domingo, 26 de março de 2017

Feminismo Intra-Eclesial

Vandalismo feminista na Catedral da Sé em São Paulo.

O feminismo é hoje uma das mais hegemônicas ideologias em todo o mundo ocidental, tal qual o ar que respiramos ele está em todo o lugar, inclusive dentro da Igreja. Na recente (e problemática) exortação apostólica Amoris Laetitia há louvores a está pérfida ideologia:

(...) Alguns consideram que muitos dos problemas actuais ocorreram a partir da emancipação da mulher. Mas este argumento não é válido, «é falso, não é verdade! Trata-se de uma forma de machismo». A idêntica dignidade entre o homem e a mulher impele a alegrar-nos com a superação de velhas formas de discriminação e o desenvolvimento dum estilo de reciprocidade dentro das famílias. Se aparecem formas de feminismo que não podemos considerar adequadas, de igual modo admiramos a obra do Espírito no reconhecimento mais claro da dignidade da mulher e dos seus direitos. [Amoris Laetitia, §54] 

Aqui na província padres modernosos contaminam as almas ainda sãs com esse veneno em cursos e retiros, nem as almas consagradas escapam da pregação feminista. E aí daqueles que resolvem dissonar do coro ideológico, estes recebem o rótulo de “machistas” e são alvo das perseguições da inquisição laica. 

Em que consiste o feminismo? Consiste em um movimento revolucionário e destrutivo que pretende destruir a feminilidade e a masculinidade, eliminando todas as legitimas diferenças entre o homem e a mulher; transformando as mulheres em machos mal acabados, e os varões em maricas afeminados. Diante desta definição, fica evidente que a íntima relação entre o feminismo e o movimento gayzista não é fruto do acaso.

Não raro, as adeptas desta perfídia, manifestam em seus atos públicos o caráter totalmente anticristão do movimento. Alguns autores destacam, inclusive, que o arquétipo feminista é o exato oposto das virtudes marianas, sendo o feminismo um movimento “Anti-Maria”. Mas, mesmo diante de tão clara evidência a covardia toma conta das alminhas de algodão que cegam-se voluntariamente insistindo em reformular o cristianismo a luz dos novos tempos[1], confeccionando inclusive monstros abomináveis como uma certa teologia feminista. Tal abominação não é senão o sintoma de uma gradual apostasia, que começa por deformar a Fé em uma espécie de cristianismo burguês[2] totalmente dócil e bem adaptado ao mundo.

Derivado deste cristianismo burguês que se acovarda diante da ideologia feminista, emergem atitudes práticas como: o total silêncio com relação aos ensinamentos sobre modéstia e pudor; a relativização do ensinamento paulino a respeito da submissão; a defesa da ordenação de mulheres e etc.

O Feminismo Híbrido

O perigo do feminismo não está, porém, em suas formas mais radicais; estas, mostrando abertamente a sua irreconciliável inimizade serpentina para com a Igreja, só iludem as almas mais deformadas; mas está em sua forma híbrida.

O feminismo híbrido é aquele que aceita todos os pressupostos errôneos do feminismo, sem, porém, levá-los as suas últimas consequências, optando por um caminho lento e gradual. Assim, por exemplo, enquanto um clérigo feminista defenderá abertamente o sacerdócio feminino, um feminista híbrido negará tal radicalismo, mas abrirá as portas a ele com inúmeras concessões: a começar por abrir o acolitato às mulheres[3], seguido do diaconato, até que se chegue ao objetivo proposto.

Assim, se o “feminismo raiz” opta por tomar o veneno todo de uma vez, o feminismo híbrido prefere consumi-lo em graduais doses diárias. Contudo, o resultado é o mesmo: o corpo e alma padecem envenenados.

O Combate

Torna-se evidente a urgência de combater está pérfida ideologia. Mas, como o fazer? Tantas vezes o discurso feminista hostiliza seus adversários sob o rótulo impreciso e genérico de machista, e tenta assimilar neles a imagem de pagãos embrutecidos sem nenhum respeito pela dignidade feminina. Não é assim.

Este tipo de visão pagã que reduz a mulher a um objeto é obviamente rejeitada por nós cristãos. Porém, também rejeitamos o igualitarismo feminista. O respeito pela dignidade feminina inclui em primeiro lugar o reconhecimento das leis do Criador e, em segundo lugar, o reconhecimento das profundas diferenças que há entre a alma feminina e a alma masculina. 

Não é possível de maneira alguma consentir com o pecado e o desrespeito à vontade de Deus sob a desculpa de promover a dignidade feminina. O pecado não promove a dignidade de ninguém, pelo contrário cria escravos. Assim o despudor, a promiscuidade (liberdade sexual), o divórcio, o aborto, e tantas outras iniquidades propagados por esses supostos “defensores da mulher” devem ser radicalmente combatidos, e desmascarados.

Em segundo lugar, as profundas diferenças entre a alma feminina e masculina não devem ser negadas, combatidas, ou varridas para debaixo do tapete, mas acolhidas. São diferenças que longe de insuflar uma guerra dos sexos, devem instigar um amor mútuo e a visão de uma sã complementariedade. Assim como uma bela música é formada por notas diferentes, a sinfonia da humanidade é formada pelas justas diferenças entre os sexos, temperamentos, e culturas.

Na última segunda-feira, a Igreja celebrou o dia de São José, que a exemplo deste santo patriarca os homens cultivem as virtudes masculinas da virilidade e fortaleza; e, recuperando a herança de seus antepassados, constituam sólidas e numerosas famílias sobre a firme autoridade patriarcal. E que as mulheres, a exemplo da Santíssima Virgem, cultivem as virtudes femininas buscando também a modéstia e a docilidade. E que ambos, homens e mulheres, deixem de lado as vãs ideologias, e construam suas vidas apoiados nas leis eternas por Deus reveladas.

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[1] A respeito desta tolice sobre a qual a Fé deveria se adaptar ao mundo, fico com a resposta de São Josemaria Escrivá: <Não é a Doutrina de Jesus que deve adaptar-se aos tempos, mas os tempos que devem abrir-se para a luz do Salvador>.

[2] Segundo Ratzinger, o cristianismo burguês é um simulacro <no qual o cristianismo não é mais um impulso para uma nova resposta e para uma nova esperança diante de formas de civilização atualmente decrepitas, e sim uma herança do passado da qual não se quer separar, mas que se deseja atenuar o mais possível, conciliando-a com os próprios desejos. De tal modo, o cristianismo não é mais uma força que dá a vida, mas um peso a ser aliviado o mais possível. Esse tipo de cristianismo tem, certamente, uma forte, afirmação em determinado estado social e goza também de um poder considerável de divulgação, mas não tem em si mesmo nada que indique um futuro. Ninguém pode se sentir atraído por um cristianismo que não tem estima por si mesmo>. [Ser Cristão na Era Neopagã Vol. 3, pág 21-22]

[3] Em recente entrevista o Cardeal Burke denunciou as consequências práticas do acolitato feminino sobre as vocações sacerdotais. É certo porém que este é um tema controverso, e merece uma discussão mais complexa que escapa a proposta deste texto.

domingo, 19 de março de 2017

Perseguição aos católicos e acolhida aos hereges



É com tristeza que me ponho hoje a ler a respeito das noticiais recentes. Em nome de um ecumenismo irenista a serviço da Nova Ordem Mundial, a Basílica de São Pedro foi emprestada a hereges anglicanos, ao mesmo tempo, católicas que rezavam em desagravo a tal profanação junto a uma imagem de Nossa Senhora de Fátima foram expulsos da Praça de São Pedro. Enquanto hereges encontram portas abertas para suas heresias dentro da própria Igreja, os católicos autênticos são perseguidos.

Eis um triste preludio do que será a religião universal novordista: um parasita que se apossa das estruturas da Igreja Católica, e vai usar destas para perseguir os próprios católicos. Segue a reportagem do blog Catolicidad a respeito do ocorrido:

<El pasado lunes se celebraron cuatro años de la elección del Cardenal Jorge Mario Bergoglio como Papa, y coincidiendo con esta fecha el Cardenal Angelo Comastri, arcipreste de la Basílica de San Pedro, prestó la Basílica a la comunidad protestante anglicana de Roma para la celebración de sus vísperas.

A modo de desagravio, un grupo de jóvenes de la Associazone Madonna di Fatima quisieron hacer una procesión con la imagen de la Virgen de Fátima en la Plaza de San Pedro. Aunque de camino a la plaza los jóvenes llevaban pancartas con mensajes como “fuera de la Iglesia no hay salvación”, y repartieron volantes en los que se recordaba que la Doctrina de la Iglesia condena la participación en el culto de los herejes, todos estos fueron dejados antes de ingresar al Vaticano. No obstante, mientras desarrollaban la procesión al interior de la Plaza de San Pedro, fueron abordados por la Policía, y se les solicitó abandonar el lugar.>

Mas, engana-se quem pensa que isso ocorre só nas altas cúpulas, qualquer um que frequente os ambientes paroquiais aqui no Brasil vê a infiltração maciça dos inimigos da fé nos mais altos cargos da Igreja. Apenas para citar alguns tristes exemplos tivemos o episódio da blasfema homenagem a Nossa Senhora Aparecida durante o carnaval; bem como a heterodoxa pregação de Dom Demétrio em pleno Santuário de Aparecida; e aqui na província ouço um “padre feminista” defender em alta voz a descriminalização do aborto. E para este ano ainda vem a Comemoração da Deforma Protestante em Roma. Não fosse já isso o suficiente, há boatos de uma reforma geral da liturgia e da estrutura paroquial em prol de um modelo mais “ecumênico”. É de chorar...

Diante disto o que resta-nos fazer? Oração, penitencia e combate. Rezemos! Imploremos a misericórdia de Deus e apontemo-nos para o combate  usando as armas da guerra cultural: denunciemos estes lobos; lutemos para que os espaços em nossas instituições, paróquias, mídias e escolas sejam ocupados por homens de reta doutrina, não por estes traidores.

E por mais assustadora que esta crise se mostre, saibamos que em Cristo venceremos e ao final como profetizado em Fátima, o Imaculado Coração de Maria triunfará.

domingo, 12 de março de 2017

Provincialismo Feudal no Pé de Feijão

O velho conto de fadas de João e o Pé de Feijão nos oferece uma imagem simbólica interessante para avaliarmos certas verdades do nosso tempo. 

O pequeno João, fraco e indefeso frente ao gigante que habita as alturas do Pé de Feijão; imaginem o medo, a insegurança e a vulnerabilidade do garoto frente à tão monstruosa criatura. A mesma vulnerabilidade experimenta hoje o homem moderno frente a duas outras feras: o Estado e o Grande Capital.

Falemos primeiro do segundo tão lembrado pela esquerda (ao menos no século passado) e tão esquecido por uma direita tola. O Grande Capital, como um polvo gigante que estende seus tentáculos por toda a parte, reduz os homens a escravos, ceifa vidas, destrói a Criação, soterra culturas e costumes tradicionais. Vale tudo desde que dê lucro. Lucro! Eficiência! Produtividade! Moralidade? Dignidade Humana? Meio-Ambiente? Isso é papo de comunista dizem os arautos do Tio Patinhas, como capatazes defendendo o patrão que paga seus salários.

Do outro lado temos o Estado, um grande paquiderme, que com seu aparato repressivo e seu corpo de técnicos e burocratas que tolhe a liberdade dos indivíduos querendo regular cada centímetro de sua vida segundo a arbitrariedade das mentes "iluminadas". Os horrores do comunismo e do nazismo já mostram de forma suficientemente clara a tirania de um Estado inchado; a literatura de ficção também desenvolveu bem esse pesadelo com 1984, Admirável Mundo Novo entre outros.

O conflito entre direita-esquerda se resume na patética estratégia de buscar a proteção de um desses monstruosos gigantes contra o outro. A esquerda quer usar o Estado para frear o Grande Capital; já a direita prefere buscar refúgio no Grande Capital contra o Estado.

Tolas pretensões! O que vemos em nosso tempo é que os gigantes se dão as mãos, se aliam para oprimir o pobre homem comum. Os homens que detém o grande capital são os mesmos responsáveis por controlar o gigantesco aparato técnico-estatal; eis em resumo a essência do bloco globalista novordista.

E frente a estes dois gigantes aí está o homem comum: fraco e indefeso. Outra historia de gigantes, essa fora do terreno da ficção, nos revela um caminho: como o pequeno Davi diante de Golias, agora só resta ao homem clamar a Deus. E Deus escuta! A Igreja que Ele instituiu ainda grita em defesa dos pequeninos, ainda tem a coragem de denunciar os desmandados do Grande Capital e o perigo do um Estado agigantado. Mas, é como uma ''voz que clama no deserto'', solenemente ignorada sob acusações de ''comunista''; ''opressora'' e ''obscurantista''.

Longe de meras teorias abstratas, o que esse texto procura oferecer ao pequeno João são indicações práticas e concretas: não caia na lábia dos monstros a direita e a esquerda, não entregue sua segurança nas mãos de uma suposta lógica da mão-invisível, tampouco em um corpo de burocratas anônimos e sombrios. O mercado precisa ser controlado, e tal controle deve ser feito pelo indivíduo associado de seus irmãos em associações locais.

A começar por uma família forte e patriarcal, seguida pela união destas famílias a fundar escolas, associações de caridade, sindicados e guildas, instituições culturais e etc. Eis a aplicação prática do principio de subsidiariedade.

Famílias, Associações Locais e Regionais, maior poder aos Estados e Municípios, menor poder a União (e a ONU) ao mesmo tempo um racional controle e limite sobre o poderio econômico. Aí está a estratégia para sobreviver ao ataque dos gigantes. Entre um socialismo estatal e um capitalismo neoliberal, nada melhor que o velho provincialismo feudal.