católicos com um discurso ultra-mega-prafrentex: defende a legalização do aborto e a união homossexual, o uso da camisinha, o hedonismo acima de tudo.

Mas é só um sonho, uma deliciosa ironia: Pio XIII, como era de se esperar pelo nome, é o oposto de tudo isso. À frente da Igreja Católica, endurece as regras para a admissão de seminaristas, e qualquer indício de tendência homossexual não é tolerada. Confunde homossexualidade com pedofilia _que também combate duramente.

(...)

Belardo se inspira no artista pop Banksy e na banda eletrônica Daft Punk para adotar uma linha de marketing em que não mostra seu rosto diante da multidão na praça São Pedro, não permite fotografias, não dá entrevistas. Se imagina como um rock star, mas sua estratégia, aliada a um discurso amedrontador, de que se deve sofrer na Terra para encontrar Deus na eternidade, não dá certo, afugenta os fiéis.

Ao mesmo tempo em que é moderno, faz ginástica e bebe Diet Cherry Coke, Pio XIII é retrógrado. Ao mesmo tempo em que prega os princípios mais arraigados da crença em Deus, vive questionando a existência de Deus. E é capaz de se conectar com Deus. Por meio de suas orações, consegue milagres _e até matar.

Belardo, o papa narcisista que fuma e eventualmente se declara ateu, é o resultado de um trauma da infância. Foi abandonado pelos pais hippies em um orfanato católico aos sete anos. É um personagem rico, profundo, saboroso. Em The Young Pope, não há muita distinção entre o bem e o mal, o divino e o satânico. [1]

Pio XI escreveu sua Vigilanti Cura alertando os católicos sobre o perigo do cinema de sua época (1936):

A cinematografia realmente é para a maioria dos homens uma lição de coisas que instrui mais eficazmente no bem e no mal, do que o raciocínio abstrato. É, pois, necessário que o cinema, erguendo-se ao nível da consciência cristã, sirva à difusão dos seus ideais e deixe de ser um meio de depravação e de desmoralização
(...)
É geralmente sabido o mal enorme que os maus filmes produzem na alma. Por glorificarem o vício e as paixões, são ocasiões de pecado; desviam a mocidade do caminho da virtude; revelam a vida debaixo de um falso prisma; ofuscam e enfraquecem o ideal da perfeição; destroem o amor puro, o respeito devido ao casamento, as íntimas relações do convívio doméstico. Podem mesmo criar preconceitos entre indivíduos, mal-entendidos entre as várias classes sociais, entre as diversas raças e nações. (Vigilanti Cura §20-21)

Quão surpreso não ficaria este Papa ao ver os católiquinhos do século XXI bater palminhas para seriados blasfemos como The Young Pope.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Lições da Ficção: Death Note Dorama


O entretenimento hodierno têm servido tão somente para propagar a ideologias e promover a deformação do imaginário, todavia neste palheiro ora ou outra acaba-se achando uma agulha. Death Note Dorama (2015) é a feliz agulha no palheiro da cultura pop

Baseado na série de mangás homônima, Death Note conta a história do jovem Ligth/Raito Yagami que acaba por encontrar um caderno da morte, caderno este que lhe dá o poder de matar todo aquele de quem o rosto e o nome é conhecido. Light decide usar o caderno para moldar um novo mundo mas, ele encontra um obstáculo a sua frente: o maior detetive do mundo: L

Mais do quem um emocionante thriller policial, Death Note é um duelo filosófico, a luta entre o homem que quer se fazer deus, e aquele que se reconhece criatura. Ligth é um exemplo típico das vítimas das ideologias, aquele que se revolta contra a realidade, e quer submete-la as ideias malucas que têm em sua cabeça usando de todos os meios necessários. 

A Franquia

O mangá criado por Tsugumi Ohba com ilustrações de Takeshi Obata foi publicado inicialmente na Weekly Shonen Jump entre dezembro de 2003 e maio de 2006 e tão logo ganhou outras mídias como um anime produzida pelo estúdio Madhouse, cinco longas metragens japoneses (live action), um livro spin-off  ''Death Note: Another Note Los Angeles BB", o dorama aqui indicado, além de recentemente inspirar um seriado da Netflix (cujo trailer você encontra abaixo).


Embora o pano de fundo, a história seja a mesma, bem como seus carismáticos personagens, em cada uma destas mídias a história ganha contornos e destaques próprios e, algumas vezes, é vítima de felizes e infelizes exercícios de liberdade artística. Para quem não conhece a franquia faço a ousada sugestão: comece pelo dorama. O anime e o mangá são bem interessantes, mas há um tom demasiado sombrio, e certo simbolismo mal conduzido que irrita o homem de Fé.

Os fãs de Death Note (os de entretenimento japonês de modo geral) são bem organizados, de modo que o interessado pode encontrar facilmente praticamente todas as adptações da franquia disponíveis na internet com a devida tradução; salvo o último filme (que está disponível ainda apenas em japonês sem as legendas) e a série da Netflix cujo o lançamento oficial se dará no dia 25 de agosto.

Lições

Mas afinal, além de entreter tem Death Note Dorama têm algo ensinar? Certamente há muitas lições a se tirar desta obra prima da ficção japonesa; primeiramente o valor do desenvolvimento intelectual, L é exemplo imaginário fantástico da grandeza que o desenvolvimento intelectual proporciona ao individuo; em segundo lugar, destaco os efeitos do orgulho: vemos os a queda de Ligth Yagami, mergulhando ainda mais fundo no abismo, se desumanizando cada vez mais. Em tempos de direita maria viatura também é interessante questionamento do jargão "bandido bom é bandido morto"; e por fim, e talvez a lição mais importante (que sempre nos ensinam também os contos de fadas): não importa quanto tempo leve, no fim a justiça sempre vence

Segue o trailer do Dorama:

terça-feira, 25 de abril de 2017

Católicos e Protestantes frente a Guerra Cultural

Os protestantes têm aparentemente maior facilidade em lidar com a cultura pop do que os católicos por um motivo: são mais superficiais. Os filhos de Lutero podem pegar qualquer coisa, qualquer forma, mudar seu conteúdo e pimba! Temos a cultura gospel: música gospel, novela gospel, balada gospel, hollywood gospel.

Já o católico é em tese mais radical, ele rejeita o mundo com mais facilidade, enquanto o protestante tenta conciliar, fazer sua versão gospel do mundo.

Para o protestante basta mudar a letra da uma música e pronto, temos sua versão gospel; para o católico não. Têm que mudar a letra, ver se o ritmo está adequado a letra, mudar os trejeitos, a estética, encontrar a linguagem própria para expressar a coisa de modo correto e harmônico entre outros inúmeros fatores.

O protestante se dá por satisfeito em jogar o jogo descartável da indústria cultural, ele não têm uma tradição a continuar, normalmente sua seita é tão nova quanto a moda cultural de sua época. O católico já não, têm dois mil anos de tradição nas costas, e quando se manifesta na arte quer fazer algo digno, duradouro.


Funk Gospel, um exemplo da ação protestante na guerra cultural. Ridículo para dizer o mínimo.

Caso você assista (não assista) um desses programas de pastores ai nas madrugadas da Record, ou sua versão americana (não assista) verá como eles copiam a estética dos talk shows de sucesso da época. Agora compare ‘’ISSO’’ com os programas do Pe. Paulo Ricardo, o padre desenvolveu um estilo próprio, uma linguagem própria e uma estética própria para ensinar a doutrina da Igreja. Não se contentou em pegar uma forma pronta e só trocar o conteúdo. Não! Construiu e adequou sua própria forma para que ela se expresse de acordo com o conteúdo.


Porém, essa atitude tem mudado. Alguns irmãos menos conscientes da herança da tradição resolveram que não dá pra ficar atrás dos hereges protestantes e entraram na lógica do descartável. As ações culturais da RCC (Renovação Carismática Católica) são um exemplo: ao modo protestante pegam uma forma da moda e só trocam a mensagem, o conteúdo e pimba! Vejam alguns dos programas da Canção Nova (cito Revolução Jesus praticamente um programa de auditório católico, uma copia ”gospel” do Altas Horas), ou as músicas carismáticas com seus festivais que imitam festivais mundanos, artistas que se vestem e expressam conforme seu estilo musical, e por fim cito as terríveis ”cristotecas” ou ”baladas santas”. É a mesma atitude protestante de ao invés de rejeitar o mundo, fazem sua versão gospel mais açucarada.


<Ain, larga de ser rabugento, puritano, fundamentalista, caretão! É elitismo seu querer que toda a intervenção do católico na cultura seja uma construção original quase do 0, porque não podemos pegar as formas já pronta e só mudar o conteúdo?> Porque o produto de vocês não será o original, e quem consome o produto pirata ora ou outra vai atrás do autêntico.

Quem começa indo em baladinhas gospel açucaradas vai acabar enjoando e indo atrás das ”baladas de verdade”, quem começa ouvindo o rosque gospel vai terminar comprando ingresso pro Rock in Rio, quem começa assistindo Revolução Jesus vai acabar fã de Altas Horas.

Entenderam? A guerra cultural e as complexas relações entre religião e cultura pop são mais complexas do que conseguem imaginar as incautas mentes juvenis.

sábado, 22 de abril de 2017

Sobreviencialismo de Mentirinha

Tem crescido no Brasil, sobretudo por influência do entretenimento americano, uma subcultura conhecida como Sobrevivencialismo.

Em que consiste o sobrevivencialismo? Consiste na consciência de que a calmaria, a paz e a ordem não são um estado normal e perpétuo; que o caos, a desordem, e os desastres podem ocorrer a qualquer momento e é preciso estar preparado para isso.

Em questão de princípios é uma subcultura muito interessante, embora algumas de suas manifestações sobretudo interétnicas beiram o ridículo. Com a imaginação bagunçada pelo entretenimento, não faltam figuras a gastar seu tempo e recursos preparando-se para acontecimentos longínquos e irreais. Do moço da cidade carregando bugigangas para caçar e fazer fogo no centro de São Paulo aos interioranos construtores de abrigos subterrâneos, sem contar bizarrices do tipo "preparados para apocalipse zumbi"; a preparação toma ares fantásticos a mirar realidades irreais enquanto realidades mais concretas e próximas como a atenção a criminalidade urbana, o cuidado em conservar a sanidade neste mundo neopagão, bem como a mais importante preocupação: o destino último da alma; são sumamente ignoradas.

É um sobrevivencialismo de mentirinha, uma rpg adulto, um modo placebo de se lidar com a fragilidade humana.

Mais do que estocar alimentos, carregar pederneiras e construir abrigos subterrâneos a mais importante e efetiva medida sobrevivencialista deve consistir, pois, na confissão frequente. Que drama maior pode haver que a morte, e sobretudo a morte eterna? Quando o seu tempo chegar, e tiver de prestar constas diante do tribunal do Altíssimo, estará ''preparado''?

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Pobres modernistas... #sqn

Tive hoje a oportunidade de assistir o filme “João XXIII - O Papa Bom”[1], eis o roteiro: uma Igreja velha e ditatorial; uma cúria ranzinza a perseguir injustamente os pobres modernistas arautos das novas ideias; um “Papa Bom”; um concílio revolucionário; e no fim, colocadas na boca de Ângelo Roncali uma mensagem irenico-ecumenico-novordista: <é preciso unir as religiões em prol da paz mundial>; faltou só a bandeirinha da ONU ondulando no final ao som de Imagine e teríamos um perfeito panfleto da Nova Ordem Mundial.

Se fosse mais bobo, não conhecesse história e, sobretudo jamais tivesse visto um modernista pessoalmente, poderia ingenuamente engolir essa historinha; quem sabe talvez se tivesse visto esse filme na minha adolescência lá com 14-15 anos; mas hoje não!

O pobre Nicola “injustamente” perseguido (ao menos é o que o filme diz) pode parecer simpático e inofensivo, mas os modernistas com quem convivi, apesar do sorriso igualmente simpático, destilavam seu veneno entre uma e outra risadinha, negando cada uma das verdades de Fé. Já ouvi negarem a ressurreição de Lázaro; já vi criarem um cânon dentro do cânon mutilando as Sagradas Escrituras para tentar encaixá-la em suas sandices; já vi negarem inclusive que Cristo fosse o cumprimento das profecias judaicas dizendo eles ser uma “forçasão de barra” dos evangelistas. Diante de tudo o que vi e ouvi da parte desses perversos hereges (o que não é nada comparado ao que clérigos como Dom Lefebrve devem ter presenciado) sou inclinado a pensar que a “perseguição” aos modernistas que é retratada no filme foi muito branda. Definitivamente os modernistas não são coitadinhos perseguidos injustamente pelo poder eclesial como propagandeia esta película! Os modernistas são apóstatas, teólogos da corte, empregadinhos dos donos do poder no mundo. Não são coitadinhos oprimidos, mas servos do poder, do poder mundano. Basta ver como a mídia maçônica e laicista ataca violentamente os guardiões da ortodoxia enquanto joga confetes em cada teólogo “moderninho”, como personagens como Leonardo Boff e Frei Beto estão sempre ás voltas nos círculos de poder, a serviço do PT, da ONU da Revolução. 

Vamos então redesenhar o cenário de acordo com a realidade: não temos os pobres modernistas oprimidos por uma Igreja ranzinza e autoritária; na verdade temos a Igreja de Cristo a incomodar o mundo, como o fez o seu mestre; e temos agentes do mundo infiltrados na Igreja, sucessores de Judas Iscariotes, a vender seu senhor aos donos do poder. 

Igualmente escrita sob medida pelos donos do poder esta a mensagem do final do filme: <a união de todas as religiões em prol da paz mundial>. Exatamente o que querem os globalistas; a criação de uma ONU das religiões, uma religião global, que dê o fundamento moral para um governo mundial.

E com tão escandalosa panfletagem, o total silêncio da crítica católica. Continuo eu, perplexo, a esperar o dia em que teremos no mundo da crítica cultural católicos verdadeiramente competentes. Até lá, resta este blogueiro provinciano a quebrar o galho.

Obs. Que fique claro que o alvo da crítica é o filme “João XXIII: O Papa Bom” e não a figura do Papa João XXIII, recentemente canonizado, cujo qual confesso que pouco conheço de sua biografia para ser capaz de dizer qualquer coisa a respeito. 

[1] João XXIII – O Papa Bom, disponível em <youtu.be/ruoVbd3Dsfg>

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tá Com Pena Leva Pra Casa (?)

Tem gerado polêmica na internet uma infeliz charge[1] publicada pelo Jornal Extra. Na charge temos a imagem do crucificado e na inscrição fixada acima da cruz, ao invés do tradicional INRI (Iēsus Nazarēnus, Rēx Iūdaeōrum), a sigla TCPLPC cujo significado seria: Tá Com Pena Leva Pra Casa.

A charge seria uma crítica a um dos mais populares jargões daquilo que identifiquei como direita maria-viatura[2]. A mensagem que o cartunista quisera passar seria algo como: vocês se dizem cristãos, mas, com seu comportamento estariam condenando o próprio Cristo. Equipara-se assim na narrativa os cristãos maria-viaturas aos fariseus. Tal crítica nada têm de inédita nem de original, em "O Grande Inquisidor", Fiódor Dostoiévski cria um mundo fictício onde em sua segunda vinda Nosso Senhor Jesus Cristo seria novamente rejeitado, desta vez, queimado pela Inquisição da Igreja que fundara. Ariano Suassuna em "A Farsa da Boa Preguiça" coloca Nosso Senhor vindo a terra disfarçado de mendigo e sendo hostilizado pelos “bons cristãos” de seu tempo, criticando assim certa religiosidade de aparências. Cito também a música O Seu Nome é Jesus Cristo que segue na mesma linha.

Esse tipo de crítica encontra, de certo modo, figuras análogas no próprio Evangelho. Em São Mateus 25, 41-45 estamos diante da seguinte situação:

Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.  

***

Como vimos certa identificação entre Cristo e o pobre, o perseguido, o oprimido não é algo novo. Está presente na música, na literatura, na iconografia cristã e inclusive nas Sagradas Escrituras, não dá para dar de ombros e dizer que é coisa de comunista, teólogo da libertação. Não, está relação é parte integrante da da revelação. MAS, esse texto não termina aqui, não quero ficar em simplismos de líderes de torcidas ideológicas, aprofundemo-nos! Se é adequada certa identificação entre Cristo e o oprimido, seria adequada a identificação neste contexto concreto em que estamos? Mais especificamente, seria adequado comparar o Crucificado com aqueles contra os quais é dirigido o jargão Tá Com Pena Leva Pra Casa?  E a resposta é NÃO. Explico: embora o jargão seja proferido de modo emocional e tolo, levando a uma atitude infantil de julgar temerariamente que todo aquele que caia sob o rótulo de “bandido” seja um monstro, não levando em conta a devida prudência, tal emocionalismo é fruto de um contexto de um país extremamente violento onde há no ar uma sensação de impunidade que indigna o cidadão comum. O jargão foi construído e usado para se referir a pessoas que estariam muito longe do Inocente Crucificado, e mesmo do Bom Ladrão arrependido, se assemelhariam no mais das vezes ao terceiro personagem da cena: o mal ladrão blasfemo (De igual modo creio eu que Dostoiévski em seu juízo sobre a Inquisição não foi muito feliz, os condenados a fogueira não eram nenhum “bolinho” mas isso é discussão para outra hora). 

Compreendo a raiva dos maria viaturas diante de tal situação de impunidade, mas a razão e a religião impedem de dar lado as suas respostas emocionalistas. Compreendo igualmente a crítica do cartunista, embora pense ser esse tipo de charge em pleno Domingo de Páscoa uma provocação igualmente emocional. Quem dera ambos tentassem se compreender ao invés de incorporarem torcidas organizadas de times de futebol a repetir sua posição com o único fim de causar a maior irritação possível ao adversário ideológico como criancinhas do primário. 

Vai pagar de isentão agora então? De que lado agora você está? Deve ser o coro das torcidas ideológicas que conseguiram chegar até está parte do texto, mas creio que aqui mais do que dar a resposta pronta as crianças cabe deixar no ar, não quero eu o fim da dessa discussão, dessa treta, quero apenas que ela suba de nível e para tal estas linhas bastam. 

Inté o/

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[1] Optei por não exibir a charge neste post, caso o leitor se interesse poderá vizualizá-la e acompanhar parte das reações indignadas neste link.

[2] Direita maria-viatura: é um subgrupo dentro da comunidade neodiretista com tendências fascistóides que crê firmemente no poder redentor da violência, e na necessidade de uma ordem autoritária imposta para pôr fim ao caos. Maiores informações você encontra aqui

domingo, 16 de abril de 2017

Ressuscitou!



"Deus Santo! Deus Forte! Deus Imortal!"

Os filhos da serpente usaram de todas as suas artimanhas contra o Divino Redentor, em uma rara união entre a vontade popular, o poder político e religioso num consenso blasfemo o Senhor foi condenado a morte, e morte de cruz!

Sofrimento físico, moral e religioso. E em cada momento o tentador lá estava a gritar: ''Salva-te a Ti Mesmo", mas em perfeita fidelidade a vontade do Pai, Cristo o Senhor, o servo sofredor. tudo suportou. E assim, já na cruz a vitória se manifestou: "Tudo está consumado!"; do corpo do cordeiro imaculado jorram sangue e água como fonte de misericórdia para nós. A terra treme, o véu do templo é rasgado, mortos ressuscitam.

Terror, seguido de silêncio. O silêncio do Sábado Santo. E ao amanhecer do Domingo eis o sepulcro vazio: "Ressuscitou!" O poder mundano nada pode contra os desígnios de Deus, a Vida venceu a Morte, o Senhor vive e reina para sempre!

O Preciosíssimo Sangue do Redentor lavou-nos da imundice de nosso pecado, seu sacrifício abriu as portas do céu, desce ao universo uma chuva de graças nesses tempos que são os últimos.

Desconcertando seus inimigos ai está o Senhor, o Rei da Glória, aleluia! Como os anjos cantaram o nascimento do Salvador no Santo Natal, como Simeão alegrou-se diante da salvação que Deus preparou para Israel, assim hoje canta toda a nova criação!

Um Deus tão poderoso, e ao mesmo tempo tão humilde. Mesmo na manifestação de sua glória, de sua Ressurreição, foi tão discreto como em toda a sua vida humana. Apareceu as mulheres, aos discípulos, a sua Santíssima Mãe (uma aparição tão igualmente discreta e silenciosa que sequer se registra nas Sagradas Escrituras). Explica as escrituras as discípulos de Emaús, reconcilia Pedro, vai em resgate a descrença de Tomé.

Quão grande é o Senhor! Quantas maravilhas ele dispensa aos homens ! Como não alegrar-se? Diante de tão maravilhosas graças a Igreja é mesmo capaz de cantar: "Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor"

É a Páscoa do Senhor! Alegremo-nos!

Nossa esperança está no nome do Senhor, e não na política!


Durante a Semana Santa, a liturgia da Igreja nos conduziu a contemplação dos solenes mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. O leitor deste BunKer com toda a certeza deve ter participado das celebrações e colhido muitos frutos espirituais deste tempo; me limito aqui apenas a destacar um pequeno aspecto de tão grande mistério: “Cruz escândalo para os judeus, loucura para os pagãos”.

O mistério da Cruz ainda hoje é um sinal de escândalo e loucura para um mundo descrente, é, sobretudo sinal de contradição para aqueles que buscam instrumentalizar a Igreja para fins políticos escusos, como a bastarda Teologia da Libertação, filha do Comunismo.

Após a agonia no horto, com a chegada do traidor, a ordem do Divino Mestre a Pedro foi a de embainhar a espada (Jo 18, 11). Ele não viera fazer uma “revolução”; respondendo a Pilatos frisou: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36)

Os judeus esperavam um messias político, fecharam os olhos às realidades do espírito aprisionando-se na imanência deste mundo que passa, recusaram Jesus, o Messias enviado pelo Pai, Aquele da qual falavam as profecias. E assim como há dois mil anos os sumos sacerdotes traíram Deus em favor do poder político: “Não temos outro rei senão César!” (Jo 19, 15), assim o fazem os teólogos da libertação, e tantos outros hereges infiltrados dentro da Igreja, escolhidos como sacerdote do Altíssimo, mas que rejeitaram o seu Rei, em favor das benesses do poder político mundano.

Assim como outrora Israel peregrinou no deserto rumo à Terra Prometida, peregrinam hoje os cristãos nesse vale de lágrimas rumo á Pátria Celeste sob a guia da Santa Cruz. Por mais lícito e louvável que seja a luta política, é preciso que fique claro que nossa esperança não é uma esperança política, que nossa morada definitiva não é aqui. Nossa esperança está no nome do Senhor, e não na política!

domingo, 9 de abril de 2017

Teologia na Sarjeta

 "É preciso ascender as luzes do porão e botar para fora os ratos e morcegos."
Theodore Dalrymple escreveu seu clássico “Vida na Sarjeta” em que descreve a miséria existencial da classe suburbana da Inglaterra. Um livro desconcertante e incômodo. De igual modo seria possível escrever outra obra incômoda e desconcertante sobre os escândalos do clero nacional, uma espécie de “Teologia na Sarjeta”. É terrível como as leis da Igreja são sumamente ignoradas nessa terra brasilis, bem como a inércia do episcopado em corrigir os abusos, procurando antes abafar o caso, que usar do poder e autoridade que gozam.

A cada novo dia os escândalos da Diocese de São Miguel Paulista promovidas pelo Padre Paulo Sérgio Bezerra ganham destaque no Frates in Unum, lideranças leigas, inclusive, foram pessoalmente ter com o Bispo. Resultado? Nada...


A Teologia da Libertação, condenada sucessivamente por dois Papas continua a ser propagada e ensinada nos púlpitos e seminários. A Bíblia “edição pastoral” é amplamente usada em milhares de paróquias em todo o país sem que a Conferência Episcopal tomasse qualquer atitude a respeito.

Apesar da proibição de Bento XVI de que candidatos com tendências homossexuais ingressem nos seminários, por duas vezes, em dois diferentes estados brasileiros, ouço relatos de homens que abandonaram os estudos pelo fato de que as casas de formação sacerdotal “exalavam purpurina”.

A Liturgia, em muitos lugares, está em situação desastrosa onde tudo é permitido, desde a “Missa Afro”, passando as show-missas, apenas o rito tridentino é coibido. 

Sobre os exorcismos a situação é igualmente preocupante[1]. Enquanto bispos e padres se amigam de animistas e espíritas, seitas ocultistas pululam, o número de exorcistas é mínimo, a demonologia sequer é mencionada nos seminários, de modo que muitos padres e bispos negam a existência do demônio jogando tudo na conta de um psicologismo barato.

E os relatos de profanações do celibato sacerdotal? Padres com filhos que continuam a exercer seu ministério frente as comunidades sem sofrerem nenhuma punição. 

Sim, se me aparecesse um “Dalrymple Católico” que resolvesse cutucar esse formigueiro iria encontrar muita coisa. No século XIX tivemos São Pedro Damião[2] autor do Livro de Gomorra[3], em que com admirável valentia denunciava as mazelas do clero de seu tempo.

Quem sabe fossem as denúncias mais frequentes e barulhentas, as autoridades da Igreja deixassem de lado suas tolices ecumênico-irenistas, e passassem a ter preocupações realmente dignas de nota.

Longe de “sujar a imagem da Igreja”, este tipo de crítica (ainda felizmente encontrada na internet em sites como Frates in Unum e Adelante la Fé) prestam um grande serviço a Igreja. É preciso ascender as luzes do porão e botar para fora os ratos e morcegos. Falta ainda nesse nosso tempo, porém, homens de culhão, dentro e fora da hierarquia da Igreja, que enfrentem essas pragas domésticas pelo bem das almas.

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(Quantos sãos os leigos, bispos e clérigos que podem repetir como Serjão Berranteiro: "Aqui têm coragem!"?)

***
Anseio eu pelo dia em que as dioceses serão ocupadas por homens como São Pedro Damião e São Pio X, cujo o zelo para com a casa do pai os consuma. Até lá, que os católicos deste inicio de século estão perplexos, quem poderá negar?

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[1] Pouco depois de ter escrito este texto, leio que a CNBB está a elaborar um estudo doutrinal a respeito dos exorcismos. Rezemos e aguardemos.

[2] São Pedro Damião foi um monge reformador do círculo do papa Leão IX e um cardeal que, em 1823, foi declarado um Doutor da Igreja. Leia mais em <catolicismo.com.br>

[3] Liber Gomorrhianus em latim, ou em português Livro de Gomorra, é uma obra escrita por São Pedro Damião em 1049/1050 d.C. na Itália. Escrito em forma de tratado, o livro denunciava abertamente os vícios do clero da igreja italiana, recomendando punições severas a certos membros do clero por vita spurcissima  (ou seja, pelo seu "modo de vida imundo"). 

Códigos de Conduta da Direita Tio Patinhas

Nos últimos meses, a Direita Tio Patinhas andava acabrunhada. Também pudera: Trump ganhou nos EUA, o Reino Unido optou por sair da UE e Marine Le Pen lidera as pesquisas na França. No Brasil, Aécio Neves está atolado até o pescoço com as denúncias da Lava-jato e Jair Bolsonaro ganha mais espaço na imprensa. Horrorizados pela hipótese de terem que votar num sujeito que consideram um bronco, extremista, e que demonstra se importar muito pouco com as sensibilidades alheias, eis que surge, das profundezas do ninho tucano uma nova esperança: o prefeito de São Paulo, FHC 2.0 João Doria. 

Quem, além de um tucano admirador declarado de Hillary Clinton, pode representar melhor os ideais da Direita Tio Patinhas? Mas o que seria, então, esse povo?

Trata-se da nossa boa e velha direita burguesa, seja qual for o rótulo que usem para definirem-se a si mesmos (libertário, liberal, liberal-conservador ou até conservadores que só querem conservar o status quo, entre outros) o que os une é a mentalidade secularizada, humanista e igualitária além de, é claro, muita mesquinharia. Preocupar-se com algo mais que a sua conta bancária e as suas boas aparências é coisa de fanáticos religiosos como Dom Marcel Lefebvre e outros católicos reacionários que sonham em voltar para a Idade Média e são tão perigosos quanto militantes do ISIS. 

Para fazer parte desse séquito, você pode ser qualquer coisa, menos católico, sendo admitida apenas a sua versão jujuba e seguidora do Concílio Vaticano II, pode ser até um vegano travesti umbandista, desde que critique o PT e defenda o livre mercado. Dizer que o Estado deve servir a Igreja, entre outras barbaridades contra o credo iluminista, o farão ser visto como uma reencarnação de Tomás Torquemada, comandante da sanguinária Inquisição Espanhola (nem preciso dizer que para a Direita Tio Patinhas, os livros do MEC só mentem quando criticam o capitalismo e a burguesia, o resto é tudo verdade absoluta).

Não se esqueça de dizer umas palavrinhas elogiando o casal Clinton ou no máximo neocons como Bush e John McCain, mas nunca, em hipótese alguma, fale bem de Donald Trump, um sujeito que, apesar de bilionário, traiu a classe burguesa retirando os EUA da Parceria Trans Pacífico. Pecar contra o livre comércio é infinitamente mais grave realizar abortos em escala industrial. 

Não podem faltar, é claro, lágrimas sobre os mortos durante os "anos de chumbo" e a truculência do Regime Militar. Como bom amante da democracia, diga que todas as ditaduras são ruins e Castelo Branco e Emílio Médici são tão maléficos quanto Stalin e Pol Pot. Pouco importa que a esquerda estivesse querendo transformar, na marra, o país numa grande Cuba, tudo se resolveria em civilizados debates acadêmicos, com direito a chazinho com biscoitos no intervalo...

Existem vários outros códigos de conduta para você ser um bom direitista tio patinhas, mas, em linhas gerais, acredite sempre no primado do econômico e no livre mercado como o redentor do mundo, e nunca fale nada que faça seu inimigo fazer cara feia e ferir sua reputação de pessoa equilibrada. A ficha de filiação ao Novo ou ao PSL estará esperando por você.

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PS: Com os últimos bombardeios dos Estados Unidos a Síria, Trump pode ser reabilitado, afinal, ele pode estar continuando o esforço de Bush e Obama para espalhar a democracia pelo mundo. Apesar de muito delicados e zelosos pela sua imagem, a direita tio patinhas defende que o mundo inteiro deve rezar pelo credo liberal-democrático, nem que seja na porrada.

#Roald_Admunsen

domingo, 2 de abril de 2017

Aos Católicos Perplexos

“Que os católicos deste final do século XX estejam perplexos, quem negará?”


Com essas palavras Dom Marcel Lefebrve inicia sua Carta Aberta aos Católicos Perplexos, que tive a graça de ler recentemente. Um livro estarrecedor e fundamental para se entender o tempo histórico em que vivemos (embora tenha sido escrito há mais de 30 anos, o livro é de uma atualidade chocante).

Dom Lefebrve expõe com clareza e tristeza a profunda crise vivida pela Igreja no pós-concilio: os modernistas, outrora condenados por São Pio X, chegaram aos mais altos postos da estrutura eclesiástica, parasitando a Santa Igreja, renegando a tradição e buscando substituí-la por outra fé, dócil e perfeitamente adaptada ao mundo moderno.



A cada linha é possível quase que tocar a profunda tristeza deste homem ao ver a Igreja que tanto amou depredada pelos seus inimigos. E o mais trágico de tudo isto é que tais acontecimentos não pertencem apenas ao passado recente, ainda hoje os inimigos da igreja infiltrados na estrutura eclesiástica causam danos a fé de tantos homens e mulheres: grita-se pelo fim do celibato sacerdotal, pela ordenação de mulheres; a doutrina reta é silenciada, as mais vis e heréticas novidades propagadas aos quatro cantos. Os meus irmãos de Fé e pátria podem inclusive apontar para as garrinhas heréticas invadindo até mesmo a tradução das Sagradas Escrituras na terrível “edição pastoral”  recheada de notas de rodapé destilando o veneno marxista da Teologia da Libertação.

Haveria ainda muito que comentar, e ainda não seria o suficiente. Mas, longe de ficar apenas em lamentações, o bispo francês também aponta um plano de ação aos “católicos perplexos”:

“(...) O que é preciso fazer? Existem escolas verdadeiramente católicas, se bem que em número reduzido [1]. Enviai para lá vossos filhos, mesmo se isso pesar no vosso orçamento. Abri novas, como alguns já o fizeram. Se não podeis frequentar senão escolas onde o ensino é desnaturado, manifestai-vos, reclamai, não deixeis os educadores fazer vossos filhos perder a fé.

Lede, relede em família o catecismo de Trento [2], o mais belo o mais perfeito e o mais completo. (...)

Rejeitai os livros que veiculam o veneno modernista. Fazei-vos aconselhar. Editores corajosos difundem excelentes obras e reimprimam as que os progressistas destruíram. Não adquirais qualquer Bíblia; toda a família cristã deveria possuir a Vulgata, tradução latina feira por São Jerônimo no século IV e canonizada pela Igreja. (...)

É preciso rezar, fazer penitência, como a Santíssima Virgem o pediu, recitar o terço em família. (...)”

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No mais, fica indicação do livro, com algumas ressalvas: Dom Lefebrve acaba tomando algumas posições por demais extremas, chegando a pôr em dúvida a validade dos sacramentos celebrados no rito pós-conciliar, portanto fiquem ligeiros!

A este respeito gostaria de deixar claro o que penso: é certo que o rito de São Pio V expressa de forma mais adequada a sacralidade do culto católico. Assim quando as circunstancias permitirem, recomendo que, sempre sob consulta do diretor espiritual, o fiel de preferência as missas celebradas segundo o rito tridentino, quando celebradas por sacerdotes em plena comunhão [3] com a Sé Romana. A Missa segundo o rito de Paulo VI, entretanto, continua inteiramente válida [4]. Em resumo, procure a missa que melhor edifique sua fé e não crie desculpas empoladas para deixar de cumprir o preceito dominical.
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[1] No Brasil, o único colégio católico digno do nome que conheço e indico sem peso na consciência é o colégio São Mauro.

[2] Além do Catecismo de Trento, chamado Catecismo Romano, e interessante também que se adquira e se estude o chamado Catecismo Maior de São Pio X, um resumo um pouco mais didático do Catecismo Romano elaborado pelo Papa Santo.

[3] Infelizmente, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X fundada por Dom Lefebrve, atualmente não se encontra em estado de plena comunhão com Sé Romana. Há rumores de um acordo em vista, rezemos.

[4] A validade da Missa segundo o Rito de Paulo VI não é contestada por nenhum fiel católico que esteja em plena comunhão com a Sé Romana, entretanto, a afirmação da superioridade da Missa Tridentina pode pegar algum leitor de surpresa, deixo claro ser esta uma opinião pessoal deste que vos escreve.