quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Pobre Verme


2ª Semana do Advento - Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 41,13-20)
Responsório (Sl 144 (145), 1.9. 10-11. 12-13ab (R. 8))
Evangelho (Mt 11,11-15)

1. É-nos dito hoje na primeira leitura: <Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: “Não temas; eu te ajudarei. Não tenhas medo, Jacó, pobre verme, não temais, homens de Israel. Eu vos ajudarei”, diz o Senhor e Salvador, o Santo de Israel. (Is 41, 13-14)>; é bem essa a condição humana, de um pobre verme, um vermezinho...Somos fracos e limitados, todavia se o Senhor estiver conosco, não temos o que temer, Ele será nossa força, nosso amparo, auxílio e proteção.

2. Já no Evangelho, lemos que o Reino dos Céus é dos violentos: <Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam. (Mt 11, 12)>; esta violência,  esta combatividade cristã não é como a dos maometanos que estão dispostos a matar por sua falsa religião, mas é antes a violência dos santos e mártires que estão dispostos a morrer pela Verdadeira Religião. A violência de moldar a si mesmo, de mortificar as paixões, de abandonar a vida de pecado, e dedicar-se ao Reino com toda inteligência, toda vontade, toda alma, todo coração.

A Fé Cristã não é para molengas!

Mas, se somos vermezinhos, como nos é dito na primeira leitura, de que forma podemos nós viver esta santa violência? Com o auxílio da graça! É Deus que nos tira de nossa mediocridade e faz-nos dignos de seu Reino. Imploremos ao Senhor o dom da Fortaleza.

São João Batista, ora pro nobis!

Devaneios Ferroviários

Phantom Train - Final Fantasy VI
Em algum dos jogos da série Final Fantasy, salvo engano em Final Fantasy VI, há um trem fantasma encarregado de transportar as almas dos mortos até sua morada definitiva. Bonita metáfora, não? Se os gregos tinham Caronte, o barqueiro, a viagem ao outro mundo por meio dos trilhos não me parece menos épica. Todavia, hoje, a ferrovia encontra-se fora de moda, os trilhos que outrora colocaram o Brasil na estrada do progresso são vistos como velharia; aqui onde moro, a antiga estação de trem foi convertida em atração turística, e já desde antes de eu nascer não se escuta mais o apito do maquinista. 

O trem é presença quase que obrigatória nas narrativas steampunk; e porque deveria estar ele ausente de um Brasil arqueofuturista? Apostar todas as fichas no transporte rodoviário não é deveras ingenuidade? Acidentes e mais acidentes, bem como os memoráveis engarrafamentos das metrópoles, não são exemplos do fracasso de tal política? Por que não usar dos trilhos para escoar parte da produção agrícola? Por que não fazer uso deles também para o transporte de pessoas a longas distâncias, em viagens interestaduais? O desenvolvimento das hidrovias não deixaria o país menos interessante, bem como o uso de drones, não? Um cenário magnífico, belo, capaz de encantar as crianças, e inspirar bonitas narrativas. Há, porém os lobbies, as politicagens, a corrupção e blábláblá...; toda aquela chatice que impede as grandes ideias de saírem do papel. Deixemos isso aos políticos e pragmáticos, nós porém, homens de ideias, podemos divagar, sonhar, e confeccionar ferrovias imaginárias, alimentar histórias, contos, narrativas, e quem sabe um dia, um destes figurões acabe por sonhar também, e esculpir na história aquilo que registramos no papel. Enquanto isso não ocorre, continuemos nossos devaneios ao som de Villa-Lobos.


Desta forma, de Final Fantasy a Villa-Lobos, encerro, hoje, estes devaneios, afim de, quem sabe um dia,  retomar o assunto em forma de conto.

Estação Ferroviária - Barretos (SP)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Ensinar e Curar


1ª Semana do Advento - Sábado
Primeira Leitura (Is 30,19-21.23-26)
Responsório (Sl 146 (147) 1-2. 3-4. 5-6 (R. Is 30,18))
Evangelho (Mt 9,35–10,1.6-8)

Lemos hoje no início do Evangelho que: <Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade (Mt 9, 35)>. Ensinar e curar. Posteriormente ao fim Evangelho, Ele envia seus discípulos e dá-lhes a mesma missão: <Por onde andardes, anunciai que o que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai. (Mt 10,7- 8)>. Anunciar o Reino, pregar, ensinar; curar os doentes, purificar os leprosos; expulsar os demônios; esta é, ainda hoje, a tarefa da Igreja. Tantos miseráveis e moribundos, de corpo e alma, necessitam de socorro, de cura; tantos homens confusos que necessitam de ensino, orientação; tantas pobres almas oprimidas pelo poder do demônio, seja pelas possessões, seja pela escravidão do vícios e idolatrias; a messe é grande, mas os operários tão poucos... Rezemos hoje pelas vocações, para que o Senhor envie operários para sua messe, mas pensemos também em como podemos nós contribuir para a missão da Igreja, onde nossos talentos são necessários, que tipo de serviço podemos nós realizar, afim de gratuitamente retribuir aquilo que de graça e pela graça recebemos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "Mais vale procurar refúgio no Senhor"


1ª Semana do Advento - Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 26,1-6)
Responsório (Sl 117 (118) 1.8-9. 19-21. 25-27a (R. 26a))
Evangelho (Mt 7,21.24-27)

Segundo alguns sociólogos, pode-se dizer que vivemos em uma era conhecida como Modernidade Liquida, tudo torna-se tão fluido, frágil, mutável. Quem quer que edifique sua vida, sua casa, sobre o mar da modernidade, há de afundar. Aquele perfeitamente adaptado ao seu tempo hoje, amanhã estará “ultrapassado”. Se o apego ao mundo há de fazer-nos submergir, tanto mais o apego aos poderosos, as ideologias, a César; conforme nos ensina o salmo de hoje: “Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. (Sl 117(118), 8)”; vide o caso da Venezuela onde a confiança nos homens, nas ideologias, faz o povo passar fome, e é Igreja, quem se organiza para lhes dar de comer também o pão material; mais vale, afinal, procurar refúgio no Senhor, o próprio Cristo renova este ensinamento, conforme lemos hoje no Santo Evangelho (Mt 7, 21. 24-27); Ele é a rocha firme, se quisermos manter de pé nossas edificações, nossa vida, nossa sociedade, temos de nos firmar Nele e por em prática a Sua Doutrina. Desta forma, como diz uma frase feliz de um autor infeliz, permaneceremos de pé entre as ruínas, do contrário, faremos nós também parte dos escombros.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Arqueofuturismo, Code Geass, e alguns problemas monárquicos

Em artigo recente, defendi eu a necessidade de uma estética arqueofuturista, afim de que, usando da ficção, pudessem os conservadores e tradicionalistas pensar os impactos futuros da restauração das instituições pretéritas. Todavia, seria um simplismo vulgar e tedioso confinar a ficção a um papel apologia ideológica, mesmo no caso que fosse uma ideologia tradicionalista. Tendo isto em vista, gostaria de tecer alguns comentários a respeito do anime Code Geass.

De um modo inexplicável, o poderoso Império Britânico recupera seu antigo esplendor, estabelecendo um império colonial de proporções globais, onde, tal qual a antiga expressão, o sol nunca se põe. Partindo de um novo conceito da indústria bélica, os kinigthmares, a Britânia reduz o Japão a ruínas, a atual da Área 11, onde se desenvolve a maior parte da trama. Humilhados, impedidos de manifestarem sua identidade, sua cultura, suas tradições, tratados como cidadãos de segunda classe, os “elevens”, combatem em uma guerra suicida contra o Império Britânico usando de táticas terroristas. O arcaísmo da trama, fica por conta da instituição monárquica, dos antigos valores coloniais, enquanto o aspecto futurista é manifesta nas épicas batalhas de megazords knigthmares.

Logo no primeiro episódio, a crítica à nobreza é bem evidente; numa das cenas iniciais, o príncipe Clóvis, após um incidente trágico, faz um emocionante pronunciamento; todavia não passara de encenação, toda a tristeza e emoção do governante eram mera pose, um artificio midiático artificial, gravado em meio a seus divertimentos vulgares. Difamação antimonárquica! - dirão os monarquistas, todavia é uma crítica muito válida. Ao longo da história ocidental, grande parte da nobreza viveu de pose, sendo sua virtude mero teatro, teatro de uma elite vulgar e afeminada, tão desprezível quanto a atual burguesia. Se, uma restauração monárquica é adequada, como evitar o renascimento desta mesma cultura cortesã?

A obra aborda também a questão do nacionalismo: por um lado temos representado o nacionalismo xenófobo brithanians, sobretudo manifesto na radical facção purista liderada pelo general Jerimiah; por outro temos o nacionalismo “do oprimido” dos japoneses-elevens, nacionalismo este que acaba sendo superado por Zero, que se coloca como estando ao lado de todos os oprimidos, “brithanians ou elevens”. Um modo bem interessante de se lidar com o tema, diria eu, um modo feliz, superando as velhas categorias dos tempos passados, o roteirista mostra que embora a expressão das culturas nacionais seja em si um direito dos povos, tal nacionalismo não deve se degenerar em bairrismos, impedindo-os de ver a universalidade da luta na qual se encontram os homens. Marxismo! - dirão outros, pois as categorias nacionais são substituídas pela dicotomia oprimido-opressor.

Voltando ao tema da monarquia, por volta do episódio número 07, durante o funeral de Clóvis vemos um entusiasmado discurso hierárquico por parte do imperador Charles Zi Britannian, quase que uma transcrição de certas ideologias em voga, sobretudo nos meios da Nova Direita Européia. Para Charles, embuído de um perverso darwinismo social, os fracos devem ser eliminados para a evolução do corpo social. Uma verdadeira monstruosidade, e não digo isto partindo de preconceitos anti-hierárquicos, mas baseado na reta doutrina cristã: é certo que o igualitarismo é uma ideologia perversa e problemática, todavia, embora a ordem pressuponha uma hierarquia, esta deve ser vista a partir da perspectiva do serviço, sendo temperada pela caridade. Assim aqueles que estão nas altas hierarquias, o estão para servir e contribuir para o bem comum, respeitando as leis eternas e a dignidade de todos os homens, inclusive os mais fracos e pequeninos.

São estes alguns dos pontos mais interessantes do anime que, todavia, não é uma boa obra. Além do fato de que a perspectiva católica inexiste na narrativa, sendo substituída pelo velho veneno gnóstico, temos personagens pouco trabalhados, o incômodo clichê da escolinha, bem como problemáticos e abundantes mimentos de fan service...

De todo modo, Code Geass tem o mérito de trazer a tona algumas boas reflexões para além do mundo das fadas, sendo um feliz exemplo do paradigma arqueofuturista, que creio eu, ser tão necessário hoje aos tradicionalistas e conservadores.
___________________________________
Notas:
O áudio incorporado neste vídeo foi gravado por Doomentio.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "Glória in excélsis Deo"


33ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Mc 4,36-37.52-59)
Responsório (1Cr 29,10-12)
Evangelho (Lc 19,45-48)

A semana se aproxima de seu fim, de forma que a meditação litúrgica sobre os livro dos Macabeus vai se encaminhando a sua conclusão. Na primeira leitura, vemos que imediatamente após a vitória, os israelitas, liderados pelos irmãos Macabeus, procedem os ritos de purificação do Templo. O local destinado ao culto divino fora profanado pelos pagãos, fazia-se pois, urgente, desagravar tais atos, e reconsagrá-lo ao Deus Altíssimo. No responsório, cantamos louvores a glória e ao poder de Deus, com o auxilio da primeira carta São Paulo aos Coríntios, já, no Santo Evangelho, estamos diante do episódio em que Nosso Senhor Jesus Cristo, manifesta sua santa ira, expulsando os vendilhões do templo.

O zelo para com o templo, o zelo pela glória de Deus, é sobretudo este o ensinamento de hoje. Dias atrás, discutia eu com alguns amigos se, até que a Igreja resolvesse a bagunça ocasionada pelo Vaticano II, poder-se-ia improvisar um placebo político para o Brasil, talvez algum tipo de nacionalismo ou ideologia de Estado; vaidade das vaidades. O Estado é como a Lua, recebe suas luzes do Sol, que é a Igreja, é preciso, pois, que nós católicos, expulsemos do templo os traidores, hereges, modernistas e apóstatas, sem isto, qualquer especulação política está condenada ao fracasso. Aos domingos, cantamos: <Glória in excélsis Deo, Et in terra pax homínibus bonae voluntátis.> ; só haverá paz, verdadeira paz, onde Deus for honrado e glorificado.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Dinheiro e Apostasia


33ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira
Primeira Leitura (1Mc 2,15-29)
Responsório (Sl 49 (50), 1-2. 5-6. 14-15 (R. 23b))
Evangelho - Lc 19,41-44

1. A primeira leitura nos fala hoje do testemunho de Matatias e seus filhos. Assim como ocorreu no trecho que lemos ontem, novamente o tentador faz uso do dinheiro e da promessa de benesses nesta terra, eis o que é dito a Matatias: <Tomando a palavra, os delegados do rei dirigiram-se a Matatias, dizendo: “Tu és um chefe de fama e prestígio na cidade, apoiado por filhos e irmãos. Sê o primeiro a aproximar-te e executa a ordem do rei, como fizeram todas as nações, os homens de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei. E sereis honrados, tu e teus filhos, com prata e ouro e numerosos presentes”. (1Mc 2, 17-18)>. Todavia, Matatias não cai em tais seduções, e responde com coragem: <Com voz forte, Matatias respondeu: “Ainda que todas as nações, incorporadas no império do rei, passem a obedecer-lhe, abandonando a religião de seus antepassados e submetendo-se aos decretos reais, eu, meus filhos e meus irmãos, continuaremos seguindo a aliança de nossos pais. Deus nos guarde de abandonar sua Lei e seus mandamentos. Não atenderemos às ordens do rei e não nos desviaremos de nossa religião nem para a direita nem para a esquerda”. (1Mc 2, 19-22)>, e próximo a fim da leitura escutamos: <Então fugiram, ele e seus filhos, para as montanhas, abandonando tudo o que possuíam na cidade. (1Mc 2, 28) >. Que bom seria, se todos nós, cristãos, tivéssemos a coragem de Matatias, a coragem de desprezar o dinheiro iníquo e desfazer-se dos bens, quando estes se mostram obstáculo a nossa Fé. É triste, porém, que muitos hoje caem nas seduções do dinheiro, que reneguem sua Fé pelo preço de uns trocados e promessa da vanglória neste mundo. Ao invés de usar dos bens que passam para buscar a glória de Deus, usam da Fé para alcançar uns trocados.

2. Assim, como chorou hoje o Evangelho diante de Jerusalém, Cristo também chora por nós, por nossos pecados e nossas infidelidades. Por nossas tamanhas ofensas, nos tornamos inimigos de Deus, e alvos do justo castigo, da cólera divina. Tal como foi profetizado - <Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.(Lc 19, 43-44)> - veio para Jerusalém o tempo do castigo, e foi tamanho o sofrimento daquela cidade. Dia virá em que esta modernidade apóstata também será severamente castigada.

Clamava o anjo em Fátima: “PENITÊNCIA”; é tempo, pois, de penitência, clamemos a misericórdia de Deus, pois logo ele há de manifestar sua Justiça, tal qual lemos no salmo: <Reuni à minha frente os meus eleitos, que selaram a Aliança em sacrifícios!” Testemunha o próprio céu seu julgamento, porque Deus mesmo é juiz e vai julgar. (Sl 49 (50), 5-6)>.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: ''Apodera-se de mim a indignação, vendo que os ímpios abandonam vossa lei''


33ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira
Primeira Leitura (1Mc 1,10-15.41-43.54-57.62-64)
Responsório (Sl 118 (119), 53. 61. 134. 150. 155. 158 (R. Cf.88))
Evangelho (Lc 18,35-43)

1. Esta semana a liturgia nos convida a iniciarmos nossas reflexões partindo do primeiro livro dos Macabeus. No trecho que hoje lemos, vimos que uma aliança iníqua foi a fresta pela qual entrou o veneno da idolatria pagã no povo hebreu. Inicialmente, uma aliança tática, de cunho militar e geopolítico, mas depois vieram as trocas culturais, uma sutil apostasia, até que esta se manifestou descaradamente. Pensemos nisso, sobretudo em nossos dias, em que não faltam propostas de “alianças táticas”, tal qual a proposta de certa direita brasileira, de se aliar com a besta maçônica.

2. Posteriormente, a influencia pagã sobre os hebreus, que se impunha via soft power, acabou por radicalizar em métodos mais duros e brutos, não faltaram covardes apostatas, todavia, o final da leitura nos coloca diante do exemplo daqueles que foram fiéis mesmo diante da perseguição. A historia da Igreja é iluminada pelo exemplo de pessoas assim, homens e mulheres que com sua vida testemunharam a fidelidade ao Evangelho. As falsas religiões, todavia, não tem uma lista de mártires para honrar, estes dias li que o pagão Guillaume Faye, ao visitar a Arábia Saudita, escondeu sua fé idolatra, buscando refugio na Igreja verdadeira, declarando-se, por ocasião da viagem, católico. Pensemos nisto: os filhos da Igreja estão dispostos a derramar seu sangue, afim de testemunhar sua Fé, já os idolatras e hereges...

3. No salmo em perfeita resposta a primeira leitura, cantamos: <Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa Aliança! (Sl 118(119), Cf.88)>; se o católico pode dar testemunho de sua Fé, é pela força e pela graça do Deus verdadeiro. Sem Deus, nada podemos fazer. Rezemos, pois, com o toda a nossa alma:<Vivificai-me, ó Senhor, e guardarei vossa Aliança! (Sl 118(119), Cf.88)>.

4. Ainda no salmo, continuamos a rezar: <Apodera-se de mim a indignação, vendo que os ímpios abandonam vossa lei. (Sl 118(119), 53)>; precisamos nós, filhos da Igreja, nos indignar vendo o abandono das verdades eternas, a apostasia das nações e a degeneração dos costumes, não podemos nos manter neutros, covardes, o zelo pela glória de Deus deve inflamar nosso coração. E continua o salmista, de modo mais radical: <Quando vejo os renegados, sinto nojo, porque foram infiéis à vossa lei. (Sl 118(119), 158)>; peçamos ao Senhor a graça desta radicalidade, a graça de nos enojarmos diante da apostasia.

5. Ressalto mais um trecho do salmo: <Como estão longe de salvar-se os pecadores, pois não procuram, ó Senhor, vossa vontade! (Sl 118(119), 155)>; a salvação não é um direito, mas uma graça, que deve ser procurada, exige de nossa parte esforço, afim de nos apossarmos dela. Aqueles que querem salvar-se, devem buscar a Salvação, e com toda a força, inteligência e vontade, procurar discernir e obedecer a vontade de Deus.

domingo, 19 de novembro de 2017

Arqueofuturismo e a Gangue da Gravata Borboleta

Quase duas décadas após o Manifesto Futurista, em que Tommaso Marinetti exortava o abandono de todas as antigas tradições, numa manifestação iconoclasta quase que histérica, mas sincera, do espirito da modernidade, certo conservadorismo, bem como algum tipo de tradicionalismo vem ganhando espaço no mundo das ideias, devido ao fracasso do projeto moderno. Algumas vezes, porém, esta mentalidade tradicionalista se reveste de caracteres um tanto bizarros, desde a mitificação e folclorização do passado, bem como certo anacronismo vulgar. Se o leitor usa as redes sociais já deve ter se deparado com algumas destas figuras: da gangue da gravata borboleta, passando pelos entusiastas dos suspensórios, aos web amishs. Nesta forma vulgar, a Tradição, perde todo seu aspecto dinâmico, vivificante, transmutando-se numa nostalgia apática, em uma fantasia vulgar.

O passado não vai voltar, mas, isto não significa que ele não possa vir a inspirar o futuro. Teriam os tradicionalistas e conservadores mais sucesso em seus intentos se, ao invés de chorar sobre as ruínas da antiga civilização, lamentando-se do mundo degenerado, mitificando os tempos de outrora, empreendessem esforços para imaginar o mundo futuro, iluminado pelas tradições pretéritas.

Na ficção, existe um subgênero narrativo denominado steampunk, que se propõe a pensar o que seria do passado, se neste, o impacto do desenvolvimento tecnológico fossem tais como hoje. Aquilo do qual precisamos, é mais ou menos o contrário, precisamos pensar o futuro sob a ótica do passado, uma espécie de regressismo progressista, ou nos termos de Guillaume Faye, arqueofuturismo[1]. Exemplifiquemos: Que tal imaginar os Estados Pontifícios e uma nova Idade Média, hoje com celulares, internet e televisão? Uma nova cruzada com o uso de tanques de guerra e submetralhadoras? E o feudalismo em tempos de drones e maquinário agrícola de precisão? Como seria uma monarquia tradicional estabelecida em uma cidade cosmopolita tal qual São Paulo ou Nova York? De que modo as instituições do passado, caso fossem restauradas, vão interagir com as inovações,  aparatos tecnológicos, e a psicologia do presente? E com aquilo que esperamos para o futuro?

Não nos ensina a história, que antes de se transmutar em ação, algo deve tornar-se possível e coerente, através da ficção? Se tudo que os tradicionalistas têm a oferecer ao mundo é uma nostalgia ranheta, estão condenados a insignificância das fofocas de Facebook. Mas, se conseguirem com as luzes da tradição, fazer-nos antever um futuro luminoso, talvez aí assim, as pessoas passem a levá-los a sério.

Por mais degenerados que sejam os porcos revolucionários, ao menos uma coisa eles não perderam, a capacidade de sonhar? E nós?

Notas:
[1] Faye é um pagão com a mente cheia de ideias perversas, entretanto, teve o mérito de cunhar o termo arqueofuturismo; todavia, o uso que faço deste é uma interpretação própria, pouco apegada a qualquer fidelidade para com o autor.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus


32ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (Sb 13,1-9)
Responsório (Sl 18 (19),2-3. 4-5 (R. 2a))
Evangelho (Lc 17,26-37)

1. Atualmente é moda falar de uma suposta sabedoria pagã tradicional, pois, hoje, o próprio livro da Sabedoria , manifesta-se repreendendo severamente os pagãos: <São insensatos por natureza todos os homens que ignoram a Deus, os que, partindo dos bens visíveis, não foram capazes de conhecer aquele que é; nem tampouco, pela consideração das obras, chegaram a reconhecer o Artífice. Tomaram por deuses, por governadores do mundo, o fogo e o vento, o ar fugidio, o giro das estrelas, a água impetuosa, os luzeiros do dia. (Sb 13, 1-2)>.

Ou seja, o que temos na verdade temos uma tolice pagã. Tolos, néscios, insensatos, desde os animistas de ontem, aos idolatras de hoje, tais quais a dita  "nova direita europeia", seguidores das doutrinas de Julius Evola e Alain, bem como os babaquinhas Nova Era, passando até aos modernos mundanos que divinizam o sexo e dinheiro.

2. No Evangelho, Cristo nos recorda o episódio da mulher de Ló. Na ocasião da destruição de Sodoma e Gomorra, quando Ló e seus familiares fugiam avisados pelo anjo, a esposa de Ló com o coração apegado aos bens daquela cidade, a sua vida de outrora, olhou para trás, e fora transformada em uma estátua de sal. Tal episódio está descrito em Gn 19, 1-26 .Não devemos, pois, repetir esta cena em nossas vidas; é preciso que nos desapeguemos deste mundo que passa sem olhar para trás! Todavia, isso não significa que todos nós devamos virar eremitas. O Evangelho prossegue com o exemplo de homens e mulheres exercendo atividades semelhantes: dormir, moer, trabalhar no campo, no entanto um é levado e outro deixado; é um modo de mostrar que o desapego é uma virtude inicialmente interior. Materialmente, estes homens e mulheres usavam dos bens deste mundo de forma semelhante, todavia, a atitude interior era diferente, enquanto alguns vivam acostumados com estas terras, outros viviam como peregrinos, com o coração voltado ao céu, e portanto foram levados, enquanto os demais, deixados para trás.

Precisamos, sobretudo nós leigos, aprender a viver este desapego "no mundo".

Santa Isabel da Hungria, rogai por nós!
São Josemaria Escrivá, rogai por nós!
Viva Cristo Rei!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "O poder vos foi dado pelo Senhor"


32ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (Sb 6,1-11)
Responsório (Sl 81 (82), 3-4. 6-7 (8a))
Evangelho (Lc 17,11-19)

A liturgia deste dia de hoje é tão harmônica que parece ter sido escolhida providencialmente para iluminar nossa pátria. Ainda meditando sobre o livro da Sabedoria, lemos o seguinte: <Prestai atenção, vós que dominais as multidões e vos orgulhais do número de vossos súditos. Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; apesar de estardes ao serviço do seu reino, não julgastes com retidão, nem observastes a Lei, nem procedestes conforme a vontade de Deus. Por isso, ele cairá de repente sobre vós, de modo terrível, porque um julgamento implacável será feito sobre os poderosos. (Sb 6, 2-5)>; no dia de hoje lembramos a Proclamação da República, república esta que veio como um castigo à Dom Pedro II. O antigo imperador do Brasil, em seu reinado, aliou-se com a besta maçônica, tomando parte na perseguição aos Bispos do Brasil, levando a cativeiro o heroico Dom Vital. A república foi, pois, um castigo, o castigo a este homem que era sábio aos olhos dos homens, mas néscio aos olhos de Deus. 

Infelizmente, o pecado dos maus acaba por ecoar sobre os justos, e Isabel, a católica, viu-se separada do trono, pelo pecado de seu pai.

O mesmo trecho, porém, condena severamente esta república maçônica, que tal como a monarquia de Dom Pedro, está longe de agradar a Deus. Nossa constituição diz que todo o poder emana do povo, uma tolice sem tamanho, eis, pois, o que diz a Escritura: <Pois o poder vos foi dado pelo Senhor e a soberania, pelo Altíssimo. É ele quem examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções; (Sb 6, 3)>. O poder vem de Deus e não do povo, nenhuma maioria "democrática" tem permissão para ir contra as leis eternas, basta lembramo-nos do episódio do Dilúvio.

Em resposta a primeira leitura, rezamos com o salmo: <Levantai-vos, ó Senhor, julgai a terra! (Sl 81 (82), 8a)>, façamos deste o sincero pedido de nosso coração, que o Senhor venha libertar os oprimidos, julgar os poderosos, e reduzir a pó todos aqueles que conspiram contra sua lei.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Morte, Sofrimento e Esquecimento


32ª Semana do Tempo Comum - Terça-feira
Primeira Leitura (Sb 2,23–3,9)
 Responsório  (Sl 33 (34),2-3. 16-17. 18-19 (R. 2a))
Evangelho - (Lc 17,7-10)

Hoje a primeira leitura da a resposta a um dramas que sempre atormentaram a humanidade e intrigaram os filósofos: o porquê da morte e do sofrimento. A morte é consequência do pecado, que entrou no mundo pela inveja do demônio com a cumplicidade Adão e Eva. Por conta deste pecado original toda humanidade é culpada de um crime tamanho, somos todos pecadores, bandidos, marginais, imundos. Mas, Deus em sua Infinita Misericórdia ofereceu aos homens a aliança, e por meio de seu Divino Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, foi-nos aberta a porta do céu. Mas, não nos enganemos, ninguém de nós têm "direito ao paraíso", como nos ensina o Evangelho somos todos servos inúteis; a Salvação é pura graça de Deus. Mas, a graça age na natureza, e exige uma resposta de nossa parte. Nada de impuro entra no céu, desta forma, temos de nos penitenciar por nossos pecados, para que a Salvação que nos foi oferecida em Cristo, seja-nos aplicada. Desta forma, o sofrimento dos "bons", tem sentido o sentido de prova e purificação, como nos ensina ainda a primeira leitura: <(...) tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus os pôs à prova e os achou dignos de si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; (Sb 2, 6-7)>. Todavia, é um sofrimento passageiro, leves correções que não tem comparação aos glórias reservadas aos eleitos no Reino dos Céus.

E quanto aos maus, os impios e impenitentes? A resposta nos foi dada pelo salmista: <O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. (Sl 33 (34), 17)>; a lembrança dos maus, sua vida de maldade e impiedade será apagada. Lembro-me eu de um antigo poema de Percy Bysshe Shelley a este respeito:
Ozymandias

Eu encontrei um viajante de uma terra antiga
Que disse:—Duas gigantescas pernas de pedra sem torso
Erguem-se no deserto. Perto delas na areia,
Meio afundada, jaz um rosto partido, cuja expressão
E lábios franzidos e escárnio de frieza no comando
Dizem que seu escultor bem aquelas paixões leu
Que ainda sobrevivem, estampadas nessas partes sem vida,
A mão que os zombava e o coração que os alimentava.
E no pedestal estas palavras aparecem:
"Meu nome é Ozymandias, rei dos reis:
Contemplem minhas obras, ó poderosos, e desesperai-vos!"
Nada resta: junto à decadência
Das ruínas colossais, ilimitadas e nuas
As areias solitárias e inacabáveis estendem-se à distância.
O mal é passageiro, efêmero. O bem se eterniza em Deus.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!
Viva Cristo Rei!

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Sabedoria (I)


32ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira
Primeira Leitura (Sb 1,1-7)
Responsório (Sl 138 (139),1-3. 4-6. 7-8. 9-10 (R. 24b))
Evangelho (Lc 17,1-6)

Ontem, na Santa Missa lemos o livro da Sabedoria (Sb 6, 12-16), nos foi dito que a própria sabedoria de Deus sai a procura daqueles que a merecem. Que diferença, não? Os pagãos têm que perseguir a sabedoria, como fez Sócrates, que por um hérculo esforço da razão, conseguiu deduzir o monoteísmo. Para os fiéis, por sua vez, ela é revelada, vem ao encontro. Deus não esperou o homem especular que ele era o único Deus eterno e imortal, ele mesmo revelou-se, tomou a iniciativa. Nesta semana, continuaremos a ler o livro da Sabedoria. Hoje na primeira leitura é-nos dito que: <Pois os pensamentos perversos afastam de Deus; e seu poder, posto à prova, confunde os insensatos. A Sabedoria não entra numa alma que trama o mal nem mora num corpo sujeito ao pecado. (Sb 1,3-4) >;  é exatamente assim que ocorre, o pecado emburrece. Não importa quantos títulos universitários tenha, quantos livros lê, se chafurdar no pecado vai ser sempre um bobalhão. Não atoa, que está cheio de leigos bem catequizados que dão uma surra em professores universitários com pós-doutorado das galáxias.

Quer ser sábio? Seja cristão católico, busque a santidade. Pois a Sabedoria é um dom de Deus, um dos Sete Dons do Espírito Santo.

Que nossa Senhora da Sabedoria interceda por nós, afim de compreendermos as maravilhas do Senhor.

São Josemaria Escrivá e o Vaticano II

Gosto muito das obras de São Josemaria Escrivá, seu estilo breve direto e assertivo, expresso sobretudo em na trilogia ''Caminho – Sulco – Forja'', tem sido um grande remédio para muitas almas, principalmente no laicato. Além de seus escritos, Escrivá é conhecido por seu papel como fundador do Opus Dei, organização tachada de ultraconservadora e alvo de difamação por parte de muitos dos inimigos da Igreja, sendo o filme “O Código da Vinci” um dos exemplos mais lembrados desta campanha difamatória. Durante a Guerra Civil Espanhola, a "obra" também desempenhou um importante papel no apoio ao regime do General Francisco Franco, governante católico que muito favoreceu a Igreja, e lutou com tenacidade contra a peste comunista.

Todavia, hoje, a Opus Dei é vista com desconfiança por muitos tradicionalistas, que a acusam de ter-se tornado o principal reduto neocon, por suas conexões com liberalismo e o grande capital, bem como por seu apoio intransigente ao problemático Concílio Vaticano II, o que leva à muitos ao ponto de questionar a validade da canonização do Padre Escrivá.

Encontrei ontem um interessante artigo assinado por Pedro Rizo, em que revela ardorosas críticas de São Josemaria ao Vaticano II:
«Debéis siempre estar alerta: vigilate et orate, siempre serenos, con la alegría, la paz y la valentía del que está en la rectitud. No podemos callar, porque esta Madre nuestra, la Iglesia Santa de Dios, es y será – aunque pasen los años – menor de edad; y necesita que sus hijos la defiendan veritatem facientes in caritate: viviendo la verdad en la caridad, yo he escrito al Santo Padre tres veces, y una cuarta hoy, porque es necesario quitarse el cieno de encima.» (Carta de San Josemaría en EF-651002-1 con respecto a los errores doctrinales tras el Concilio Vaticano II)

«Hijas mías, vengo a deciros que la Iglesia va muy mal, va al desastre. Lo que os digo es que pidáis por la Iglesia, porque está muy mal. Este Concilio es el concilio del diablo.» (Tertulia)

«Es tiempo de deslealtad, de traición, de herejía. Y las herejías salen de las bocas que deberían decir la verdad; gentes que habían de dar testimonio de la fe y dan testimonio de la duda; personas que deberían ser fortaleza para los demás y son debilidad; almas que, según el Evangelio, tendrían que ser sal de la tierra, y son corrupción del mundo.» (Carta 1969)

«Se están causando voluntariamente heridas en su Cuerpo [místico, la Iglesia], que va a ser muy difícil restañar. Nos dirigimos a la Trinidad Beatísima, Dios Uno y Trino, para que se digne acortar cuanto antes esta época de prueba. Lo suplicamos por la mediación del Corazón Dulcísimo de María; por la intercesión de San José, nuestro Padre y Señor, Patrono de la Iglesia universal, a quien tanto amamos y veneramos; por la intercesión de todos los Ángeles y Santos, cuyo culto algunos intentan extirpar de la Iglesia Santa.» (Campanadas)

«[…] La Santa Misa es el centro y la raíz de nuestra vida interior, es el momento supremo para adorar, para romper en acción de gracias, para invocar, para desagraviar. Algunos se afanan todo lo posible por arrancar, del dogma, la certeza de esa renovación incruenta del Sacrificio divino del Calvario.¡Razón de más para que nosotros cuidemos con especial tesón vivir la Misa bien identificados con Cristo Señor Nuestro, que es el Sacerdote principal y la Víctima!» (Campanadas)

«[Hay] almas que abandonan las prácticas religiosas porque ahora se difunde impunemente propaganda de toda clase de falsedades, y resulta en cambio muy difícil defender la ortodoxia sin ser tachados — dentro de la misma Iglesia, esto es lo más triste — de extremistas o exagerados. Se desprecia, hijos míos, a los que quieren permanecer constantes en la fe, y se alaba a los apóstatas y a los herejes, escandalizando a las almas sencillas que se sienten confundidas y turbadas.» (Campanadas)

«No olvidéis el particular empeño que pone en estos tiempos el demonio, para lograr que los fieles se separen de la fe y de las buenas costumbres cristianas, procurando que pierdan hasta el sentido del pecado con un falso ecumenismo como excusa.Deseamos, tanto como el que más lo desee, la unión de los cristianos: y aun la de todos los que, de alguna manera, buscan a Dios. Pero la realidad demuestra que en esos conciliábulos, unos afirman que sí y —sobre el mismo tema— otros lo contrario. Cuando —a pesar de esto— aseguran que van de acuerdo, lo único cierto es que todos se equivocan. Y de esa comedia, con la que mutuamente se engañan, lo menos malo que suele producirse es la indiferencia: un triste estado de ánimo, en el que no se nota inclinación por la verdad, ni repugnancia por la mentira.» (Carta del 14 de febrero de 1974)

«En la fidelidad a la tradición católica de nuestro pueblo se encontrará siempre, junto con la bendición divina para las personas constituidas en autoridad, la mejor garantía de acierto en los actos de gobierno, y en la seguridad de una justa y duradera paz en el seno de la comunidad nacional.» (Carta al Generalísimo Franco, 23-V-1958)

«Nos sentimos obligados a resistir a estos nuevo modernistas – progresistas se llaman ellos mismos, cuando de hecho son retrógrados que tratan de resucitar las herejías de los tiempos pasados -, que ponen todo en discusión desde el punto de vista exegético, histórico, dogmático, defendiendo opiniones erróneas que tocan las verdades fundamentales de la fe, sin que nadie con autoridad pública [el Papa] pare y condene reciamente sus propagandas.» (Carta, 28-III-1973)

«De ahí que la que verdaderamente es y se llama (Iglesia) Católica, debe juntamente brillar por las prerrogativas de la unidad, de la santidad y de la sucesión apostólica. Es, insisto, la enseñanza tradicional de la Iglesia, aunque en estos últimos años algunos lo olviden, llevados por un falso ecumenismo tras el Concilio Vaticano II.» (De Lealtad a la Iglesia, homilía 4-VI-1972)

«Yo obedezco rendidamente en todo lo que han dispuesto para la celebración de la nueva Misa, pero echo de menos tantas rúbricas de piedad y de amor que se han quitado: por ejemplo, el beso a la patena, en el que se ponía tanto amor – para que Él se lo encontrara. Pero hemos de saber obedecer viendo la mano de Dios, y tratando al Señor con delicadeza... ¡No le robemos nada de tiempo con este asunto... Pero guardad los misales y los ornamentos, porque volverá la misa de toda la vida, la de San Pío V!» (Carta a los sacerdotes, 1968)

«Si se le quita la Transustanciación a la Misa... Esta palabra es de una importancia capital, porque al suprimirla se omite la presencia real y deja, por tanto, de haber víctima. ¡No dejes de emplear esa palabra! ¡Transubstanciación! Los niños no la entenderán y tú tampoco, pero no importa: ¡Empléala! ¡Empléala! No sólo molesta a los nuevos herejes... Al que molesta mucho más es al demonio.» (Tertulia 16-VI-1971)

«Hay, por desgracia, toda una fauna inquieta que está creciendo en esta nueva época a la sombra de la falta de autoridad y de la falta de convicciones, y al amparo de algunos gobernantes [obviamente de la Iglesia], que no se han atrevido a frenar públicamente a quienes causaban tantos destrozos en la viña del Señor.» (Carta 14-II-1974)

«(...) no os dejéis desanimar por doctrinas diversas y extrañas; lo que importa sobre todo es fortalecer el corazón con la gracia de Jesucristo. (Hebr. 13, 9) – Somos los elegidos para iniciar la conversión de la Iglesia, hoy en manos del demonio, que la pudre por dentro -.» (Crónica)

O estilo, sem duvida, lembra e muito o de Escrivá. O texto de Rizo ainda acusa a atual direção da opus de manipular a história da obra afim de agradar os atuais dirigentes do clero; bem como aponta uma curiosa manobra judicial realizada afim de impedir uma maior investigação sobre o assunto:
El origen de los párrafos no está suficientemente expresado a causa de “las medidas cautelares de la magistrada Dña. Olga Martín Alonso, del Juzgado nº 10 de lo Mercantil, de Madrid”, que dificultan acceder a mayor detalle. Pero sí me ha sido confirmada la veracidad de cada uno de los párrafos que incluyo en este post. Casi todos proceden de cartas del santo fundador a los socios de su Obra, llamadas por ellos “Campanadas”. En particular las de marzo de 1973 y febrero de 1974.

Misterioso, não?

domingo, 12 de novembro de 2017

[Crítica] Pão Divino

Assisti ontem Pão Divino, uma co-produção da TV Século XXI sobre a vida do mártir São Tarcísio. É uma obra curiosa, de certa forma, cheia de boas intenções, mas o resultado não foi lá essas coisas, na verdade se abstrair todo o contexto em que foi feito o filme é péssimo. Antes de resmungar do filme, falemos do contexto, bom em primeiro lugar é um filme nacional, e por mais ufanista que venha a ser o leitor, convenhamos, o cinema nacional é ruim; salvo Tropa de Elite, não consigo lembrar nenhum filme nacional[1] que realmente tenha gostado. Em segundo lugar é um filme de baixo orçamento, uma produção quase que paroquial, onde os próprios fiéis ficaram responsáveis pela atuação. Do ponto de vista participativo deve ter sido uma experiência interessante na dinâmica da comunidade, porém o resultado artístico foi terrível.

Qualidade técnica ruim, atuação ruim, ao menos o roteiro, é bom? Nem isso. O drama do martírio foi mal explorado, os personagens pouco trabalhados, os diálogos profundamente rasos e superficiais. Pra não dizer que tudo é ruim, a trilha sonora tem uma composição belíssima, repito UMA, de resto...

Enfim é muito positivo que os católicos brasileiros se atentem as dinâmicas culturais, que invistam em manifestar e propagar sua fé através do cinema, também é compreensível que um filme de baixo orçamento tenha suas limitações, que um diretor principiante cometa seus erros; mas o espectador comum não costuma ser muito compassivo, o que ele quer é um bom filme e não desculpas. Deste modo, preciso ser sincero: "Teria sido melhor ir ver o Pelé" . 



[1] Para ser justo, "Dois Coelhos" e "Batismo de Sangue" são duas produções nacionais com uma qualidade técnica e artística admirável. Todavia, a mensagem que transmitem não é boa, o primeiro uma mensagem mundana, o segundo  é uma ode a teologia da libertação.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Água que jorra do Templo


31ª Semana do Tempo Comum - Quinta-feira | Dedicação da Basílica do Latrão 
Primeira Leitura (Ez 47,1-2.8-9.12)
Responsório (Sl 45(46),2-3.5-6.8-9 (R. 5))
Evangelho (Jo 2,13-22)

Na primeira leitura ouvimos a visão do profeta Ezequiel a respeito do rio de águas vivas que jorra do Templo. Água viva, água que nutre o solo e faz em seu entorno crescer árvores frondosas e frutuosas. Há toda uma explicação teológica para esta visão, a água é a graça, as árvores os justos que dela se alimentam, o Templo, o próprio Cristo, lembremo-nos que ele mesmo o disse e, ao quando a lança transpassou-lhe o lado, saiu Sangue e Água.

Mas, sem negar um iota das explicações teológicas, pensemos também sobre o ponto de vista sociológico. Sociológico? Sim, do ponto de vista sociológico, desta água que jorra do Templo, da Igreja, da Igreja de Deus, a Santa Igreja Católica, quantos frutos e árvores frondosas, não? No entorno da Igreja nasceram os hospitais, escolas e universidades. Onde é construída, fundada uma Paróquia, podemos ver visivelmente o crescimento da região, um cuidado maior para com os pobres e abandonados, uma nova civilidade e vitalidade.

Um rio de graças jorra do templo, deste rio, uma torrente de graças inunda a terra, manifestando-se hora de forma visível ora invisível, com benefícios para as almas, bem como para a microrregião, a sociedade e os arredores.

Neste dia,em que a Igreja Universal lembra a mãe de todas as Igrejas, a Basílica Latrão, agradecemos a Deus por suas belezas e maravilhas, e não tenhamos vergonha de dizer: Senhor, quão bonita é Tua casa.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Digidramas – Sobre Digimon Tri

Pouco depois de escrever sobe a “A Complexidade Psicologico-Simbólica de Digimon”, resolvi revisitar a infância reassistindo a série clássica Digimon Adventure; uma experiência extremamente agradável. Como afirmei no texto anterior, Digimon é um verdadeiro conto de fadas moderno, uma obra prima do entretenimento japonês, um riquíssimo compêndio simbólico. Terminada esta reminiscência, resolvi dar uma chance para a mais nova aventura dos digescolhidos, Digimon Adventure Tri. Já estava inteirado sobre a existência da série há algum tempo, todavia não estava muito motivado a “profanar” as velhas lembranças, sobretudo por algumas más impressões que tive ao consultar a crítica especializada, entretanto, acabei dando o braço a torcer, e qual não têm sido minha surpresa com Digimon Adventure Tri e sua profundidade existencial.

Digimon Adventure Tri destaca-se para além da nostalgia, investindo em uma forte carga dramática. Direcionada a um público hoje já adulto, a nova narrativa não teme arriscar. Anos se passaram desde a primeira aventura, e as antigas crianças, hoje estão entrando ao mundo adulto, estamos diante do drama da maturidade; é uma experiência única do expectador comparar as transformações e o crescimento dos personagens, com o próprio crescimento, nestes anos todos não só as crianças escolhidas mudaram profundamente, mas também aquela antiga criança de outrora que se divertia acompanhando religiosamente as aventuras dos digimons na então TV Globinho

O ritmo da trama porém é lenta, o roteiro se delonga na construção e apresentação dos personagens; passei eu 9 episódios maldizendo o roteirista por ter estragado o personagem Takeru/T.K. até que, uma vez manifesta a intenção do autor, aplaudi de pé a genialidade para com o mesmo personagem. Algo parecido se deu com a personagem Mimi, comentava com um amigo “Mimi entrou na federal”; era uma personagem tão simpática capaz de apaixonar o público infantil de outrora e, tornou-se agora na adolescência uma “vadiazinha”. Todavia, mesmo a versão "periguete" da personagem mostra-se algo mais que mera perversão japonesa de um roteirista tarado, mas um detalhe cuidadosamente elaborado para o aprofundamento da trama.

No momento em que escrevo estas linhas, assisti até o episódio 11, há atualmente 21 episódios disponíveis, faltando, suponho eu, pouco mais que 5 para a finalização da obra, que deve ocorrer em janeiro de 2018. Os produtores tem aproveitado e muito bem o material que tem em mãos, todavia, até o último episódio segue o risco: Digimon Adventure Tri será o opus magnum da milionária e amada franquia digital monsters ou o fiasco que culminará no enterro definitivo do digimundo? Dentro de pouco tempo teremos a resposta...

P.S. – Digimon é melhor que Pokémon.

domingo, 5 de novembro de 2017

[Crítica] O Conclave - Malachi Martin

Quando se fala em Malachi Martin, logo vem a mente do leitor seu status de “inside information”; quase como um Julian Assange Católico, Martin coloca o leitor na posse de graves e sigilosas informações. Entretanto, para além de seu papel na geopolítica eclesial, o ex-secretário do Cardeal Bea mostra-se um exímio escritor e um dos mais talentosos ficcionistas a trabalhar temas eclesiásticos.

Lia eu recentemente a obra ''O Conclave'', publicada pela editora adventista Novo Tempo. Os protestantes, como de costume, não são capazes de ver um palmo a sua frente, tentando equiparar Malachi Martin à um novo Lutero, pronto a denunciar os envolvimentos escusos do Vaticano; não me atentei ao nome do imbecil responsável por tais comentários; manifestação pública de seu analfabetismo e a total incapacidade de compreender o leu, se é que leu, mas enfim...Não é o câncer protestante que pretendo discorrer aqui e nem sobre a curiosa e polêmica vida de Malachi Martin, tão interessante e misteriosa quanto seus romances, portanto, voltemos ao livro.

O Conclave se inicia com uma análise do pontificado de Paulo VI e as mudanças profundas derivadas do Vaticano II, a fim de localizar o leitor, até que, somos inseridos dentro do conclave destinado a eleger o próximo sucessor de Pedro. É dentro do conclave onde a narrativa se desenvolve, onde pela boca dos cardeais, somos colocados diante dos principais partidos eclesiásticos, suas esperanças, planos e pecados. Da aberração ecumênica novordista do Cardeal Thule, disposto a destruir tudo o que há de católico na Igreja em nome de um ecumenismo insano; passando pelo marxismo do Cardeal Franzus, defendendo uma Igreja aliada ao Comunismo; temos também um conservadorismo de um Partido da Cúria adepto das mudanças lentas graduais; indo até o Tradicionalismo de Vassari em busca da restauração de antigos poderes; mas, quem rouba a cena é o radicalismo e genialidade do Cardeal Domenico. E ao final, mais do que o mero relato histórico, somos postos diante do exímio talento literário do autor, bem como uma visão eclesial capaz de irritar esquerdas e direitas, bem como perturbar o leitor; convidando-o a perder noites de sono diante a pensar sobre tal epílogo.

Aos fiéis católicos, sobretudo aqueles já “iniciados” aos labirintos do jogo político intra-eclesial e apreciadores de boa literatura, “O Conclave” se mostrará, ainda hoje, passados mais 30 anos de sua redação, uma complexa, intrigante e envolvente narrativa, onde fatos se misturam a ficção, levando a uma conclusão política e teologicamente desafiadora. Para o leitor vulgar, porém, será tal qual foi para o comentarista protestante apenas uma denúncia dos escusos negócios vaticanos...

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Origens do Moderno Judaísmo


O judaísmo foi uma religião fundada a partir de derivativos da escola teológica dos fariseus - a escola dos saduceus, cuja teologia dependia irremediavelmente do Templo e do organograma a ele conexo, veio a soçobrar - após a destruição do Segundo Templo.

O que existia desde Abraão até a Paixão e Morte de Nosso Senhor não era o judaísmo, mas sim a mesma religião católica num estágio primitivo de desenvolvimento.

Até mesmo para fazer essa distinção ora necessária, além de buscar o melhor zelo pela correção historiográfica e teológica, é conveniente não usar o já descaracterizado e polissêmico termo judeu, mas em vez disso preferir o termo hebreu ou israelita. Entre os hebreus/israelitas, aqueles que reconheceram Jesus de Nazaré como o Messias tornaram-se católicos: aqueles que o recusaram se tornaram judeus. Assim sendo, é pelo menos altamente aconselhável fazer uso do termo judeu somente quando se tenciona mencionar os (reais e/ou presumíveis) descendentes carnais do patriarca bíblico Jacó ou os adeptos do judaísmo.

Elaboremos melhor:

I- a religião israelita, aquela que conhecemos sobretudo pelas Sagradas Letras veterotestamentárias, é apenas protocatolicismo.

II- a seu turno, a Igreja Católica é a plenitude da religião israelita com a substituição da obsoleta e corruptível Cátedra de Moisés, arruinada pelo espírito farisaico, pela infalível e indestrutível Cátedra de São Pedro.

III- já o judaísmo é um desvio da religião israelita que tem seu PRÓDROMO nas tradições confidenciais (e até iniciáticas) dos sábios hebreus (sobretudo dos fariseus), tem sua ORIGEM REMOTA no rasgar do véu do Templo no momento da expiração de Nosso Senhor, tem sua ORIGEM PRÓXIMA na destruição do Segundo Templo, seu FUNDADOR na pessoa do erudito Yochanan ben Zakai e sua PRIMEIRA CODIFICAÇÃO ESTÁVEL no Talmud.

#Victor Fernandes

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Pérfida Doutrina de Lutero e sua íntima relação com o Demônio

Neste dia de hoje, comemoram alguns os 500 anos da Reforma Protestante. A versão oficial do conto de fadas, digo da história, é de que um virtuoso monge se rebelara contra os abusos de uma Igreja corrupta e autoritária. Lutero seria quase que um santo, um novo Moisés a libertar os cristãos da "Babilônia Papista", é o que dizem seus filhos espirituais, divididos em milhares de seitas cada qual mais bizarra que a outra. Entretanto, a vida e doutrina de tal “herói” permanecem quase que um segredo esotérico para seus herdeiros espirituais. Porque afinal, não examinam os protestantes seus escritos e sua biografia? Talvez por medo de verem destruídas suas ilusões infantis, e enxergarem por traz do simpático reformador, um porco nojento, apóstata e degenerado.

Vejamos, pois, alguns dos lampejos de genialidade e “piedade” do pai do protestantismo:

Eis aqui a lei de Lutero: “Todo o homem deve ter a sua mulher e toda mulher deve ter o seu marido” (Weimar. Vol.20 pág.276)

Ele admite umas exceções, mas estas são feitas por Deus e são ADMIRÁVEIS e ninguém pode pretender a um tal milagre.

Quereis agora saber como Lutero, o reformador enviado pro Deus, no conceito protestante, considera a mulher? Lede o seguinte tópico de uma das suas cartas: “O corpo das mulheres não é forte, e a sua alma é ainda mais fraca, no sentido comum.

Assim lê um assunto sem importância que o Senhor coloque uma selvagem ou civilizada ao nosso lado. A mulher lê meio criança. Aquele que toma uma mulher deveria considerar-se como o guarda de uma criança... ela é semelhante a um ANIMAL CAPRICHOSO (ein tolles tier). Reconhecei a sua fraqueza. Se nem sempre passeia por caminhos direitos, guiai a sua fraqueza. Uma mulher permanece eternamente mulher” (Weimar – Vol. XV. p. 420).

Eis uma pequena amostra de suas idéias neste assunto.

Muitas outras passagens há em seus escritos, porém vergonhosas demais, para serem citadas em público.

É conhecida a licença dada por Lutero ao Landgrave de Hesse, para ter duas mulheres ao mesmo tempo.

O reformador dá-lhe a licença pedida, exigindo segredo, porque, diz ele, “... a seita protestante é pobre e miserável, e precisa de justos legisladores” (De Wette vol. V – pg. 237).

O direito de possuir muitas mulheres era abertamente pregado por Lutero: “Não é proibido ter o homem mais de uma mulher. Hoje eu não poderia proibir isto” (Erlangen vol. 33 – pág. 324).

“Confesso”, diz ele ainda, “que se um homem deseja casar com muitas mulheres, eu não posso proibir isto, pois não é oposto à S. Escritura” (Ego sane fateor me non posse prohibere, si quis plures uxores velit ducere, nec repugnat sacris litteris) – (De Wette vol. II p. 459).
Com tais princípios a porta da poligamia estava escancarada e cada qual, transpondo-a, podia trilhar o caminho da animalidade.

O Landgrave de Hesse o compreendeu muito bem e melhor ainda o aplicou: “Se é justo em consciência perante Deus”, disse ele, “que me importa o mundo amaldiçoado?”.

O adultério, com o consentimento do marido, é também expressamente sancionado pelo reformador, quando do casamento não resultar família.
A criança, assim gerada, diz ele, deve atribuir-se ao marido legal (Weimar vol II. P. 558).

Conservar uma amásia também é fortemente recomendado àqueles que por votos se devem conformar com a lei do celibato.

O moralista da lama escreve sobre os transgressores das leis matrimoniais: “Deixemos que casem secretamente com a sua cozinheira” (Landerbach: Tagebuch, p. 198)

Aos membros da Ordem Teutônica (cavaleiros seculares) a quem era imposto o celibato pela lei da cavalaria daquele tempo, e que pensavam em pedir dispensa desta ao Concílio (o que lhes era permitido, pois eram seculares), ele escreveu assim: “Eu preferia confiar na graça de Deus com relação àquele que tem duas ou três concubinas a confiar em quem possui uma esposa legal com o consentimento do Concílio” (Weimar. Vol. XII p.237)

Quando ao que o apóstata diz da esposa que recusas a sua obrigação, lê vergonhoso citar as palavras do inflame moralista. Ele escreve: “Se a mulher não quiser, deixemos vir a criada. O marido tem somente que deixar ir Vasti e tomar uma Ester, como o rei Assuero” (Ibid. Vol. X. p.290) “E se a esposa reclamar, o marido deve responder à admoestação: Vá para o diabo” (Ibid. vol III. P. 222).

Passagens tais são abundantes nos escritos do reformador.

Apesar de bastante repelentes, convinha citar estas, para mostrar a verdadeira fisionomia do libertino Lutero, o homem que os protestantes dizem divinamente apontado por Deus para a missão de reformar a Igreja Católica.

Às vezes, de acordo com as necessidades, Lutero tem passagens diametralmente opostas a estas aqui mencionadas; é o resto da sua herança católica. O que está aqui expresso é dele e só dele; é a sua doutrina reformada – é o seu evangelho.

Poderá uma senhora protestante simpatizar com este seu fundador e modelo que trata tão mal e desrespeitada de modo tão claro a fama e o pudor da mulher?...

É simplesmente infamante e horrendo, baixo e vil o conceito de Lutero sobre as mulheres que garante serem todas impuras e pecaminosas (Erleangen vol. II pág. 66).

Pobres protestantes, é para cobrirdes o rosto de pejo, diante de um tal pai...

Suponho que não sois bons protestantes, porquanto, se o fosseis, seguiríeis o exemplo de vosso pai... e não acredito que o façais.

Prefiro supor-vos maus protestantes, para vos poder considerar bons cristãos... homens de fé e pessoas de moral. [1]

Tais doutrinas absurdas só poderiam ser de louco, ou talvez um processo. Somente tais recursos explicaram tamanha degeneração, julgue pois o leitor a luz de alguns curiosos episódios da vida de Lutero falam de sua íntima relação com o capeta: 
Dois pontos sobressaem em Lutero, quando de sua permanência no castelo de Wartburgo: a sua idéia com relação ao demônio e as grandes tentações de que foi acometido.

Em suas cartas a cada passo refere-se às suas relações com o diabo, enquanto ali esteve. Não só diz ele ter ouvido ali o demônio, no tremendo barulho que o parecia perseguir dia e noite, mas assevera tê-lo visto, sob a sensível aparência de um cão preto, dentro do seu quarto.. Deste espetáculo terrível Lutero nos dará uma idéia, mais tarde, em suas conversas de taberna: "Quando estava em meu Patmos”, diz ele, “tinha fechado, dentro dum armário, um saco de nozes de avelãs. Certa noite, apenas me deitara, começou um barulho infernal nestas novzes que, uma por uma, foram lançadas com força, contra as vigas do forro. Senti sacudirem-me a cama, e ouvi nas escadas um ruído, como se lançassem para baixo uma grande quantidade de vasos. Entretanto, a escada havia sido retirada, para ninguém poder subir ao meu quarto, estando presa à parede com uma corrente de ferro" (Wette Erl. 59 p.340), (FATO contado pelo próprio reformador em Eisleben, em 1546).

O encontro do cão preto se deu em circunstâncias estranhas: o bicho teria procurado um lugar no leito de Lutero, que jeitosamente o teria retirado dali, jogando-o fora, através da janela, sem o menor ganido da parte do animal. Foi, parece, um diabinho manso e inofensivo que se deixou lançar assim para fora. Nada mais se pôde encontrar do cão, após a queda, nem mesmo vestígios. Lutero tinha a certeza de se tratar de um diabo, em carne, pelo e osso (Köstlin-Karveran I. 440, 1903).

Referem ainda que um dia apareceu-lhe o demônio em pessoa, talvez para parabenizá-lo pela obra encetada, toda em benefício de satanás; nesta ocasião, tomado de horror e de medo, num acesso de raiva, teria Lutero jogado contra o demônio um tinteiro. A tinta não sujou a carapinha do capeta, mas foi o recipiente quebrar-se de encontro à parede, onde ficaram os sinais distintivos do seu conteúdo – uma grande mancha negra.

Coburg e outros falam disto, mas Lutero, o único que poderia afirmar a realidade do fato, parece, a ele nunca se referiu.

Que há de verdadeiro a respeito de tudo isso?

É difícil dizer-se. Vistas, no entanto, as disposições e o estado anormal de Lutero, é crível não passasse de exaltação nervosa, de fantasia, de superstição.

Seja como for, Lutero via demônios em toda parte.

No opúsculo contra o duque de Brunswick, o demônio teve a honra de ser nomeado 146 vezes; no livro dos Concílio em 4 linhas fala Lutero 15 vezes a respeito de diabos.

Os adversários da reforma têm o “coração satanizado e super-satanizado". Noutra parte ufana-se Lutero de nunca ter descontentado o príncipe das trevas que o acompanha sempre. Tal disposição doentia, aumentada pelo isolamento em que vivia, como pela lembrança dos últimos acontecimentos, da sua excomunhão pelo Papa, da condenação pelo Edito de Worms, dos perigos que o ameaçavam, da incerteza do futuro, tudo isto devia necessariamente aumentar a demasiada tensão dos nervos e exaltar a imaginação ardente.

Seja como for, por certo estava ele com direito a uma aparição do espírito das trevas, a fim de parabenizá-lo pela obra diabólica de revolta que estava efetuando no mundo, e pela perdição de milhares de almas que tal empresa iria acarretar.

Se o demônio não lhe apareceu, não é porque lhe tenha faltado vontade para tal, mas apenas porque Deus não permitiu.” (Ibid. vol III. P. 222). [2]
Revelador não? A vida real de Lutero destoa e muito do ficcionismo ecumênica hoje em voga. Para conhecer um pouco mais sobre a vida deste homem abjeto, o pai do protestantismo, recomendo-lhes a obra O Diabo, Lutero e Protestantismo, de autoria do Pe. Julio Maria,  do qual foram retiradas as citações deste post; bem como a palestra do Prof. André Melo (segue abaixo) sobre a vida do Deformador. 



[1] Padre Júlio Maria - O Diabo, Lutero e o Protestantismo, Capítulo VII Sangue e Lama, 5.O feminismo de Lutero; pág 49-50. 
[2] Padre Júlio Maria - O Diabo, Lutero e o Protestantismo, Capítulo VI Lutero em Wartburgo, 2. Aparições do Diabo; pág 37-38. 

sábado, 28 de outubro de 2017

O Golpe de Mestre de Satanás

Sabemos pelo Gênesis e melhor ainda pelo próprio Nosso Senhor que Satanás é o pai da mentira. No versículo 44, capítulo 8 do Evangelho de São João, Nosso Senhor interpela os judeus dizendo-lhes:

“Vós sois filhos do demônio, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira...”

Satanás é homicida nas perseguições sangrentas, pai da mentira nas heresias, em todas as falsas filosofias e nas palavras equívocas que estão na base das revoluções, das guerras mundiais, das guerras civis.

Não cessa de atacar Nosso Senhor em seu Corpo Místico: a Igreja. No curso da História empregou todos os meios, dos quais um dos últimos e mais terríveis foi a apostasia oficial das sociedades civis. O laicismo dos Estados foi e será sempre um escândalo imenso para as almas dos cidadãos. E é por esse subterfúgio que conseguiu laicizar pouco a pouco e fazer perder a fé numerosos membros da Igreja, a tal ponto que esses falsos princípios de separação da Igreja e do Estado, da liberdade das religiões, do ateísmo político, da autoridade que toma sua origem dos indivíduos, terminaram por invadir os seminários, os presbitérios, os bispados e até o Concílio Vaticano II.

Para fazer isso, Satanás inventou palavras chaves que permitiram que os erros modernos e modernistas penetrassem no Concílio: a liberdade foi introduzida mediante a Liberdade religiosa, ou Liberdade das religiões; a igualdade, mediante a Colegialidade, que introduz os princípios do igualitarismo democrático na Igreja e, finalmente, a fraternidade mediante o Ecumenismo que abraça todas as heresias e erros e oferece a mão a todos os inimigos da Igreja. O golpe de mestre de Satanás será, por conseguinte, difundir os princípios revolucionários introduzidos na Igreja pela autoridade da própria Igreja, pondo esta autoridade em uma situação de incoerência e de contradição permanente; enquanto este equívoco não for dissipado, os desastres se multiplicarão na Igreja. Ao se tornar equívoca a liturgia, se torna equívoco o sacerdócio, e tendo ocorrido o mesmo com o catecismo, a Fé, que não se pode manter senão na verdade, se dissipa. A própria Hierarquia da Igreja vive em um equívoco permanente entre a autoridade pessoal, recebida pelo sacramento da Ordem e a Missão de Pedro ou do Bispo e os princípios democráticos.

É preciso reconhecer que a trapaça foi bem feita e que a mentira de Satanás foi utilizada maravilhosamente. A Igreja vai destruir a si mesma por via da obediência. A Igreja vai se converter ao mundo herege, judeu, pagão, pela obediência, mediante uma Liturgia equívoca, um catecismo ambíguo e cheio de omissões e de novas instituições baseadas sobre princípios democráticos.

As ordens, as contra-ordens, as circulares, as constituições, as cartas pastorais serão tão bem manipuladas, tão bem orquestradas, mantidas pela onipotência dos meios de comunicação social, pelo que resta dos movimentos da Ação Católica, todos marxizados, que todos os fiéis honrados e os bons sacerdotes repetirão com o coração quebrado mas consentindo: Temos que obedecer! A quem, a que? Não se sabe exatamente: à Santa Sé, ao Concílio, às Comissões, às Conferências Episcopais? Qualquer um aqui se perde como nos livros litúrgicos, nos ordos diocesanos, na emaranhada bagunça dos catecismos, das orações do tempo atual, etcétera. Temos que obedecer, com perigo de se tornar protestante, marxista, ateu, budista, indiferente, pouco importa! temos que obedecer através das negações dos sacerdotes, da inoperância dos Bispos, salvo para condenar àqueles que querem conservar a Fé, através do matrimônio dos consagrados a Deus, da comunhão aos divorciados, da inter-comunhão com os hereges, etc. Temos que obedecer! Os seminários se esvaziam e são vendidos como os noviciados, as casas religiosas e as escolas; se saqueiam os tesouros da Igreja, os sacerdotes se secularizam e se profanam em sua vestimenta, em sua linguagem, em sua alma!... temos que obedecer. Roma, as Conferências Episcopais, o Sínodo presbiterial o querem. É o que todos os ecos das Igrejas, dos jornais, das revistas repetem: aggiornamento, abertura ao mundo. Desgraçado seja aquele que não consente. Tem direito a ser pisoteado, caluniado, privado de tudo o que lhe permitiria viver. É um herege, é um cismático, que merece unicamente a morte.

Satanás conseguiu verdadeiramente um golpe de mestre: consegue fazer com que sejam condenados aqueles que conservam a fé católica por aqueles mesmos que a deveriam defender e propagar.

Já é tempo de encontrar novamente o senso comum da fé, de reencontrar a verdadeira obediência à verdadeira Igreja, oculta sob essa falsa máscara do equívoco e da mentira. A verdadeira Igreja, a Santa Sé verdadeira, o Sucessor de Pedro, os Bispos enquanto submetidos à Tradição da Igreja, não nos pedem e não nos podem pedir que nos tornemos protestantes, marxistas ou comunistas. Pois bem, se poderia crer ao ler certos documentos, certas constituições, certas circulares, certos catecismos que nos pedem que abandonemos a verdadeira Fé em nome do Concílio, de Roma, etc.

Devemos negar a tornarmo-nos protestantes, a perder a Fé e a apostatar como o fez a sociedade política depois dos erros difundidos por Satanás na Revolução de 1789. Recusamo-nos a apostatar, ainda que fosse em nome do Concílio, de Roma, das Conferências Episcopais.

Permanecemos aderidos, sobretudo, a todos os Concílios dogmáticos que definiram a perpetuidade de nossa Fé. Todo católico digno desse nome deve rejeitar todo relativismo, toda evolução de sua fé no sentido de que o que foi definido solenemente pelos Concílios em outros tempos deixaria de ser válido hoje e poderia ser modificado por outro Concílio, com maior ainda razão se é simplesmente pastoral.

A confusão, a imprecisão, as modificações dos documentos sobre a Liturgia, a precipitação na aplicação, demonstram bem claramente que não se trata de uma reforma inspirada pelo Espírito Santo. Esta forma de obrar é de tal modo contrária aos costumes romanos que obram sempre “cum consilio et sapientia”. É impossível que o Espírito Santo tenha inspirado a definição da Missa segundo o artigo VII da Constituição e ainda mais inaudito que se tenha sentido a necessidade de corrigi-la em seguida, o que é uma confissão de um serviço malfeito na mais importante realidade da Igreja: o Santo Sacrifício da Missa.

A presença dos protestantes para a reforma litúrgica da Missa, é preciso confessar, estabelece um dilema ao qual parece difícil escapar. Sua presença significava ou que estavam convidados para reajustar seu culto segundo os dogmas da Santa Missa ou que lhes fosse perguntado o que lhes desagradava na Missa Católica para evitar que se deixasse presente uma expressão dogmática que eles não poderiam admitir. É evidente que esta segunda solução é a que foi adotada, coisa inconcebível e certamente não inspirada pelo Espírito Santo.

Quando se sabe que esta concepção da “Missa normativa” é a do Padre Bugnini e que ele a impôs tanto ao Sínodo como à Comissão de Liturgia, pode-se pensar que há Romas e Romas, a Roma eterna com sua fé, seus dogmas, sua concepção do Sacrifício da Missa e a Roma temporal influenciada pelas ideias do mundo moderno, influência à que não escapou o próprio Concílio – o qual, propositadamente e pela graça do Espírito Santo quis ser unicamente pastoral.

Santo Tomás se perguntava na questão da correção fraterna se convém que seja praticada às vezes com os Superiores. Com todas as distinções úteis, o Anjo da Escola responde que deve ser praticada quando se trata da Fé.

Pois bem, quem pode com toda consciência dizer que hoje em dia a Fé dos fiéis e de toda a Igreja não está ameaçada gravemente na Liturgia, no ensino do catecismo e nas instituições da Igreja?

Que se leia e releia São Francisco de Sales, São Roberto Belarmino, São Pedro Canísio e Bossuet e se encontrará com assombro que tinham que lutar contra os mesmos falsos procedimentos. Mas desta vez o drama extraordinário consiste em que estas desfigurações da Tradição nos vêm de Roma e das Conferências Episcopais; se alguém quer por conseguinte guardar sua Fé temos que admitir sim que algo anormal ocorre na administração romana. Devemos, certamente, manter a infalibilidade da Igreja e do Sucessor de Pedro, devemos também admitir a situação trágica em que se encontra nossa Fé católica pelas orientações e os documentos que nos vêm da Igreja; a conclusão volta ao que dizíamos no começo: Satanás reina pelo equívoco e pela incoerência, que são seus meios de combate e que enganam os homens de pouca Fé.

Este equívoco deve ser suprimido valentemente para preparar o dia eleito pela Providência em que será suprimido oficialmente pelo Sucessor de Pedro.

Que não nos tachem de rebeldes ou orgulhosos, porque não somos nós os que julgamos, senão que Pedro mesmo quem como Sucessor de Pedro condena o que ele por outro lado fomenta, é a Roma eterna a que condena a Roma temporal. Nós preferimos obedecer a eterna.

Pensamos com plena consciência que toda a legislação emitida desde o Concílio é, ao menos, duvidosa e, em consequência, apelamos ao Cânon 23 que trata deste caso e nos pede ater-nos à lei antiga.

Estas palavras parecerão a alguns injuriosas para a autoridade. Ao contrário, são as únicas que protegem a autoridade e a reconhecem verdadeiramente, porque a autoridade não pode existir senão para o Verdadeiro e o Bom e não para o erro e o vício.

Em 13 de outubro de 1974, no aniversário das aparições de Fátima.
Que Maria se digne abençoar estas linhas e faça com que produzam frutos de Verdade e Santidade.
+ Marcel Lefebvre

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão


29ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira 
Primeira Leitura (Rm 7,18-25a) 
Responsório (Sl 118, 66. 68. 76. 77. 93. 94 (R. 68b)) 
Evangelho (Lc 12,54-59)

1. No salmo hoje cantamos ao Senhor:  <Ensina-me a fazer vossa vontade! (Sl 118, 68b)>. Precisamos apreender a discernir e obedecer a vontade de Deus. A prática da virtude exige esforço e aprendizado, não é algo fácil, automático. Mais a frente, no mesmo salmo, cantamos ainda: <Eu jamais esquecerei vossos preceitos (Sl 118, 93a)>, estamos cantando com o coração sincero? Um breve exercício, consegue recitar de cor os 10 mandamentos? Não? Então comecemos por aí: 
  1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
  2. Não tomar seu santo nome em vão.
  3. Guardar os domingos e festas.
  4. Honrar pai e mãe.
  5. Não matar.
  6. Não pecar contra a castidade.
  7. Não furtar.
  8. Não levantar falso testemunho.
  9. Não desejar a mulher do próximo.
  10. Não cobiçar as coisas alheias.

2. Mas o saber por si só não basta, na primeira leitura São Paulo nos coloca diante do drama do homem chagado pelo pecado original: <estou ciente de que o bem não habita em mim, isto é, na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem, mas não de realizá-lo. (Rm 7, 18)> . Tantas vezes é assim, sabemos e queremos o que é certo, mas não o fazemos, somos seres miseráveis, nosso corpo, nossa carne é regida por outra lei: <Como homem interior ponho toda a minha satisfação na lei de Deus; mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros. (Rm 8, 22-23)>. Precisamos, portanto, lutar contra a carne, contra este nosso corpo mimado, colocá-lo nos eixos através da penitência e da mortificação, para que ele se submeta a Lei de Deus, em linguagem mais técnica, é preciso submeter a vontade à razão; que a razão tenha o domínio sobre a vontade não o contrário. Mas, apenas por nossas forças, iremos fracassar. Precisamos da graça divina, pois sem Cristo, nada podemos fazer.