segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Baldeação Ideológica Inadvertida

Ando lendo atualmente o livro Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo do genial, mas profundamente problemático Plínio Corrêa de Oliveira. Em determinado trecho da obra, o autor expõe de maneira claríssima o estratagema usado pelos comunistas na guerra psicológica a fim de “comunistizar” os católicos ou, nas palavras autor, promover a Baldeação Ideológica Inadvertida. Tal técnica continua, ainda hoje, sendo amplamente utilizada não apenas por comunistas, como também por liberais e marcusianos, segue a transcrição:

Na sua essência, o processo da baldeação ideológica inadvertida consiste em atuar sobre o espírito de outrem, levando-o a mudar de ideologia sem que o perceba.

Para chegar a esse resultado, é possível lançar mão de artifícios diversos.

O mais das vezes, esses artifícios se reduzem ao seguinte:

* a – encontrar no sistema ideológico atualmente aceito pelo paciente pontos de afinidade com o sistema ideológico para o qual se deseja baldeá-lo;
* b – supervalorizar doutrinária e sobretudo passionalmente esses pontos de afinidade, de tal maneira que o paciente acabe por colocá-los acima de todos os outros valores ideológicos que admite;
* c – atenuar tanto quanto possível, na mentalidade do paciente, a adesão aos princípios doutrinários que atualmente aceita e que sejam inconciliáveis com a ideologia para a qual se quer baldeá-lo;
* d – despertar nele a simpatia pelos militantes e líderes da corrente ideológica para a qual será baldeado, fazendo-o ver neles soldados dos princípios supervalorizados conforme o exposto no item “b”;
* e – dessa simpatia passar à cooperação para fins comuns ao paciente e seus adversários doutrinários de ontem, ou quiçá para o combate a uma ideologia ou uma corrente, inimiga tanto daquele quanto destes;
* f – daí conduzir o paciente à convicção de que os princípios supervalorizados são mais consentâneos com a ideologia de seus novos cooperadores e irmãos de luta do que com a sua ideologia de ontem;
* g – a esta altura, a mentalidade do paciente estará mudada, e sua assimilação à nova ideologia não encontrará senão obstáculos secundários.

Ao longo de quase toda essa trajetória, ele não se dará conta de que está mudando de idéias. E, quando disto se der conta, já não se assustará com o fato. De princípio a fim, imaginará estar agindo por movimento próprio, e não advertirá que está sendo manobrado. O processo é, pois, inadvertido de dois pontos de vista:
– porque o paciente durante quase toda a baldeação não a percebe;
– porque ele não nota que essa baldeação é um fenômeno produzido nele por terceiro.

Por esta forma, o adversário se transforma gradualmente em simpatizante e por fim em adepto.

Que meus irmãos de Fé fiquem avisados e, conscientes do funcionamento de tal processo, escapem das arapucas ideológicas as quais os inimigos da Igreja querem metê-los.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Dá câncer...

Quem quer que se aventure a deixar-se guiar pelas orientações médicas ecoadas pelo aparato midiático há de se ver mergulhado em um mar de confusões. São tantas e tão contraditórias as recomendações e, ao mesmo tempo tão irritantes. Sim, irritante; parece que tudo que há de bom, todo o prazer lícito e legítimo é mal e deve ser evitado numa pseudo ascese laica maluca para obter saúde.

Em tempos onde tudo dá câncer, resgato este belo poema de Carlos Drummond de Andrade ironizando a situação.



VERSOS NEGROS (MAS NEM TANTO)

Ao levantar, muito cuidado, amigo.
Não ponha os pés no chão. Corre perigo
se há nylon no tapete: ele dá câncer.

Pise somente no ar, mas com cautela.
Uma pesquisa sábia nos revela
esta triste verdade: o ar dá câncer.

À hora do café, não seja pato,
pois tanto açúcar como ciclamato
e xícara e colher, sorry, dão câncer.

O banho de chuveiro? Não tomá-lo.
O de imersão, também. Sinto informá-lo
do despacho londrino: água dá câncer.

Não se vista, meu caro ou minha cara.
Um cientista famoso eis que declara:
na roupa, qualquer roupa, dorme o câncer.

A nudez, por igual, não recomendo,
a fim de prevenir um mal tremendo:
sábado se apurou que o nu dá câncer.

Rumo ao batente, agora. Antes, porém,
permita que eu indague: o amigo tem
um carrinho? Que azar. Carro dá câncer.

E colectivo, nem se fala. Em massa,
aumenta a perspectiva de desgraça.
No ónibus, no avião, viaja o câncer.

Invente um novo meio de transporte
para ir ao trabalho, e não à morte...
Mas sabe que o trabalho já dá câncer?

Isso mesmo: afirmou-me com certeza
uma nega com o nome de Teresa
que dar duro é uma fábrica de câncer.

Pare de trabalhar enquanto é tempo!
Mas evite o lazer, o passatempo,
que no jardim da folga nasce o câncer.

Dormir? Talvez. Ou antes, nem pensar.
Em sonho, pelo que ouço murmurar,
é quando mais solerte chega o câncer.

O amor então, é a grande solução?
Amor, fonte da vida... Essa é que não.
Amor, meu Deus, amor é o próprio câncer.

Viva, contudo, sem ficar nervoso,
mas sabendo que é muito perigoso
(lá disse o Rosa) e que viver dá câncer.

Já que você nasceu... Ah, não sabia
deste resumo da sabedoria?
Nascer, mero sinónimo de câncer.

Resta morrer, por precaução? Nem isto.
Veja, no céu, o aviso trimegisto:
no mundo de hoje, até morrer dá câncer.

Viva, portanto, amigo. Viva, viva
de qualquer jeito, na esperança viva
de que o câncer há-de morrer de câncer.

Ou morrerá - melhor - pela coragem
de enfrentarmos o horror desta linguagem
que faz do câncer dor maior que o câncer.

Pois se souber do trágico brinquedo
que é ver câncer em tudo desta vida,
o câncer vai morrer - morrer de medo.


- Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A originalidade católica e os robozinhos protestantes

No dia em que a liturgia proclama: “Se um reino se divide contra si mesmo ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, não poderá manter-se“ , trago para este BunKer um cômico e ilustrativo vídeo de uma discussão entre hereges protestantes.



O motivo da discussão não ficou claro mas, reparem na mulher: seu vocabulário viciado, seu modo de expressão histérico, falando não desde dentro  mas, de um personagem, uma personalidade grupal, um esterótipo, uma lavagem cerebral de uma seita fuleira.

''Aleluia, tá reprendido'' grita a mulher, usado da Bíblia como porrete, o homem ao menos demonstra mais naturalidade, e responde: "vá lavar uma roupa".

A religião católica não é assim, ela não te transforma em ''robozinho''. Basta comparar a vida dos santos, um Santo Tomás de Aquino e uma Santa Terezinha, tão diferentes, e tão igualmente católicos; ou de um Chesterton e um Benson, ambos católicos, ambos escritores, ambos ingleses, tão igualmente católicos, personalidades tão originais e diferentes.

O espírito faz florescer na Igreja, na Igreja de Cristo a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, ao mesmo tempo diversidade e unidade. A unidade na diversidade.

As seitas protestantes por outro lado suscitam homogenização e confusão. Vemos a confusão nos dois infelizes que não se entendem, e a homogenização na personalidade da mulher, um robozinho feito sob medida em alguma seita de esquina, do qual encontraremos inúmeros exemplares exatamente iguais.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Aplicar a Doutrina na Vida Comum


Há algum tempo atrás pensava eu que o problema do brasileiro com relação ao catolicismo era má catequese, má formação doutrinária. Que um país com 500 anos de Evangelização Católica tenha tão poucos santos canonizados, que seitas protestantes das mais fuleiras (do reteté pezinho de fogo a seita do maiscedo) consigam ludibriar almas aqui enquanto a revolta de lutero-calvino esteja sendo enterrada no resto do mundo, é algo que clama por uma explicação. Porém, observando realidades como a Canção Nova e a RCC, coisas do tipo Cerco de Jericó e santos estampados em camisetas, a resposta aponta para outro lugar. A coisa começa a gritar com o fenômeno dos radtrads de internet, cujo alguns exemplares descanonizam santos ''pós-conciliares'' no intervalo de Sobrenatural ao som de Ozzy Osbourne.

Não é só que o brasileiro não conhece a doutrina. É muito pior: ele não sabe aplicá-la. Repete os dogmas da Fé como fosse a decoreba da escola mas, na hora de aplicar em sua vida pessoal e cotidiana não sabe como fazer. Quando muito, resume a coisa em um tipo de moralismo social para usar de porrete contra o ''ermão'' e se auto promover.

Vai lá o Catequista, muito católico dentro da Igreja. Mas, fora dela, guarda a Fé e o Catecismo na gavetinha, se é advogado por exemplo, não sente o menor peso na consciência em ganhar a vida com divórcios, se é farmacêutico continua a vender preservativos em seu comércio e coisas do tipo. Ou a mocinha que canta no coral, com roupa mui modesta, e uma bela voz louvando ao Senhor. Mas, ao sair da Missa troca o vestido pelo shortinho e o tomara que caia. O problema é tão grande que entrou até no clero, onde vimos notícias recentes do padre que vai sambar na passarela...

Mais do que catequizar (o que é sim necessário) mais do que ensinar a doutrina, creio que o que seja fundamental é ensinar ao brasileiro a aplicar a riquíssima doutrina católica em sua vida prática, do seu modo original e único, mas coerente.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Pena de Morte? Não! Precisamos de Santos!


Vivemos num país extremamente violento, não raro figuram nos noticiários televisivos e nos jornais notícias de crimes bárbaros e banhos de sangue que chocam a sociedade. Muitos indignados com tal situação clamam pela pena de morte, repetindo o jargão dos maria viaturas: “bandido bom é bandido morto”. A estes respondo: “bandido bom, é bandido convertido”.

O catecismo e a doutrina da Igreja não proíbem a pena de morte, contudo a atual hierarquia se posiciona contrária, devido as atuais circunstancias históricas: 

<2267. A doutrina tradicional da Igreja, desde que não haja a mínima dúvida acerca da identidade e da responsabilidade do culpado, não exclui o recurso à pena de morte, se for esta a única solução possível para defender eficazmente vidas humanas de um injusto agressor.

Contudo, se processos não sangrentos bastarem para defender e proteger do agressor a segurança das pessoas, a autoridade deve servir-se somente desses processos, porquanto correspondem melhor às condições concretas do bem comum e são mais consentâneos com a dignidade da pessoa humana.

Na verdade, nos nossos dias, devido às possibilidades de que dispõem os Estados para reprimir eficazmente o crime, tornando inofensivo quem o comete, sem com isso lhe retirar definitivamente a possibilidade de se redimir, os casos em que se torna absolutamente necessário suprimir o réu «são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes» (42).>

Compartilho da mesma opinião: a pena de morte não me parece um recurso adequado, ainda mais em nossos tempos em que os Estados não reconhecem a autoridade de Deus e da verdadeira religião e os juízes legislam contra Deus. Ora, nas atuais circunstancias, em que se quer retirar os crucifixos das repartições públicas, em que a lei dos homens contradiz a lei Deus, em que as faculdades de direito deformam a mente de nossos futuros juízes com doutrinas pérfidas, como se pode fazer um juízo adequado a respeito de algo tão grave como a vida de um homem? Não creio que exista hoje no país juízes o suficiente com consciência católica bem formada capazes de examinar todas as consequências morais de tal ato, e tomar uma decisão tão grave. Por isto, sou absolutamente contrário a pena de morte.

Excluída então a alternativa a penalidades mais severas, fica a pergunta: como resolver a questão da criminalidade no país? Minha resposta é: precisamos de santos.

Assisti recentemente o filme <Molokai, a Ilha Maldita>, que retrata a história de São Damião. É surpreendente como esse homem de grande fé e coragem se embrenhou numa violenta ilha no Havaí para onde eram mandados os leprosos, e converteu inúmeras almas pela graça de Deus. Sim, precisamos de mais padres como São Damião, que não tenham medo de se misturar aos excluídos da sociedade, que se embrenhem nas prisões e levem a estes miseráveis a doutrina e os tesouros da Igreja, com coragem, firmeza e virilidade (São Damião algumas vezes precisou usar os punhos, literalmente sair na porrada algumas vezes). 

Pena de morte? Não! É preciso levar a Fé a esses infelizes e seus mais preciosos tesouros. No dia em que em cada presidio, for possível celebrar a Santa Missa (também no rito extraordinário/Missa Tridentina), quem sabe a exemplo de São Dimas, não nasçam santos ali.

São Dimas e São Damião Molokai rogai pela conversão dos criminosos!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[Guerra Cultural] O que os católicos podem fazer? A resposta de Dom Athanasius

Conforme comentado em outros postagens, a guerra cultural é hoje uma realidade que exige do católico uma tomada de posição. Porém, como agir concretamente? Já manifestei aqui neste Bunker algumas linhas gerais, hoje trago mais algumas orientações de Dom Athanasius, a notícia é relativamente antiga para os padrões da internet (publicada no inicio de dezembro do ano passado no Adelante La Fé) entretanto, seu conteúdo continua de uma utilidade e atualidade fantástica, que merece menção. 

As instruções do bispo, traduzidas pelos irmãos do Sensus Fidei apesar de originalmente escritas para o combate contra a terrível agenda Kasper, servem de norteamento para diversos outros fronts da batalha no mundo cultural.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O Destino da Rússia


A Rússia é linda! E será ainda mais, de modo mais sublime e belo quando se converter...

“Aguardemos cheios de fé o dia em que um cavaleiro da Imaculada vai hastear bem alto acima do Kremlin em Moscou o estandarte branco da Imaculada”. - São Maximiliano Maria Kolbe [1]

Sim, quando esta nação se converter, ah quando esse dia chegar! Ela há de recristianizar toda a Europa, e receber seu verdadeiro papel na história mundial. Diante desse papel todas as realizações, todas as suas glórias presentes e passadas não passam de uma fulgaz imagem.

Mas, até lá muito ela há de sofrer e muito sofrimento há causar aos Católicos: a Rússia foi o flagelo escolhido por Deus para castigar o mundo, ela há de espalhar seus erros pelo mundo.

Paradoxal o destino dessa nação, que há de ser tão amada e tão odiada, há de causar ainda tanto mal e tanto bem.

Deus é sem dúvida um roteirista fantástico! Não sei se viverei o suficiente para ver o cumprimento pleno das profecias com relação a Rússia, mas só com esses vislumbres, essas duas realidades, quanta profundidade! Quantas realidades teológicas a se meditar!

A Nação que vai espalhar seus erros pelo mundo, que ainda vai fazer os católicos muito sofrerem (não fosse já o comunismo o suficiente)...

...é a mesma Nação que vai se converter e recristianizar a Europa.

Rezemos pela consagração e conversão da Rússia, conforme as profecias de Fátima.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Santos Reis (Epifania do Senhor)


Neste Domingo a Liturgia da Igreja celebra a Solenidade da Epifania, em que se recorda a manifestação do Menino Jesus aos Reis Magos.

No presépio diante do Menino Deus estão os sábios da Terra, seguindo a estrela, atentos aos sinais da na criação. Que, os Santos Reis intercedam por nós, e por todos os homens de estudo, para que estejam atentos aos sinais da criação, e deixem-se guiar pela estrela, até a estrebaria de Belém. 

Na recordação deste episódio, trago aos leitores deste blog um clássico da música popular brasileira na voz de Pena Branca e Xavantinho.


Lembrando também que depois desta solenidade, chega ao fim o tempo litúrgico do Natal, sendo no dia seguinte a data de desmontar os enfeites natalinos.

Finalizo agora esta postagem com mais um canto, este litúrgico, que devem escutar também na Santa Missa deste domingo: Vimos sua Estrela no Oriente...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O Plano

Sacramentos, Doutrina e o Santo Rosário; eis o que vai salvar a Igreja e o mundo. Todo o resto é acessório, que desvinculado destas três realidades perde o sentido.

Convém que sacramentos sejam celebrados da forma mais digna e solene possível. Que a Santa Missa no rito ''novo'' seja bem celebrada, e que a "reforma da reforma" litúrgica avance, paralelamente o rito antigo (Missa Tridentina) deve ser promovida, a ponto que esteja disponível para os fiéis em todas as dioceses do mundo. Jesus presente na Santíssima Eucaristia deve ser frequentemente adorado, os sacrários raramente ficarem sem ninguém. A comunhão na mão evitada, a comunhão na boca e de joelhos incentivada.

Os confessionários devem voltar e substituir as "salinhas de psicologia".

A doutrina deve ser pregada CLARAMENTE em todo o lugar sem bom mocismos ou politicamente corretos, quer agrade quer desagrade. E a coerência de vida buscada a todo o custo. Cristo deve reinar em nossos corações, em toda a nossa vida SEM RESERVA TÉCNICA, nenhum campo de nossa vida deve ficar nas trevas, tudo deve ser iluminado pela Divina Luz, TUDO: relacionamentos, vida cultural, negócios, hobbies, etc.

Os erros do mundo moderno corajosamente denunciados, os hereges e inimigos da Igreja combatidos

As catequeses cuidadosamente elaborados.

E o Santo Rosário rezado todos os dias, público e privadamente.

***

Coisa feita do jeito certo, sem alianças degeneradas com maçons, sem frescurites ecumênicas previsões astrológicas ou concessões "estratégicas" desonradas. Está aí o plano para "mudar o mundo", acessível a todo mundo do faxineiro ao presidente. 

É só, como diz o jargão moderno, "fazer sua parte" e implorarmos a Deus sua misericórdia.

Sem isso, podem eleger quem quiser, inventar as tecnisices mais mirabolantes, sem Deus nada irá para frente.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Assange, Rússia e Polônia

1. Julian Assange têm sido uma das principais pedras no sapato da Nova Ordem Mundial. O fundador do WikiLeaks refugiado na embaixada do Equador em Londres têm feito um trabalho digno revelando e tornando público os esqueletos no armário dos grandes figurões.

Fico pensando cá com meus botões, será que Trump têm coragem o suficiente para por fim a perseguição a Assange, e dar-lhe liberdade política para agir nos EUA? Espero que sim, mas creio que não. De todo o modo, mesmo exilado na embaixada do Equador sem poder sair nem mesmo para comprar um pão, Assange é capaz de criar grandes problemas aos figurões novordistas, o que faz com que eu o admire e muito mas, não a ponto de idealizá-lo; talvez por isso tenha gostado muito do filme O Quinto Poder.



O filme baseado nos relatos de Daniel Domscheit-Berg, co-fundador do WikiLeaks e ex-parceiro de Julian, se propões a contar a história da organização, mas de um ponto de vista não muito simpático a Assange, retratado como um homem excêntrico, ególatra e tendendo a loucura.

Sou leigo no assunto para dizer com propriedade se o filme é fiel a realidade, contudo achei uma boa obra que tenta ser “imparcial”, destacando a importância do WikiLeaks na recente história mundial, sem contudo cair em um romantismo heroico.

Caso se interesse em assistir, ele está disponível no YouTube, minha maior crítica ao filme se dá por piadinhas imorais, e cenas sensuais (embora o filme não chegue ao nível da pornografia como a maioria das obras de Hollywood) desnecessárias.

2. Do WikiLeaks passo agora para a Rússia, outra gigantesca pedra no sapatado da Nova Ordem Mundial. Li ontem um excelente artigo do português Viriato Soromenho, intitulado "A culpa não é da Rússia?" transcrevo alguns pontos a seguir:

<Mas o modo como a Rússia está a ser objeto daquilo que em psicologia se denomina "atribuição causal externa" não se limita aos EUA. A próxima vaga de eleições decisivas para o futuro europeu (Holanda, França e Alemanha) arrisca-se a ser marcada pela sombra da "interferência russa". Mais uma vez trata-se de um claro sintoma de fraqueza. Não foi a Rússia que conduziu a UE para a agonia lenta de uma união monetária onde uma parte significativa dos Estados integrantes se sente como num avião capturado por piratas do ar. Um sítio muito desagradável, mas do qual não se pode sair sob pena de morte certa. Não foi a Rússia que armou fundamentalistas islâmicos no Afeganistão e na Bósnia, as escolas dos terroristas que hoje flagelam o Ocidente. Não foi a Rússia que iniciou esta vaga ingovernável de sofrimento humano, traduzida nas multidões rompendo as fronteiras da Europa em 2015, forçando a UE a acordos com Ancara que nos envergonham. Foram G.W. Bush e Blair com a ignóbil invasão do Iraque, em 2003. Foram Sarkozy e Cameron, com a cumplicidade de uma NATO que há muito entrou em roda livre, derrubando e assassinando Kadafi (com quem a UE tinha assinado em 2010 um positivo acordo sobre refugiados). Foi o próprio Obama, deixando Hillary Clinton ensarilhar-se, ao lado de Hollande e Cameron, no caos da Líbia e no inferno da Síria.

Putin, olhando no espelho dos czares, representa os interesses permanentes de uma Rússia determinada a quebrar um longo ciclo de declínio. Mas a Rússia, além do seu arsenal nuclear, só vale 10% do PIB da UE e tem pouco mais de um quarto da população dos 28! A Rússia só mete medo a uma Europa à deriva, governada por líderes imaturos, que não sabem quem são, quem representam, nem para onde devem ir.>

É certo que as profecias de Fátima ainda não se cumpriram de modo pleno o que faz-nos ter certo receio com a Rússia, mas a atual onda de russofobia mais do que qualquer coisa tem sido uma artimanha novordista para justificar seus próprios fracassos. E não deixa de ser curioso, como certa direita dita conservadora teme tanto o urso do leste, a ponto relevar seus acertos (como a atual cultura de combate ao gayzismo, ao aborto e ao globalismo) enquanto louve as ações dos EUA, ponta de lança da revolução novordista (ao menos até antes de Trump que pode mudar os rumos da coisa).

3. Se tanto a Rússia quanto Assange apesar de atualmente desempenharem papeis admiráveis, estão longe de serem modelos ideais, o mesmo não se pode fizer da Polônia que está marchando em um belíssimo caminho. Segue mais um vídeo em que os polacos reafirmam sua fidelidade a Igreja e oposição aos esquemas ideológicos que atualmente corroem o ocidente:

domingo, 1 de janeiro de 2017

Meus votos para 2017: Seja Autêntico!

Hoje, dia primeiro de janeiro do ano de 2017, dia em que a Igreja celebra a festa da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. São pouco mais que quatro horas no momento em que escrevo estas linhas, meus singelos votos (um tanto quanto atrasados) aos leitores deste humilde BunKer.

Tantos conselhos valorosos já foram escritos, outros nem tanto  e, se você caro leitor cumpriu com seu dever e participou da Missa de preceito, a homília do padre deve ter-lhe oferecido um norte, uma direção para bem viver este ano. Contudo, arrisco ainda a lhe oferecer meu conselho, meu humilde conselho para você (e também para mim afinal, o ouvido mais próximo da minha boca é o meu mesmo) neste ano que se inicia: <Seja autêntico>.

Neste tempo de internet, em que o fenômeno da pose se disseminou tanto, em que muitos sacrificam sua personalidade em prol de um esterótipo, um modelo pré-fabricado de arquétipo grupal, seja o olavette a macaquear seu líder, seja o conservador e sua pose refinada de bom moço, seja o radtrad e o modelo amargurado, o neopagão e sua farsa “de bem com a vida”, ou tantos outros que constam no catálogo internético que o amigo (se me permite tal intimidade) está cansado de observar; que caiam as máscaras! Mesmo que todos ao seu redor encenem seus personagens, que nós tenhamos a coragem de viver e manifestar plenamente a originalidade e individualidade de nossa existência, pois eu e você somos seres únicos e irrepetíveis criados por Deus.

Que não aconteça (como neste belo poema a seguir) que de tanto enganarmos os outros, venhamos enganar à nós mesmos...


E SE UM DIA...

E se um dia uma voz misteriosa
Te dissesse que aquela que julgas
Ser a tua verdadeira face
Não é senão uma linda máscara
Que encobre o defeituoso rosto
Que nunca imaginaste que tinhas?
Receio, irmão, que teu mundo então
Desmoronaria, como um dia
Desmoronou o meu, na turva noite
Em que uma misteriosa voz
Me disse que aquela que julgava
Ser a minha verdadeira face
Não era mais que uma linda máscara
Que encobria o feio e defeituoso
Rosto que jamais imaginara
Eu ser o meu verdadeiro rosto.

[Victor Emanuel Vilela Barbuy, Santo Amaro (São Paulo), 15 de dezembro de 2012.]

Feliz 2017!