terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Comedores Infinitos


Assustador o que acabo de ler em o Dilema do Onívoro[1] de Michael Pollan: a indústria de alimentos trabalha incansavelmente para desenvolver alimentos não nutritivos e que não sejam absorvidos pelo organismo, de modo que as pessoas o comam apenas por prazer, e possam comer o quanto quiser sem se sentirem cheias, engordarem, ou absorverem nutrientes. É o comer, evacuar, e comer de novo.

Por que isso? Porque para os investidores o setor alimentício tem um "probleminha": demanda pouco elástica. Não importa o quanto aumente a oferta de alimentos, a pessoa têm um limite, ninguém vai comer trocentos bifes só porque a carne ficou barata.

Daí, a ciência é posta a serviço do grande capital afim de bolar um jeito de fazer as pessoas comerem e gatarem seu dinheiro infinitamente com comida.

Como se separou o sexo da procriação, reduzindo-o a seu aspecto prazeroso, assim pretendem fazer com a comida separando-a de seu aspecto natural e nutritivo e transformando em prazer.

Esse aí é só um exemplo dos monstrinhos criados por seu "livre-mercado"....

A economia separada da moral irá criar cada vez mais quimeras deste tipo.

Tenho medo do futuro...
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[1] POLLAN, Michael. O Diliema do Onívoro; p. 79-80: <O  amido resistente, a última novidade nessa lista de ingredientes, suscita atualmente o entusiasmo dos que refinam o milho. Eles encontraram um meio de arrancar do milho um novo amido que é quase indigerível. Em princípio, em se tratando de um alimento, não pensaríamos nessa característica como particularmente positiva, a não ser, é claro, que seu objetivo seja contornar de algum modo o limite biológico do que cada um de nós pode comer durante um ano. Como o corpo não consegue quebrar o amido resistente, ele desliza pelo tubo digestivo sem jamais transformar-se em calorias ou glicose – uma grande vantagem, somos informados, para os diabéticos. Quando aos falsos açúcares e às falsas gorduras vierem se somar os falsos amidos, a indústria dos alimentos conseguirá finalmente superar o dilema do estômago fixo: poderemos comer refeições inteiras quantas vezes ou na quantidade que quisermos, já que essa comida não deixará vestígios. Apresentamos a última palavra em consumidor, o – completamente elástico! – comedor industrial.>

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