quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Karioshi: Vítimas do Liberalismo

Uma das alas mais desprezíveis do nascente movimento neodireitista é sem dúvida a ala liberal, ou em termos lúdicos Direita Tio Patinhas. Financiados pelo grande capital uma legião de piás de prédio se põe o dia inteiro a militar pela demonização do Estado.

<O Estado é um monstro que devora a liberdade das pessoas, tudo estaria melhor se não houvesse intervenção estatal> - dizem eles. 

O paraíso do livre-mercado pode até convencer idiotinhas no mundinho das abstrações, mas quando confrontado com a realidade concreta, a utopia de terno e gravata se desvanece no ar.

Sem freios à ganancia humana, a dignidade do homem tende a ser cada vez mais desrespeitada em nome do lucro, do culto ao Bezerro de Ouro. Salários baixíssimos, condições de trabalho degradantes, destruição do meio ambiente, eis os efeitos nefastos ignorados pelos defensores do livre-mercado.

Leio hoje a triste notícia sobre o suicídio de uma moça japonesa devido a condições exaustivas de trabalho. Diz a reportagem

<Matsuri Takahashi tinha 24 anos e trabalhava na companhia havia sete meses quando pulou da janela de um prédio onde morava (…)

O caso veio à tona nesta semana, depois da decisão do Ministério do Trabalho japonês de processar a empresa pela morte dela.

O governo chegou a fazer uma investigação e uma varredura na Dentsu para obter informações sobre as práticas de trabalho. Foi determinado que a empresa descumpriu as leis trabalhistas e, portanto, tem responsabilidade legal pela morte da jovem.

(…)

Takahashi havia acabado de se formar na prestigiosa Universidade de Tóquio e expunha as condições duras de trabalho na sua conta no Twitter, onde detalhava jornadas de até 20 horas diárias

A carga horária disparou em outubro de 2015, quando ela só chegava em casa por volta de 5h, depois de ter trabalhado dia e noite. Além disso, ela não teve nenhum dia de folga em sete meses. > 

Sem dúvida uma notícia terrível e, não fosse a investigação policial o caso teria sido abafado afim de não prejudicar a “imagem da empresa”. Este, porém,  não é um caso isolado: 

<As mortes por excesso de trabalho são um problema tão grande no Japão que já existe até um termo para descrevê-las: "karoshi".

(…)

Dados oficiais apontam que mais de 2 mil pessoas se suicidam anualmente pelo estresse relacionado ao trabalho excessivo. >

Eis um exemplo “em pleno século XXI” de como a insaciável busca pelos lucros ceifa vidas no altar do Bezerro de Ouro. E querem nos convencer os liberais que o Estado deve deixar de regular estas questões, e deixar as condições de trabalho numa livre negociação entre o patrão e o empregado sem que o Estado estabeleça condições mínimas.

Sei que depois dessas palavras não vão faltar almofadinhas, piás de prédio, e espécies semelhantes a me acusar de comunista. Na mente deformada destes liberais o mundo é dividido entre esquerda e direita. Respondo repedindo o Catecismo:

<A Igreja pronuncia-se em matéria económica e social, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigem. Ela preocupa-se com o bem comum temporal dos homens, em razão da ordenação do mesmo ao soberano Bem, nosso último fim. (Catecismo da Igreja Católica §2458) >

No mais que fique claro: capitalismo liberal e comunismo são duas aberrações. Se querem uma alternativa a isto procurem ler sobre a DSI (Doutrina Social da Igreja) e o Distributivismo de Chesterton, e fujam do conto do Tio Patinhas.

Um comentário:

  1. Belo texto,o liberal e aquele ser que defende a naturalização do extermínio via capital $$,o que importa e correr dinheiro mesmo que este $ cause danos,será amenizado por aquilo que eles chamam de bem maior $$,vide o caso não muito distante no tempo Samarco e Bento Rodrigues(Mariana-MG).

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