quinta-feira, 22 de junho de 2017

M,O Vampiro de Dusseldorf (1931) - Uma arapuca cinematográfica


Tive recentemente oportunidade de assistir mais um clássico do expressionismo alemão: M, O Vampiro de Dusseldorf (1931) de Frtiz Lang. Apesar do nome sugestivo o filme não trata de homens dentuços sugadores de sangue, longe de ser uma obra de terror fantástico temos aqui um intenso (para os padrões da época) thriller policial com um enredo de quebrar a cabeça e te deixar sem dormir por dias. 



(Vem muitos spoliers por aí, então se for fresco vá ver o filme primeiro e depois volte.)

Há um mistério em Dusseldorf, um misterioso maníaco tem sequestrado e assassinado criancinhas; a população está indignada e cobra constantemente a ação mais efetiva da polícia. Pressionado pelos populares, a polícia cada fica cada vez mais agitada, prejudicando os negócios de alguns mafiosos locais, que se põe também na caça do maníaco por um misto de indignação e pragmatismo (afim da polícia sossegar e deixar seus negócios em paz).

Ao longo do filme somos conduzidos na narrativa por esses três ângulos: as investigações da polícia, as investigações da máfia, e a ação do maníaco. Se com os recursos de 1931, Lang já fez um filme sensacional, imagino o que não faria com as tecnologias de hoje com uma história dessas. Voltando ao filme e pulando direto para o final, no fim os mafiosos conseguem pegar o maníaco e o submetem a uma espécie de tribunal do crime, é ai que começa a “arapuca”.

No tribunal improvisado o mundo do crime pede, indignado, a condenação do maníaco. Prostitutas, vagabundos e ladrões o gritam: “-Matem-no! - Crucifica-o!”. Estaria o autor querendo forçar uma identificação entre o maníaco e o Cristo? Sim, e isso se torna cada vez mais sugestivo conforme a narrativa avança. Em sua defesa o maníaco alega que era diferente de todos eles, que eles (os criminosos) são assim porque são vagabundos e preguiçosos, mas ele é um doente; que não consegue agir de outra forma é um escravo das “vozes na sua cabeça”. O advogado de defesa (sim a máfia providenciou um advogado de defesa para ele! É uma ficção aceitemos os termos por enquanto rsrs) argumenta que devem entregá-lo a polícia, que não podem matar um homem que não têm plena responsabilidade, que não tem controle sobre si; o maníaco precisaria ser tratado não punido. O juiz, um dos chefões da máfia, argumenta que seria ineficaz; que ele poderia sair do manicômio de algum modo e voltar às ruas, voltar a matar e ameaçar as crianças. O advogado de defesa torna a insistir no argumento moral que não se pode punir alguém que não têm controle sobre si; uma das mulheres presentes (possivelmente uma prostituta) grita: “-Você diz isto porque não tem filhos, pergunte a seus pais como dormiriam em paz com um maluco desses a solta”. Antes que o julgamento termine, a polícia aparece a acaba com a festa. A próxima cena sugere que a lei do Estado condenou o maníaco à morte, exatamente o que fariam os mafiosos; segue a cena final com as mães das crianças chorando que isso não traria seus filhos de volta, e deixando uma mensagem ao expectador: “cuidem de suas crianças”.

Wow.... Intenso não? E você o que faria caso fosse o juiz, e os termos da narrativa estivessem corretos (trato disso mais adiante), castigaria um homem doente que não tem controle sobre si com a morte, ou o encaminharia ao tratamento correndo o risco dele voltar para as ruas para ameaçar a vida das inocentes crianças? Pois é, essa é a arapuca! Durante a narrativa o lado passional flui você chega a torcer pros mafiosos acharem o canalha antes da polícia e darem a ele o castigo que merece, mas depois da defesa do maluco o lado racional se põe a pensar se o que ele merece é mesmo um castigo ou um tratamento. A frase da mãe ao final: “isso não vai trazer nossas crianças de volta” faz-nos questionar ainda mais o lado passional.  Complicado dar uma resposta simples para qualquer lado sem peso na consciência, escutar a paixão, ou a razão fria, abstrata e desencarnada? Eis a arapuca.

Meu amigo Pola, que me ajudou com está análise, classificou este filme como o demoníaco germe dos direitos humanos; aí vemos, diz ele, as premissas que conduziram a ideia do bandido como vítima da sociedade, a vitimização do vilão. Outros aspectos por ele mencionado é o fato do diretor colocar na boca da máfia o argumento correto: "sendo doente ou não, não se pode deixar livre um monstro como aquele, é um perigo para a socidede". Já os especialistas técnicos os quais consultei (e que o leitor pode encontrar no vídeo logo abaixo) elogiam a ousadia artística do diretor, e observam aí o germe do gênero conhecido com “film noir”, conhecido por abordar as nuances e matizes de cinza da moralidade humana de um modo dramático e incômodo.



Arte ou perversidade? Respondo isso ao final, vou agora é tentar desenhar a escapatória desta arapuca. O argumento do maníaco segundo a qual é injusto punir um doente sem controle sobre seus atos é até razoável; embora questionável. Se olharmos coisa de um ponto de vista cristão, a pena de morte pode ser um ato de misericórdia para esse homem, fosse ele mesmo inocente, morto, estaria livre dos tormentos de sua doença e poderia descansar em um lugar melhor, além de dar sossego a sociedade (e este é o fundamento moral da pena de morte, a legítima defesa da sociedade contra o individuo que ameaça a toda coletividade). Poderia se objetar que não seria necessário recorrer à morte, talvez houvesse um modo de corrigi-lo, ou mesmo torna-lo inofensivo; mas daí voltaríamos ao jogo dialético entre a máfia e o advogado de defesa, e não é esse o caminho que quero tomar. A questão principal é: o argumento de M, segundo o qual ele não tem controle sobre suas ações é válido? Não ensinam as escrituras que ninguém é tentado acima de suas capacidades, assim esse homem, teria tido, mesmo que uma mínima margem de liberdade para tomar um caminho diferente. Não mostra o filme que ele não só planeja friamente suas monstruosidades, como instiga e provoca a polícia? Não temos a fala do especialista, cenas antes, afirmando ser ele um homem de grande habilidade teatral? Sendo assim, não estaria ele mentindo ao sugerir não ter controle algum sob seus atos?

Ás vezes mergulhamos tanto na narrativa que nos esquecemos do aspecto que é o mais importante: não estamos nós em uma posição privilegiada vendo os fatos concretos como ocorreram, estamos diante de uma narrativa construída pelo narrador, os fatos (premissas) são cuidadosamente organizados para dirigir a nossa conclusão. Cineastas desonestos, normalmente fazem uma complexa seleção dos fatos, com base a conduzir o leitor à conclusão desejada. Fritz Lang não fez isso, e por este motivo, vejo o filme (diferente de meu amigo Pola*) mais por seu valor artístico do que por sua ambiguidade demoníaca. O diretor não foi imparcial, ordenou a narrativa sugerindo a inocência do assassino, porém não esconde ao espectador os ''fatos" que põe em cheque a conclusão apresentada. Lang poderia desde o começo retratar o assassino como um coitado, ocultar da película a análise sobre a personalidade de M, o deleite monstruoso deste em cada nova caçada, mas não o faz. Lang é honesto, ambíguo, mas honesto. Oferece-nos a possibilidade de contestar o filme, usando argumentos do próprio filme, oferece ao espectador mais de uma chave de leitura, sem que seja preciso escapar da narrativa para a realidade, mas não oferece isso de bandeja, escondendo em meio a ordenação dos fatos. Em resumo, Lang ordena os ''fatos'', mas não os seleciona, em vista a tornar possível apenas uma única conclusão.

Pode-se objetar que é uma estética quase gnóstica: os profanos serão conduzidos ao erro (?) por uma apreciação acrítica do filme, os iniciados, se quiserem, poderão escapar da arapuca com os argumentos oferecidos pelo próprio filme. Seria lícito, “disfarçar” a verdade ao invés de explicitá-la, sob uma justificativa artística? É claro que não, dirão alguns, isto é um proceder gnóstico! Sim é possível, dirão outros, não podemos mimar o público, temos de instigá-los a pensar, dirão outros. E o leitor, o que pensa? Manifeste-se nos comentários, e ajude-nos a aprofundar o debate em prol de uma crítica de cinema competente e católica. 
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*Segundo ele, esta sutileza de Lang tornaria o filme ainda mais perigoso. Uma meia-verdade é mais sedutora e convincente que uma mentira completa.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Monges em Ação e a Arca do Poder - Deu ruim...



A ideia de usar a linguagem das HQs para falar sobre as verdades da Fé é, em si, muito boa e louvável, mas o resultado não foi dos melhores (na verdade foi terrível)

(Encarem este artigo como uma crítica construtiva de um irmão de Fé, e não como um ataque.)

Bom, a premissa, a base da história já é um tanto ruim...Temos homens a combater o demônio; um inimigo muito grande para eles, que jamais poderá ser definitivamente derrotado[1]; mais do que ter a posse de uma relíquia sagrada, a maior vitória do Encardido se dá com o pecado que leva o homem ao caminho do inferno, tema aliás que o autor não aborda. Temos o pano de fundo de uma “batalha mística”, mas o drama do pecado sequer foi mencionado.

Infelizmente os erros não param por aí: esses “Monges em Ação” não parecem muito católicos, na verdade estão mais para magos que trocaram os “arcanos secretos” por orações em latim. Em determinado momento uma das personagens elogia a outra: "Você ainda é muito poderosa" (cap. 2; pág. 8). Há uma diferença básica entre magia e graça que o autor não observou; enquanto o poder da magia supostamente provém do usuário, a graça é um dom puramente de Deus. Nenhum monge ou abadessa tem poder nenhum; o poder vêm de Deus. É o que nos ensina a história de Saul, quando este abandonou os caminhos do Senhor só caiu de abismo em abismo.

Os problemas continuam pelo fato de o autor colocar grupos mistos homens e mulheres viajando e dormindo juntos. A Igreja, em seus 2000 mil anos de história, nunca permitiu conventos mistos mesmo entre seus monges mais piedosos; sempre teve consciência do poder sedutor das paixões humanas, a história perde a oportunidade de alertar a este respeito. Por fim, cito certo personagem, um jovem monge que tenta dar umas escapadas do celibato sugerindo um romance com uma mocinha que só não é concluído pela vigilância se seu “mestre”. Imaginemos esse cenário na vida real: um jovem monge com dúvidas a respeito do celibato exposto a tentação de "dormitórios mistos", que me desculpe o leitor a sinceridade da linguagem, mas: 



Enfim, a ideia da HQ católica, foi em si boa, mas a execução não. Os autores não conseguiram expressar de maneira adequada conceitos importantes da Fé na linguagem dos quadrinhos, perdendo grandes oportunidades e fazendo coro a erros perigosos. 

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A obra Monges em Ação e a Arca do Poder está disponível gratuitamente no site www.highwaycomics.com.
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[1] Jamais poderá ser derrotado por iniciativas puramente humanas. Enquanto continuar o transcorrer da História, o Encardido ainda têm poder de tentar e conduzir o homem ao inferno, estando assim os filhos de Adão sujeitos a uma batalha que só termina com a morte. Batalha esta que só poderá ser vencida individualmente, dentro de cada alma, com o auxílio da Graça Divina.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Da Festa de “Corpus Christi“

113) Qual é a festa que se celebra na quinta-feira depois da festa Santíssima Trindade?
Na quinta-feira depois da festa da Santíssima Trindade celebra-se a solenidade do Santíssimo Sacramento, ou do Corpo de Deus: Corpus Christi.

114) Não se celebra na Quinta-feira Santa a instituição do Santíssimo Sacramento?
A Igreja celebra na Quinta-feira Santa a instituição do Santíssimo Sacramento; mas como então está ocupada principalmente em função do luto pela Paixão de Jesus Cristo, julgou conveniente instituir outra festa particular para honrar este mistério em pleno regozijo.

115) De que modo poderemos honrar o mistério que se celebra no dia de Corpus Christi?
Para honrar o mistério que se celebra no dia de Corpus Christi:
1º Devemos aproximarmo-nos com particular devoção e fervor da Sagrada Comunhão e dar graças com todo o afeto de nossa alma ao Senhor que se dignou dar-se à cada um de nós neste sacramento;
2º Devemos assistir nessa solenidade aos ofícios divinos, e particularmente ao Santo Sacrifício da Missa, e fazer frequentes visitas a Jesus, oculto sob as espécies sacramentais.

116) Por que na festa de Corpus Christi se leva solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão?
Na festa de Corpus Christi se leva solenemente a Santíssima Eucaristia em procissão:
1º Para honrar a Humanidade de nosso Senhor;
2º Para avivar a fé e aumentar a devoção dos fiéis a este mistério;
3º Para celebrar a vitória que tem dado à sua Igreja contra todos os inimigos do Sacramento;
4º Para reparar de algum modo as injúrias que Lhe são feitas pelos inimigos da nossa Religião.

117) Como devemos assistir a procissão de Corpus Christi?
Devemos assistir a procissão de Corpus Christi:
1º Com grande recolhimento e modéstia, não olhando para um lado e para outro, nem falando sem necessidade;
2º Com intenção de honrar por meio de nossas adorações o triunfo de Jesus Cristo;
3º Pedindo-lhe humildemente perdão pelas comunhões indignas e as demais profanações que se cometem contra este divino Sacramento;
4º Com sentimentos de fé, confiança, amor e reconhecimento a Jesus Cristo, presente na hóstia consagrada.

Catecismo Maior de São Pio XInstrução - Sobre as Festas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem e dos Santos; Primeira Parte: Das festas de Nosso Senhor; Capítulo XIII: Da festa do Corpo de Deus.

domingo, 11 de junho de 2017

Serviço Concreto

Mais do que meros admiradores de Jesus, devemos ser seus discípulos. Por diversas vezes, já deve o leitor ter escutado em homilias e pregações sobre a necessidade de servir e obedecer ao Senhor. Ás vezes, porém, abstraímos demais as coisas, imaginamos que o serviço consiste na participação em alguma pastoral; ou, nestes tempos ideologizados, em uma luta política pelo triunfo das bandeiras da Igreja. São estas, sim, algumas formas de servir ao Senhor, formas muito dignas e meritórias, mas um tanto particulares e específicas. Em tempos de monarquia confessional, por exemplo, os fiéis leigos “comuns” não tinham nada que tratar de política, isso era coisa para reis e nobres (que bom era não? Hoje com a tal democracia temos a dor de cabeça de ter que brigar com esses infelizes que atacam os Mandamentos, a Lei de Deus e o bom senso).

Se alguns modos de serviço são específicos de determinados “onde” e “quando” ou mesmo variam conforme a vocação particular de cada um, há outras obras concretas e necessárias sempre, enquanto durar esse mundo que passa, exigidas de todos os cristãos sejam leigos ou clérigos. Essas obras serão levadas em grande conta no dia do juízo, como o próprio Cristo nos disse (Mt 25, 31-46); são elas as Obras de Misericórdia:
937) Quais são as boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo?
As boas obras de que se nos pedirá conta particular no dia do Juízo são as obras de misericórdia.

938) Que se entende por obra de misericórdia?
Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

939) Quantas são as obras de misericórdia?
As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

940) Quais são as obras de misericórdia corporais?
As obras de misericórdia corporais são:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

941) Quais são as obras de misericórdia espirituais?
As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2º Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Catecismo Maior de São Pio X; Parte V, Capítulo IV: Das obras de misericórdia.

Eis aí a indicação prática e concreta de como servir e agradar ao Senhor (além, é claro, da exigência de guardar e observar os mandamentos). Caso o leitor ainda tenha dúvidas quanto a sua vocação específica, sua função e carisma no Corpo Místico de Cristo que é a Igreja, comece pela prática destas obras; caso já tenha encontrado seu carisma, não descuide destas mesmas obras.

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Para mais indicações sobre a forma concreta de se viver e praticar tais obras, dê uma olhada nesta interessante e instrutiva série de aulas de Dom José Falcão:

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mulher Maravilha? É melhor ir ver o filme do Pelé!

O pessoal da direita "triple A" - antipopular, antipatriótica e antitradicional - anda arrancando os cabelos e comendo esterco de colherada desde que algumas militâncias ideológicas e os aparelhos censores de alguns Estados soberanos resolveram boicotar o filme da Mulher Maravilha.

Pelo que pude apurar, uns satanizam o filme porque a atriz protagonista seria uma praticante devota e conservadora de sua religião judaica, o que é escandaloso para libertinos pós-modernos avessos a toda ideia de padrões morais fixos; e outros consideram inapropriado celebrar uma personalidade que militou voluntariamente nas forças do assim chamado Estado de Israel, agressoras habituais de populações árabes e islâmicas dentro e fora das fronteiras ora sob o poder do Governo de Ocupação Sionista da Terra Santa.

Antes de qualquer coisa, eu penso ser louvável não assistir um filme cuja heroína aparentemente é uma mulher seminua e masculinizada cujas precárias vestes são alusivas a símbolos nacionais de outro país, país esse que não é amigo do nosso e nem de nossa Igreja. O problema da moça ser tomada por um novo amuleto pop do sionismo me parece não desimportante, mas secundário para católicos que vivem fora do Oriente Médio.

Quanto aos triple-As lambe-salto que já canonizaram a sua dominatrix israelita, é o caso de que se perguntem: qual a coerência em defender a família tradicional, combater o feminismo e enaltecer uma mulher que é basicamente o elogio público da imoralidade e da subversão do papel social feminino com sua vida que combina concursos de beleza, carreira militar e filmes de mau gosto? Nem se atrevam a compará-la a Santa Joana d'Arc, mulher que a contragosto adentrou na vida militar por obediência ao chamado místico de Deus, e mesmo assim tomando sempre os maiores cuidados para defender ao máximo sua feminilidade e sua pureza virginais.

Por fim, eu parabenizo o grande patriota católico العماد ميشال عون - General Michel Aoun, presidente do Líbano, por ter defendido seus governados de mais um lixo cultural produzido em Hollywood. Aproveito ainda para instar as comunidades maronitas e libanesas em geral para apoiar entusiasticamente a medida do presidente.


#Victor Fernandes

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Um filme para gente grande

Tirem as mulheres e crianças da sala, hoje o assunto é sério. O filme que venho comentar é daquelas narrativas tão fortes e marcantes cujo qual você não será o mesmo depois de assisti-lo, isso é, se conseguir chegar até o final. Não estou falando de um desses forçados pós-apocalípticos que têm de apelar a violência narrativa para chocar o leitor, tão pouco se trata da violência visual de tantos filmes meia-boca de Hollywood, venho comentar sobre o filme: Santa Teresinha do Menino Jesus – Uma História de Fé. Como é? Todo esse drama para falar do filme de uma freirazinha, tá de brincadeira com a minha cara? Nem um pouco. Estou falando sério, e muito sério. 

Tantas vezes cultivamos ilusões de grandeza, uma vida heroica, grandes aventuras, combates; romantizamos e anestesiamos o próprio sofrimento. A morte que na vida real é um drama tão grande, se torna até mais degustável visto pelas lentes do filmes, quem não escolheria uma morte épica em batalha com a espada em mãos, em meio ao tiroteio do faroeste, e tantas outras formas “gloriosas” que parecem, ao menos nos filmes, fazer calar a dor e o sofrimento? Mas, e quando os heroísmos não são tão visíveis? Quando a batalha não envolve cenas de perseguição, sequências de espadas ou tiros alucinantes? Quando o monstro não é tão feio e assustador a ponto de alguém dar falta dele? Sim, em um mundo de ilusões, cosplayers e rpg não há nada mais assustador ao homem moderno que o prosaísmo de uma vida comum.

O filme, baseado na vida de Santa Teresinha, é um luzeiro em meio a tantas ilusões. E olha que é difícil traduzir a vida de um santo as telas de cinema; mais difícil ainda com um filme de baixo orçamento, e ainda mais se tratando de um santo aparentemente “tão comum”, mas temos uma obra que supera todos estes obstáculos e traz uma mensagem a ecoar pelas almas dos espectadores. 

O inicio é irritante. Sim, irritante, vemos a família dos Martin tão perfeita, tão amorosa e piedosa, que chega a incomodar: “então é isso, é assim uma família católica de verdade?”; e o espectador fica com uma espécie de “inveja branca” (ao menos eu fiquei), por nunca ter visto ou ouvido falar de famílias que ecoassem mesmo que imperfeitamente este modelo. A culpa é do filme que retratou de maneira demasiado romântica e irreal ou nossa que não damos a instituição família a seriedade e respeito que merece? Eu aposto na segunda opção. 

Vemos uma jovem Teresinha, tão mimada, e ao mesmo tempo tão graciosa; a atriz mostra em sua atuação a personalidade infantil da personagem, uma infantilidade mimada, irritante, mas simpática. Uma espécie de egoísmo gracioso e bonitinho, como de crianças mesmo...

O avançar do filme segue assim de pequenos em pequenos dramas: do bullying que a pobre menininha sofria na escola ao sofrimento dela e do pai com as sucessivas ausências das irmãs que se retiram para cumprir sua vocação na vida religiosa. O pai, Luís Martin (São Luís Martin) é retratado de modo tão digno, com uma verdadeira nobreza, quão surpreendente é ver esse mesmo Luís Martin, tão forte, tão digno, em uma cadeira de rodas babando ao final do filme; a mensagem simbólica desta cena, o convite a reflexão sobre o mistério da velhice, da loucura, é algo forte, muito forte.

Vemos também os grandes sacrifícios da pequena Teresinha, seus heroísmos cotidianos tão simples e invisíveis, e ao mesmo tempo tão difíceis: a paciência ao tolerar, sorrir e manter diante da insensibilidade e antipatia dos demais; a humildade em levar sobre si culpas que não são suas; até os dolorosos sofrimentos diante da doença do pai; diante de sua própria doença (tuberculose) e a noite escura que antecedeu sua morte agonizante.

É mais fácil lutar com hereges, derramar o sangue em uma guerra, aventurar-se por terras inóspitas do que tolerar esse prosaísmo cotidiano sorrindo, sem manifestar ira, raiva, violência; é a impressão que se fica... Impressão que revela uma doença de alma, uma doença da alma moderna que procura nas aventuras uma fuga, uma fuga do drama da vida humana.

Um filme simples, e um filme forte. Uma história que nos arranca de nossas ilusões e nos traz para a realidade; a realidade de nosso descaso, inépcia, de nosso desamor. Um filme para gente grande, uma pequena via que faz muitos ditos valentes correrem chorando gritando pela mãe.

sábado, 3 de junho de 2017

Artes Marciais contra o Século XXI

A guerra moderna é algo monstruoso, não que a antiga não fosse, mas em tempos de bomba atômica, drones e metralhadoras a coisa está ainda mais terrível. O tempo dos monges guerreiros a conquistar vitória contra os exércitos nacionais está enterrado no passado, e nas cabeças românticas dos tolos. Um civil hoje não tem qualquer chance contra um militar, é como uma criança frente a um leão. Bastões, espadas e lâminas viraram brinquedos ou curiosidades arqueológicas, na guerra moderna isso tudo é inútil.

A proposta original das artes marciais de preparar os indivíduos para guerra, nos tempos modernos, fracassou. Um mestre Shaolin não duraria cinco minutos em um campo de batalha no Afeganistão, por exemplo, se não tiver por apoio a estrutura de um Estado bélico por trás. O corpo é uma arma, sem dúvida, mas nada pode contra as bugigangas modernas. O fracasso samurai na Era Meiji é o símbolo icônico deste fracasso das artes marciais tradicionais ante a guerra “industrializada”. As katanas ''sagradas'' (?) foram substituídas pela pólvora profana sob o sangue da casta guerreira japonesa. Ninguém hoje, em sã consciência, treina Kendo, Kenjutsu (e as variantes da técnica da espada japonesa, ou mesmo a esgrima europeia) com o intuito de usar tais técnicas em batalhas reais, só no cinema é que a lâmina é mais rápida que a bala.

Se a função marcial perdeu-se, ao menos sua expressão artística continua; nomes como Bruce Lee, Jackie Chan, e Jet Li imortalizaram as artes marciais nas telas do cinema; não há palavras para expressar a beleza paradoxal do estilo de luta conhecido como “punho bêbado”; ou a romântica sensação do ruído das katanas em Samurai X. Sua função artística e metafórica se mantém também como “filosofia de vida”; a disciplina exigida ao treino do corpo, a agilidade e perfeição das técnicas tornam-se metáforas para as batalhas da vida pessoal e profissional; “as artes marciais mudaram minha vida” é uma frase comum de se ouvir, num tom quase que religioso.

Como esporte, porém, as artes marciais tradicionais depois de um breve período de crescimento estabilização, sofrem um declínio. Enquanto no século passado pululavam academias de Kung Fu, a expressão olímpica do Judô animava adeptos, e cada criança queria ser o próximo Karate Kid; hoje, na primeira década do século XXI o octógono vêm tomando o lugar das artes marciais tradicionais nas telas da TV e na imaginação dos adolescentes. E, a hesitação dos artistas marciais tradicionais em adaptar suas técnicas a esta nova modalidade ''brutal e desonrada'' (?), mas extremamente popular do esporte, têm contribuído para potencializar a sua queda.

Mas é, sobretudo, nas brigas de rua, o verdadeiro vale tudo, em que as artes marciais tradicionais encontram seu verdadeiro desafio. Se outrora o artista marcial era como que um escolhido em meio aos profanos leigos, hoje qualquer zé mané baladeiro têm preparo físico e técnica suficientes para dar alguma dor de cabeça. Aquele que tiver a infelicidade de se envolver em uma briga de rua não encontrará um ambiente tão dócil e simples, como fora as brigas de rua dos séculos anteriores. 

As artes marciais tradicionais estão diante de um ponto crítico, um desafio cultural a sua existência, ao menos do modo como conhecemos até o presente momento. Abidicarão elas do conceito “marcial” refugiando-se apenas como expressão artística? Conseguirá, no mundo esportivo, superar a popularidade do MMA, ou se submeterá as regras do octógono, encontrando sua expressão esportiva dentro da generalidade do UFC? Abandonará de vez as pretensões de defesa pessoal, ou mostrará a sua fluidez, adaptando-se como a água (para usar a metáfora de Bruce Lee) a nova realidade das lutas de rua? Essas, e tantas outras perguntas deveriam pairar na mente de cada artista marcial hoje, se pretendem honrar e garantir a perpetuação da herança que receberam de seus ancestrais. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um Mad Max Protestante


Uma guerra nuclear transformou o planeta num verdadeiro deserto a céu aberto, sob as ruínas da antiga civilização sobrevive a humanidade oprimida por gangues de marginais e arruaceiros; lutas eletrizantes, carros tunados, e muito sangue... Não, eu não estou falando da Mad Max, mas sim de sua paródia protestante, estou falando de “O Livro de Eli”.

Em um futuro não muito distante, 30 anos após o término da última guerra. Eli (Denzel Washington) é um homem solitário, que percorre a América do Norte devastada. Ele apenas deseja paz, mas ao ser desafiado não foge à luta. Seu principal objetivo é proteger a esperança da humanidade, a qual guarda consigo há 30 anos, sendo que para tanto faz o que for preciso para sobreviver. O único que compreende seu intento é Carnegie (Gary Oldman), o autoproclamado déspota de uma cidade repleta de ladrões. Ao mesmo tempo Solara (Mila Kunis), a filha da companheira de Carnegie (Jennifer Beals), fica fascinada com Eli pela possibilidade de que ele lhe mostre o que há além dos domínios que conhece. Só que Carnegie está disposto a impedir sua cruzada, para recuperar Solara e também conseguir o valioso objeto que Eli protege.

A grande sacada dos produtores foi misturar todo esse cenário pós-apocalíptico com a temática religiosa; no filme acompanhamos a história do “profeta” (?) Eli neste mundo terrível. Eli fora escolhido pela Providência como guardião do último exemplar da Bíblia que restou no planeta, mas no meio do caminho é posto em confronto com o ambicioso Carnegie, sobrevivente do mundo antigo que busca utilizar o livro sagrado para manipular o coração dos homens (exatamente como fazem muitos pastores protestantes). Não vou contar o resto do filme para não estragar a história, mas temos ainda pela frente épicas cenas de luta, perseguição, mutilações tiros pra todo canto.

Porque digo que é um filme protestante? A começar porque Eli carrega a Bíblia do Rei James (ou seja, uma Bíblia mal traduzida e mutilada, com sete livros a menos), fosse católico estaria com a Vulgata Latina de São Jerônimo. Não apenas isso, também pelo simplismo do roteiro, para que a Fé continue a sobreviver sobre a Terra não bastaria apenas as escrituras, faz-se necessário a instituição que têm o poder de interpretá-la, e, sobretudo os Sacramentos, que não seriam possíveis sem essa mesma instituição. Em resumo teríamos de ter ao menos um bispo na história para garantir a continuidade da Igreja (prometida pelo próprio Salvador). Ah! Quão mais interessante não se tornaria a história com esses elementos? 

Mas não é só em doutrina que o filme erra. Erra porque se prende a clichês, erra porque trabalha pouco as infinitas possibilidades do cenário “pós-apocalíptico”, erra ao trazer um vilão bem meia boca. Porém, dois acertos me fazem levantar e aplaudir de pé esta obra. Primeiro o respeito ao pudor: mesmo trabalhando temas como a prostituição e o estupro, o diretor não polui o filme com cenas lascivas e incômodas. Segundo, e em minha opinião a sacada de mestre: a mistura de gêneros. Parece que tudo quanto é tipo de filme religioso só sabe ficar girando em torno das narrativas dramáticas chorosas, em O Livro de Eli temos mais que isso, temos um filme de ação incrível. 

Eis a lição do filme, uma lição básica da guerra cultural, que deveríamos ter aprendido com as Sagradas Escrituras: “o dom das línguas”; a habilidade de falar da Fé usando todas as linguagens, inclusive a dos filmes de ação. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O que preciso saber para começar a plantar?


Nossos avôs e ancestrais próximos, logo ao deixarem a vida rural e mudar-se para cidade, trouxeram ao espaço urbano hábitos e costumes de sua pretérita vida rural. Quantos, não cultivavam em um quintal, no fundo da casa, os mais diversos alimentos? Aqui, meu avô tinha uma grande variedade de culturas: manga, banana, limão, acerola, hortelã, entre outras. Infelizmente, tal prática não foi transmitida as gerações futuras, se meu avô fora um verdadeiro fazendeiro urbano, meus pais o máximo que sabiam era alguma coisa sobre flores e jardinagem, e eu, até antes da faculdade, nem isso.

Foi preciso, pois, alguns hippies sujos e um nome empolado para que uma prática tão simples e antiga retornasse aos lares brasileiros. É a agricultura urbana, que por influência do controverso movimento orgânico, tem caído no gosto dos norte-americanos, e ecoando (embora de maneira um tanto incipiente) aqui no Brasil.



Além dos efeitos psicológico-terapêuticos, tal prática tem sido para muitos uma fonte economia (afinal para quê vou comprar algo no mercado, se posso cultivar no meu quintal?), renda (posso vender meus excedentes), diversão, além de proporcionar no longo prazo benefícios a coletividade (podendo o município receber os gêneros alimentícios de suas próprias fronteiras, conseguindo assim o mercado interno produtos frescos a um preço melhor; além de formar nos praticantes uma cultura de “independência do sistema”) e redesenhar a forma de apropriação do espaço urbano.

Gostou da ideia? Que tal começar agora mesmo? Mas, comecemos do jeito certo, sem expectativas exageradas, segue um podcast[1] com o Lucas Pin, expondo alguns conceitos básicos do que você precisa saber antes de começar a plantar, em uma linguagem clara e acessível ao público leigo, bora colocar a mão na massa terra.


[1] O podcast em questão é um dos episódios do programa denominados Sobrecast, de produção do Júlio Lobo do Sobrevivêncialismo, tenho certas ressalvas com relação a este, mas o episódio em questão aqui linkado é bom.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Mentiras que Clamam ao Céu

Por ocasião do Ano Mariano, neste mês também mariano, direcionei meus estudos e leituras com foco nas aparições e mensagens de Fátima. Qual não foi minha surpresa ao deparar-me com a gigantesca conspiração denunciada pelo padre Paul Kramer em “O Derradeiro Combate do Demônio”.

Com abundantes e inegáveis provas, Kramer denuncia valentemente as sórdidas manobras e artimanhas do aparelho de Estado do Vaticano que visam de calar a mensagem de Fátima. A Igreja infiltrada, tomada e subvertida por seus inimigos, instrumentalizada pela Nova Ordem Mundial, a realidade é muito mais complexa atemorizante que qualquer ficção. E a história torna-se ainda mais terrível quando se vê o nome dos personagens envolvidos e tão criminosos ocultamento, entre eles o então Cardeal Joseph Ratzinger

E porque motivo tamanha sanha em calar os sinais do céu? Porque o céu clama contra a “nova orientação” da Igreja adotada a partir do Concílio Vaticano II:


São 377 páginas, com abundantes provas e citações, escritas numa linguagem clara, direta e didática; páginas perturbadoras. E, os acontecimentos recentes do atual pontificado apenas reforçam as preocupações: em Fátima, Francisco deu de ombros a mensagem profética, reinterpretando-a, segundo a Linha do Partido, evitando tocar no assunto do inferno, da consagração da Rússia, do Imaculado Coração, e atacando a visão tradicional do castigo devido aos pecados do mundo.

Deus enviara a Santíssima Virgem a Cova da Iria, em Fátima, para levar uma mensagem de alerta aos homens; os príncipes dos sacerdotes se encarregaram de fazer calar tal apelo do céu, acumulando ainda mais culpas que irão culminar em um castigo terrível. Que Deus tenha piedade de nós.

Porém, mesmo diante de tão terríveis e desesperadores acontecimentos não nos esqueçamos das promessas de Cristo segundo a qual as portas do inferno não prevalecerão, e o aspecto consolador da mensagem da Virgem na Cova da Iria: “Por fim meu Imaculado Coração triunfará”.

Choremos pelo estado catastrófico em que se encontra a Igreja, preparemos nosso coração com oração e penitência para o tempo do castigo (e que há de ser terrível), mas não percamos a confiança, pois por fim o Imaculado Coração triunfará.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Defesa Pessoal e o Mundo da Fantasia


Vivemos em um país extremamente violento e instável. As ruas são no dizer dos poetas: “selva de pedra”, o contraste antagônico entre a selvageria da natureza e a tranquilidade da civilização parece não ter mais sentido; assim como no ambiente natural, em nossas cidades há presas e predadores. Ou, na analogia do Sniper Americano: Lobos, Ovelhas e Cães Pastores.



É óbvio, pois, que nesse cenário o aprendizado de técnicas de defesa pessoal torna-se indispensável. Porém, como assinalei em meu post sobre o sobrevivencialismo, não raro emergem as mais burlescas fantasias, poderia eu aqui alimentar mais algumas delas, sem dúvida receberia um bocado de audiência (rsrs), mas prefiro a verdade, neste sentido trago hoje um vídeo do mestre Marcos Lima com uma visão equilibrada, racional e livre de fantasias a respeito do que é a defesa pessoal.



domingo, 14 de maio de 2017

Resposta a uma Funkeira “Católica”

Por vezes gostaria de escrever apenas sobre assuntos construtivos e edificantes, mas não vivo eu em uma Inglaterra Vitoriana, onde tudo são flores (e nem lá era, uma vez que aquele país padecia e ainda padece na heresia), vivo no Brasil Pós-Moderno, onde foi perdido até o mais básico senso comum.

Diante desta situação sou obrigado, por “caridade intelectual” a escrever sobre essas mazelas. Sem mais delongas, adiante:


Recentemente, um amigo encontrou-se diante de uma destas tragicômicas situações: uma mocinha de sua paróquia, ativa cantora no coral da Igreja, quando fora do Templo Sagrado está a divertir-se se deleitando na cultura vulgar e obscena do Funk. Este meu amigo, diante de tal situação, usou a técnica médica mais indicada: cobrar coerência. Apelando ao senso comum da pobre criatura. Diante do questionamento, respondeu irritada a mocinha:

<O que importa é a Fé da pessoa. Se uma pessoa está dançando Funk, Deus não vai chegar nela e dizer não vai entrar no céu porque tu está dançando Funk, o que importa é o coração da pessoa não o corpo nem o que uma pessoa dança ou deixa de fazer.>

Eis o hamster da racionalização. Ao invés de agir de forma coerente com a doutrina que diz professar, pensando e refletindo primeiro, agindo depois; a mocinha usa de sua faculdade racional para tentar justificar, racionalizar sua imoralidade. Examinemos os argumentos dela e destruamos sua racionalização, pode ser útil a algum turista que caia por aqui via Google, o leitor assíduo deste Bunker já deve sem dúvida estar acostumado a desmascarar sandices como esta.

<O que importa é a Fé da pessoa, o coração, o interior, não as ações> - Eis a raiz do argumento da infeliz, repetindo de modo "favelado" o erro protestante. Temos ai uma católica, funkeira que pensa como protestante, eis tamanha decadência. Ora, ensinam as escrituras que “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt.12, 34b), de igual modo o corpo, as ações, as obras, manifestam aquilo que a pessoa crê. Se com o corpo a criatura manifesta obscenidades e vulgaridade, significa que o coração está cheio de obscenidades e vulgaridades. Seu exterior no mais das vezes reflete o seu interior, como ensina Plotino, de modo geral, “o que parece é”.

Assim cara funkeira “católica”, se arrependa, busque a confissão e deixe essa cultura obscena e imoral que é o funk, pois não é possível mergulhar na lama e continuar limpa, de igual modo é impossível frequentar e dançar em “bailes funks” sem pecar. E quem morre obstinado em pecado mortal rejeitando o arrependimento, vai sim para o Inferno senhorita. Por isso rejeite o funk, e o pecado, para o bem de sua alma (e de sua inteligência).

sábado, 13 de maio de 2017

As Aparições de Fátima

A chave de leitura dos últimos 100 anos, e dos próximos que se seguem, encontra-se na Cova da Iria, em Portugal, no segredo revelado aos três pastorinhos de Fátima.

Deus não faz milagres atoa! E quantos milagres se fez em Fátima? Lá Ele manifestou seu domínio sob o universo fazendo o Sol "dançar" frente a mais de 70 mil espectadores; realizou, também, inúmeras curas, conversões e tantas outras maravilhas.

Da mensagem, ao menos o que chegou até nós, emergem as seguintes palavras: Inferno; Castigo; Penitência; Reparação; Imaculado Coração; Paz. Há conteúdo aí para meditar uma vida inteira. Nas palavras do finado professor Orlando: "um segredo contendo um enigma, envolto em mistério". Mas ninguém escuta... É mais fácil, mais "pós-moderno", procurar outras manifestações místicas: o ''reavivamento carismático'' importado dos pentecostais, "Nostradamus'' resgatado do fundo do baú, Medjugorge e tantas outras novidades de última hora. Dispersão, dispersão...

E assim, nós homens de cerviz duríssima, ignoramos o apelo de Nossa Senhora em Fátima. A Consagração da Rússia? Não foi do jeito dela mas, do "nosso". O Imaculado Coração? Tão pouco se escreve, é uma devoção ecumenicamente incorreta. A Comunhão Reparadora? Ah, esse negócio de reparação é tão medieval... O Terço diário? Demora muito...

“Fazei isto e terão paz”. Que tipo de paz? A paz católica, a "tranquilidade da ordem de todas as coisas"; e que ordem há se não aquela em que toda a criação devem submeter-se ao seu Criador; não só os corações, almas e indivíduos, mas também os Estados e nações? Sim, as profecias de Fátima anunciam o fim desse mundo liberal, laico e maçônico! Anunciam a verdadeira ordem, a verdadeira paz, o Reinado Social de Cristo, onde as sociedades e nações estarão moldadas segundo as leis da Igreja.

Ah! Mas queremos a paz do nosso jeito, a paz aliando-se com maçons, a paz sem condenar essa cultura pornográfica liberal, a paz na mentira...

Até quando permaneceremos ignorando os sinais dos céus? Quando vier o dia do castigo anunciado de que lado estaremos? Da Mulher ou do Dragão? Da Igreja ou do Mundo?

Há 100 anos Deus enviou a Santíssima Virgem Maria aos pastorinhos em Fátima. Por intercessão da Virgem milagres foram realizados. A mesma Virgem comunicou aos pastorinhos segredos tenebrosos sobre o futuro do mundo, o castigo pela ingratidão dos homens virá a cavalo, mas, em meio a tal cenário, uma promessa gloriosa: "ao fim meu Imaculado Coração Triunfará"; o coração puríssimo daquela que tanto amou a Deus. E pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria a Rússia se converterá e a humanidade terá um tempo de paz! Paz! Não a paz do mundo, mas a paz de Cristo! O Imaculado Coração de Maria nos conduzirá ao Sagrado Coração de Jesus e teremos a paz.

Antes, porém, virá o castigo...

Oração, Penitência; nos é pedido, é o que podemos fazer, nós leigos. Rezemos! Rezemos o Terço, o Rosário, diariamente! Por nós e pela conversão dos pobres pecadores. O castigo será duro, mas ao fim, haverá paz. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Faltam Ninjas... Falta tudo!


Recentemente li a curiosa notícia segundo a qual estariam faltando ninjas no Japão. A alta exposição midiática fizera com que a demanda por eles, principalmente para entreter os turistas, aumentasse; em contrapartida os formadores reclamam que os candidatos ao “ofício” eram inaptos, não estando à altura do duro treinamento exigido para o cultivo da arte. É certo que a modernidade moderna afrescalhou a humanidade, tornando-nos fracos e mimados, mas penso que a isso se alia, no caso do Japão, ao problema da "função social" do ninja. Se antes essa elite de guerreiros era usada como arma de guerra, hoje virou palhaço pra turista. Quem estaria disposto a se submeter a anos de duros treinamentos para ganhar a vida fazendo acrobacias a gringos idiotas?

Deixemos, porém, o Japão com os problemas do Japão, e falemos dos nossos. Se lá faltam ninjas, aqui em nossa realidade paroquial brasileira falta tudo (exceto idiotas, isso tem para dar vender e exportar), das funções mais básicas as mais complexas...

Vejam os corais! Pianistas nas catedrais? Isso é coisa do passado. Se der sorte encontra um rapaz com uma violinha (e têm paróquias que nem isso...). 
A catequese? Quantos de nós podem sinceramente dizer que receberam uma boa formação? Ao invés das verdades essenciais da Fé transmitidas por homens e mulheres de reta doutrina com domínio sobre técnicas pedagógicas temos muitas vezes um humanismo xoxo que busca apenas formar ''boas pessoas''.

Poderia prolongar essa postagem infinitamente, falando não apenas das realidades paroquias, mas também do mundo da cultura, onde sequer uma crítica de cinema católica sou capaz de encontrar...

“A messe é grande, e os trabalhadores são poucos” – Realmente. E isso é verdade, sobretudo no Brasil Pós-Moderno onde se a frescurite moderna se alia a preguiça do brasileiro. Talvez, o termo preguiça não seria o mais adequado.Para Sergio Buarque de Holanda o buraco é mais em baaixo, segundo o autor em nossa cultura predomina a crença no talento em antagonismo ao preparo; dessa forma, acreditamos que nascemos prontos, sem precisar nos desenvolver, nos preparar, assim temos a frente de importantes funções homens de boa vontade, mas inaptos e sem a consciência de que precisam se capacitar, a cada dia para melhor servir a Igreja de Cristo. E esse preparo começa pelo básico: o aprendizado da doutrina, o cultivo da virtude, ao domínio das habilidades necessárias ao ofício.

<Doutrina? Não precisamos disso, o importante é o sentimento! Virtudes? É coisa inata, não há o que se fazer! Ofício? Estou fazendo de graça e ainda quer pedir mais?!> E assim, desse modo mesquinho pensa o brasileiro médio, e se espanta da decadência da Igreja e o crescimento da apostasia nesta terra. <É culpa do concílio! Do clero modernista! Do Marxismo Cultural!> É sim. Mas você não tem como solucionar esses problemas gigantes, sem antes cuidar dos pequenos, como o coral de uma paróquia de província, ou a catequese das crianças.

Reze, pergunte ao Senhor onde pode servi-lo, e neste serviço procure ser o melhor. Melhor a cada dia, melhor hoje do que foi ontem, melhor amanhã do que foi hoje, não seja um servo mal e preguiçoso!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Hipersensibilidade Pós-Moderna

Aiin meu corasaum!!
Uma das características da pós-modernidade latino americana é sua hipersensibilidade. Junta-se as características melodramáticas deste continente acostumado a educar-se a partir de telenovelas com a rejeição pós-moderna a razão, e pimba! Temos a fórmula para o desastre.

Desastre na religião, desastre nos estudos, desastre nos relacionamentos amorosos.

Um povo emocional tende a cair nas mais tolas superstições, não só as superstições pagãs como espiritismo e a macumba (ou a moderna mania alienígena), mas também as superstições gospel como as inúmeras seitas protestantes em cada esquina, ou o fenômeno RCCista, onde estados de transe hipnóticos são atribuídos como sendo “obra do Espírito” (os parapsicólogos[1] vão a loucura com isso). Ah! Mas o meio dito tradicionalista não escapa deste pensamento mágico emocional, me canso de desmascarar tantas falsas visões a aparições; a mais popular atualmente é uma ficção científica burlesca bem a estilo norte-americano onde temos uma nova descoberta científica predita pelas profecias[2]... É cada lorota que faz o País das Maravilhas de Lewis Carroll parecer plausível.

Quando a religião vira questão de sentimento às portas estão abertas as mais tolas invencionices, não atoa que a Igreja sempre foi bem cautelosa com relação ao reconhecimento de milagres; bem como prepara seus sacerdotes com uma sólida formação filosófica antes de iniciá-los no conhecimento teológico (coisa, aliás, que não fazem os protestantes, daí não é de se surpreender a qualidade intelectual do “pastorado” rsrs).

O desastre extrapola também para o mundo dos estudos científico, onde certa friesa deveria ser pré-requisito. Um intelectual não pode jamais rejeitar hipóteses apenas com base em seus sentimentos, não pode irar-se diante de teses estranhas, mas antes deve ouvir pacientemente e contrapô-las a realidade em busca da verdade. Mas, quão distante isso estará de nossas academias onde o apego sentimental e a busca da aprovação dos pares tem mais valor que a verdade. Experimente por em dúvida os pressupostos evolucionistas e se verá diante do Talibã Laico.

E, por mais surpreendente que possa parecer, a hipersensibilidade gera também um desastre no terreno afetivo, no mundo “do amor”. Ora, se a pessoa guia-se apenas por sentimentos como diz a música: resolvi seguir meu coração; ouvir só a voz dele e não dar mais bola pra razão[3] é inevitável que venham as ilusões e a decepções. Quantas histórias de mocinhas iludidas por cafajestes não rondam a literatura? E as versões masculinas do corno a chorar as mágoas ao garçom? Mas, não importa você mente de verdade eu acredito de mentira[4] cantam nossos jovens; e vivendo na ilusão querem depois se surpreender que o errado não dê certo.

São tantas emoções dirá Roberto Carlos.

Então não é para sentir? É sim, mas é necessário ordenar os sentimentos através da razão fazendo estes servos dela e não o contrário.

Diante de um sentimento forte deve-se perguntar: porque estou sentindo isso? Esse sentimento está coerente com a situação vivida? Minha atitude interior é razoável ou um mero melodrama infantil?

Deu para entender? Sentiu a vibe (rsrs)? 



P.S. Indicações mais detalhadas a respeito do ordenamento das paixões e o controle afetivo pode o leitor encontrar em:
· Curso de Integração Pessoal – Mario Ferreira dos Santos
___________________________________________
[1] A Parapsicologia é uma ciência dedicada ao estudo dos fenômenos paranormais, usada para discernir a verdadeira mística do charlatanismo, foi propagada e popularizada no Brasil principalmente pelo famoso padre Óscar Quevedo.

[2] A suposta profecia seria parte do Terceiro Segredo de Fátima revelado pelo Pe. Malachi Martin a uma de suas filhas espirituais. A historinha fala de uma nova fonte de energia descoberta pelos cientistas que seria a causa de uma guerra mundial com a Rússia. Caso o leitor queira dar umas boas risadas pode encontrar o texto completo aqui.

[3] A Voz do Coração - Marília Mendonça

[4] Acredito de Mentira - Henrique e Juliano

sábado, 29 de abril de 2017

Uma série blasfema e uma crítica demente

Um papa narcista, ateu, "ultraconservador" com tendências homossexuais, eis o plano de fundo blasfema série The Young Pope que vem causando polêmica na Itália e chega o Brasil neste sábado.

O fato de todo o aparato cultural moderno ser usado afim de atacar, denegrir e zombar da Fé Católica não é, infelizmente, nenhuma novidade. A novidade está que católicos estão batendo palminhas para isso.

Algum dos colunistas da página Veritatis Catholicus teve a coragem (ou a demência) de publicar estas linhas: 


ENTRE ACERTOS E ERROS !!!

Estréia hoje as 22 horas, pelo canal pago Fox Premium 1 ( acessem o site ou página deste canal para mais informações ), a polêmica série "The Young Pope". Exibida na Europa ano passado e nos EUA em Janeiro deste ano, a produção foi dirigida pelo italiano Paolo Sorrentino e tem no elenco nomes de peso como Jude Law e Diane Keaton. Com apenas 10 capítulos e com a segunda temporada ainda incerta, esta mini-série conta a história da eleição de Lenny Belardo para o Papado. Se tornando o primeiro americano eleito Papa, Lenny escolhe o nome de Pio XIII ( Jude Law ). Seu comportamento estranho, impulsivo e imprevisivel causam mal estar entre a Cúria Romana, sobretudo com o Cardeal Angelo Voiello ( Silvio Orlando ) acostumado a comandar a administração vaticana usando métodos excusos. Pio XIII conta com a ajuda da Irmã Mary ( Diane Keaton ) para aconselha-lo em sua conduta frente a Igreja. A religiosa é como uma mãe para o Papa, pois cuidou dele em seu orfanato quando o Pontífice foi ali abandonado por seus pais. Alias, o trauma causado por este abandono somado com a obsessão em encontrar seus genitores moldam o carater de Pio XIII influenciando diretamente em suas decisões frente a Igreja e também causando a profunda crise de fé do Pontífice. Considerada um sucesso pela crítica especializada e estreando com ótima audiência na Itália (superando a estréia de Game of Trones), "The Young Pope" aborda todos os temas atuais da Igreja como pedofilia e homossexualismo entre os padres, corrupção e chantagem no Vaticano, disputa entre liberais e conservadores dentro da Igreja, brigas com governantes laicistas e até a crença nos milagres. Obviamente esta série, que tem muitos outros personagens interessantes, comete seus reducionismos ou mesmo erros ao abordar tanta variedade de assuntos. Mas a produção também possui seus méritos e o balanço acaba sendo positivo. Merece, portanto, ser assistida com um mínimo de prudência que qualquer católico é capaz de ter. O autor do post assistiu toda a série pela internet, onde ela esta disponível desde o fim do ano passado, daí sua capacidade para fazer este resumo da mesma.

Destaco novamente a seguinte afirmação: Mas a produção também possui seus méritos e o balanço acaba sendo positivo. Merece, portanto, ser assistida com um mínimo de prudência que qualquer católico é capaz de ter. - cumé? Merece ser assistida? Têm um saúdo positivo?

Aprofundemos então em alguns dos conteúdos da série:

Logo nas primeiras imagens, vemos um papa realmente belo, exibindo seu bumbum nos aposentos papais, tendo sonho erótico. Em sua homilia, ele choca os católicos com um discurso ultra-mega-prafrentex: defende a legalização do aborto e a união homossexual, o uso da camisinha, o hedonismo acima de tudo.

Mas é só um sonho, uma deliciosa ironia: Pio XIII, como era de se esperar pelo nome, é o oposto de tudo isso. À frente da Igreja Católica, endurece as regras para a admissão de seminaristas, e qualquer indício de tendência homossexual não é tolerada. Confunde homossexualidade com pedofilia _que também combate duramente.

(...)

Belardo se inspira no artista pop Banksy e na banda eletrônica Daft Punk para adotar uma linha de marketing em que não mostra seu rosto diante da multidão na praça São Pedro, não permite fotografias, não dá entrevistas. Se imagina como um rock star, mas sua estratégia, aliada a um discurso amedrontador, de que se deve sofrer na Terra para encontrar Deus na eternidade, não dá certo, afugenta os fiéis.

Ao mesmo tempo em que é moderno, faz ginástica e bebe Diet Cherry Coke, Pio XIII é retrógrado. Ao mesmo tempo em que prega os princípios mais arraigados da crença em Deus, vive questionando a existência de Deus. E é capaz de se conectar com Deus. Por meio de suas orações, consegue milagres _e até matar.

Belardo, o papa narcisista que fuma e eventualmente se declara ateu, é o resultado de um trauma da infância. Foi abandonado pelos pais hippies em um orfanato católico aos sete anos. É um personagem rico, profundo, saboroso. Em The Young Pope, não há muita distinção entre o bem e o mal, o divino e o satânico. [1]

Pio XI escreveu sua Vigilanti Cura alertando os católicos sobre o perigo do cinema de sua época (1936):

A cinematografia realmente é para a maioria dos homens uma lição de coisas que instrui mais eficazmente no bem e no mal, do que o raciocínio abstrato. É, pois, necessário que o cinema, erguendo-se ao nível da consciência cristã, sirva à difusão dos seus ideais e deixe de ser um meio de depravação e de desmoralização
(...)
É geralmente sabido o mal enorme que os maus filmes produzem na alma. Por glorificarem o vício e as paixões, são ocasiões de pecado; desviam a mocidade do caminho da virtude; revelam a vida debaixo de um falso prisma; ofuscam e enfraquecem o ideal da perfeição; destroem o amor puro, o respeito devido ao casamento, as íntimas relações do convívio doméstico. Podem mesmo criar preconceitos entre indivíduos, mal-entendidos entre as várias classes sociais, entre as diversas raças e nações. (Vigilanti Cura §20-21)

Quão surpreso não ficaria este Papa ao ver os católiquinhos do século XXI bater palminhas para seriados blasfemos como The Young Pope.