segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Infidelidade e Castigo


(20ª Semana do Tempo Comum - Segunda-feira 21/08/2017)
Primeira Leitura (Jz 2,11-19) 
Responsório (Sl 105,34-44) 
Evangelho (Mt 19,16-22)

Há uma harmonia admirável, providencial, na liturgia de hoje. Uma mensagem de Deus tão concreta para o nosso mundo hoje que quase é possível tocá-la.

Na primeira leitura e no salmo somos colocados diante da infidelidade do povo de Israel. Abandonou Israel o Deus que os tirou do Egito, e caiu na idolatria, passou a servir os ídolos, conta o salmo que inclusive começou a sacrificar seus filhos aos demônios. Tal qual o antigo Israel, assim o fez o mundo moderno, em sua idolatria do dinheiro, da luxúria, que passa a sacrificar seus filhos em clínicas de aborto e eutanásia, no altar de Asmodeu e Mamon.

Por sua infidelidade, Israel foi entregue as mãos de seus inimigos. Por sua infidelidade o mundo moderno é entregue a mão de seus inimigos. O que é a dominação Islâmica da Europa senão o castigo pela apostasia daquele continente?

A raiz da idolatria? Nos conta o Evangelho: o amor desmedido a esta terra as suas riquezas, a seus prazeres. Recusou o jovem rico a companhia de Jesus em nome das riquezas. Despreza o homem moderno os mandamentos de Deus em nome das riquezas e dos prazeres do mundo. Em nome das riquezas, dá de ombros ao descanso dominical. Em nome das riquezas mata seus anciãos e sacrifica a vida de seus filhos. Em nome das riquezas prostitui sua Fé, vende a sua dignidade, trai a aliança para com Deus. Mesmo a heresia tem raízes no amor desmedido a esta terra. Que querem os hereges? Agradar os poderosos, receber os aplausos do mundo.

Deus, porém, suscitou em Israel juízes para pastorear o povo. Na Igreja, suscitou santos, entre eles o grande São Pio X, cuja memória hoje celebramos. São Pio X, um humilde guardador de porcos, tornou-se pároco, bispo, cardeal, papa e santo. Combateu a heresia modernista, enfrentou de peito aberto o mundo moderno maçônico. Mas, diz a escritura, que com a morte dos juízes, retornou o povo a praticar abominações ainda piores. Com a morte de São Pio X, retornaram muitos homens da Igreja ao câncer modernista, praticando abominações ainda piores... O que pressupõe que virá um castigo ainda pior, como veio para Israel.

É tempo de penitência, conversão e, combate. Combate heroico e tenaz contra a idolatria, sob o lema de São Pio X: “Restaurar todas as coisas em Cristo” .

sábado, 19 de agosto de 2017

A Simplicidade Perturbadora de Aparecida



“Maria foi exaltada acima de todos os coros dos Anjos, e acima de todos os Santos do Paraíso, como Rainha do Céu e da Terra” [1]

No contexto desse ano, na proximidade da festa da Assunção (que no Brasil foi transferida do dia 15 de agosto para o domingo próximo) lia eu o pequeno livreto (pouco mais de 40 páginas) de Fred Jorge: Aparição e Milagres – Nossa Senhora Aparecida; uma “relíquia” publicada a mais de meio século. 

Como nos ensina a escritura, Deus tem uma preferência especial pelos pobres e pequeninos, e os muitos milagres atribuídos a Virgem Negra de Aparecida ilustram de forma esplêndida tais ensinamentos. Em meio a tantas batalhas e conflitos políticos que varriam o século, quis a Virgem se manifestar a rudes pescadores, em um episódio um tanto quanto “tolo” para a consternação dos sábios do mundo. A pesca milagrosa no Paraíba, faz eco ao episódio do primeiro milagre do Messias onde, atendendo a pedido de sua Santíssima Mãe, manifestou sua divindade em meio a simplicidade provinciana de uma falta de vinho em um casamento local. Uma simplicidade perturbadora, mistério para os homens, loucura para os sábios segundo o mundo, alegria para os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos Céus.

Na pesca da imagem, veio por primeiro o corpo, seguido da cabeça. Segundo o Pe. Paulo Ricardo, temos aí mais um sinal de Deus que bem conhece a psicologia dos povos: o corpo, o coração. O sentimental povo brasileiro será atraído ao Cristo, por intercessão de Maria, primeiro através de seus sentimentos, seguido depois pela razão, que unirá a cabeça ao corpo, fechando o caminho de conversão. Trajetória essa estranha, igualmente espantosa, espantosa ainda hoje 300 anos depois. Lia eu no jornal local o artigo de um seminarista a resmungar um “exagero mariano” de uma suposta “Mariolatria”, combatida com o Concilio Vaticano II. A devoção dos filhos a Mãe, incomodou este jovem seminarista, que repete o brado serpentino protestante. Não compreendeu ele que o Imaculado Coração de Maria aponta ao Sagrado Coração de Jesus, que toda a emoção do povo simples para com a Mãe Aparecida é o caminho seguro que os conduz aos Sacramentos, ao arrependimento na penitência, e ao diálogo íntimo com Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Comunhão.

300 anos das manifestações milagrosas de Aparecida, 100 anos das aparições de Fátima, na proximidade da Festa da Assunção, e o cenário é trágico. A terra consagrada a Virgem, Terra de Santa Cruz, foi infestada de serpentes, a pérfida heresia protestante avança sobretudo sobre os mais pobres e simples, enganando, roubando e perdendo as almas com suas falsificações de milagre. O clero, sociedade consagrada, que devia constituir as fileiras da Milícia da Imaculada, abandona covardemente o campo de batalha, e sob a desculpa do “diálogo ecumênico” entrega as almas dos pequeninos as garras da heresia, e toma parte nos ataques a Senhora. Não é apenas este jovem seminarista, mas tantos padres, bispos e cardeais tomam parte em tal empreitada. Porém, diante de tamanha escuridão as palavras da profecia continuam a ecoar: “Por fim meu Imaculado Coração Triunfará”, para o escândalo dos sábios segundo do mundo, a Mãe Rainha retomará seu a posse de seu Reino, e uma vez mais esmagará a cabeça da serpente infernal, pelas graças infinitas de seu Diviníssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Ó Maria Imaculada, Senhora da Conceição Aparecida, aqui tendes prostrado diante de vossa milagrosa Imagem o Brasil que vem de novo consagrar-se a Vossa Maternal Proteção.
Escolhendo-vos por essencial padroeira e advogada da nossa pátria, nós queremos que ela seja inteiramente vossa. Vossa a sua natureza, vossas as suas riquezas, vossos os campos e as montanhas, os vales e os rios, vossa a sociedade, vossos os lares e seus habitantes, com seus corações e tudo que têm e possuem; vosso enfim, é todo Brasil.
Sim, é Senhora Aparecida, o Brasil é vosso!
Por vossa intercessão temos recebido todos os bens das mãos de Deus e todos os bens esperamos ainda e sempre, por vossa intercessão. Abençoai, pois, o Brasil que vos ama, abençoai o Brasil que vos agradece, abençoai o Brasil que é vosso.
Abençoai, ó Rainha de amor e misericórdia, abençoai, defendei, salvai o vosso Brasil!
Protegei a santa Igreja, preservai a nossa fé, defendei o Santo Padre, assisti os nossos
Bispos, santificai o Nosso Clero, socorrei as nossas famílias, amparai o nosso povo, esclarecei o nosso governo, guiai a nossa gente no caminho do céu e da felicidade.
Ó Senhora da Conceição Aparecida!
Lembrai-vos que somos e queremos ser vossos vassalos e súditos fiéis. Mas lembrai-vos também que somos e queremos ser vossos filhos. Mostrai, pois, ante o céu e a terra que sois a padroeira poderosa do Brasil e a mãe querida de todo povo brasileiro.
Sim, ó Rainha do Brasil, ó mãe de todos os brasileiros, venha sempre mais a nós o Vosso reino de amor, por Vossa mediação, venha a nossa Pátria o reino de Jesus Cristo, Vosso filho e Senhor Nosso. Amem.[2]
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[1] Catecismo Maior de São Pio X; Instrução sobre as Festas da Santíssima Virgem e dos Santos; Segunda Parte – Das Festas da Santíssima Virgem e das Festas dos Santos; Capítulo V – Da Assunção da Virgem Maria, Questão 176. Editora América, 2015.
[2] Aparição e Milagres: Nossa Senhora Aparecida - Fred Jorge, 1954, pág. 41.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Vídeo Games e Nova Ordem Mundial

Os jogos de videogame são em si um entretenimento neutro, podem ser ocasião de saudável diversão se usados a partir da virtude da temperança, mas também podem ser utilizados pelos engenheiros sociais como forma de controle de massas. Em minhas observações identifiquei três formas nas quais os videogames têm servido aos interesses dos “grandes figurões”:
1)Alienação-Distração:

Os vídeo games pode ser ocasião de alienação e distração das coisas que realmente importam. Quantos não são os que se esquecem da vida para dedicar-se exclusivamente ao “mundo virtual”? É comum ouvirmos relatos de marmanjões barbudos com mais de 30 anos, gordos e sedentários, sem emprego ou sentido na vida, que tudo o que fazem é jogar. Tal estereótipo tema de piadas e filmes, se torna cada vez mais numeroso e real.

Além disto, quantos não fecham os olhos para busca da verdade,  fazem pouco caso da luta entre o bem e o mal, a verdade e a mentira, a virtude a impiedade, para se dedicar a lutas e duelos virtuais. O instinto de luta, de conquista e aventura do homem é assim domesticado, desviado para longe daquilo que realmente importa.

2)Transmissão de Ideias Iníquas:

A ficção é um importante meio de transmissão de ideias. Toda história, filme, série e mesmo um jogo de videogame está fazendo uma pregação, transmitindo uma cosmovisão; por trás sempre há um discurso. Entretanto nem sempre estão os homens conscientes disto e, no consumo do entretenimento acabam absorvendo e aceitando facilmente ideias contrárias à seus princípios, que se expostas de forma lógico-discursiva seriam ostensivamente rejeitadas.

Lembro-me que a série de jogos Final Fantasy incrustaram em meu imaginário infantil a ideia de que existiria uma espécie de "magia boa"; o que e me levou a alguns anos perdidos nos abismos do ocultismo (dos quais graças a Deus, escapei).

Cito o caso de um outro autor, que demonstra como o jogo Final Fantasy X alimentou seu ódio contra a Igreja Católica, incentivando-o ao caminho do ateísmo:
A fé indiscutível na Igreja de Yevon mostrada em Final Fantasy X e como posteriormente ela é desmascarada como um farsa foi algo marcante para o garoto de 15 anos, vindo de uma família católica, e que se via descrente de tudo aquilo que lhe havia sido ensinado desde pequeno.
(…)
A abordagem que Final Fantasy X faz de assuntos como fé vs ciência, a evolução da sociedade e o preconceito contra aqueles que nos são diferentes continuam sendo relevantes e postas como algo que nos faz refletir… entre uma partida de Bliztball e outra. [1]
As insinuações perversas nem sempre são tão discretas, por vezes são abertamente manifestas, como no jogo Assassin’s Creed: Brotherhood, por exemplo, onde a missão do protagonista é nada menos do que assassinar o Papa, retratado como grande vilão da narrativa.


3)Controle Social:

Além disto, os videogames têm atraído a intenção dos governos totalitários como um poderoso meio de engenharia social; na China está sendo desenvolvido  o "jogo do bom cidadão", um refinado processo de programação social sob máscaras de entretenimento:



Conclusão

Os videogames podem converte-se de um entretenimento saudável numa poderosa arma de engenharia social, não são poucos os jogos instrumentalizados a este fim, o intuito deste artigo não é demonizar tal forma de entretenimento, mas exortar o jogador a usar da prudência, temperança e ser crítico quanto a que mensagem o jogo lhe está transmitindo, e a que papel o videogame ocupa em sua vida, se de mero passatempo, ou ao contrário, tem-se convertido em um ídolo.

*Artigo originalmente publicado em 20  julho de 2016 no Instituto Shibumi.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Punhos em Defesa da Fé

Beato Pier Giorgio Frassati
Todas as sociedades elegem e destacam certos modelos de comportamento a serem imitados, assim o é desde as sociedades primitivas, passando pela luminosa Idade Média, até as trevas da modernidade (como bem explica o finado professor Orlando Fedeli).

Aos cristãos, sobretudo aos católicos, Cristo é o homem perfeito, Aquele que deve ser cultuado, adorado, e também imitado. Entretanto, não raro surgem algumas dificuldades: <Como eu, pobre pecador posso imitar o Filho Unigênito de Deus?>; <Como viver o Evangelho passados mais de dois mil anos?>. A Santa Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, desde há muito respondeu tais objeções com a veneração prestada aos santos. Que é um santo? Além de um intercessor, é um modelo, e um vitral; um modelo da vivência do Evangelho, um vitral que reflete as virtudes de Cristo e apontam com sua vida para o Senhor. 

O Beato Pier Giorgio Frassati (“Pedro Jorge” se preferir tradução rsrs) é um destes luminosos modelos que nos aponta a Cristo; sobretudo um modelo aos jovens leigos da vivência do Evangelho “no mundo”. Nascido em uma classe burguesa, de pai maçom, tinha ele tudo para ser mais um “playboy” aburguesado, escolheu, porém, caminhos diametralmente opostos ao Espírito Burguês que possuía os ambientes familiares. 

“Eucaristia e os Pobres” foram o centro da espiritualidade deste jovem leigo, que dedicava horas e horas a adoração eucarística, no serviço aos pobres, na caridade direta e calorosa, e também no ativismo político, o qual militou pelo Reinado Social de Cristo, na contramão da ideologia liberal do pai, da degeneração socialista e da praga fascista.. 

Frassati não hesitava usar até mesmo os punhos para defender sua Fé, como nos conta o Pe. João Piasentin:
Terminado o congresso de Ravenna, foi a Roma para participar do Congresso da Juventude Católica Italiana.

1 de setembro de 1921, data marcante na história da Igreja na Itália e, também na vida de Pedro Jorge Frassati.

Cinquenta mil jovens católicos de toda a Itália se reuniram na Praça de São Pedro para uma grande passeata a fim de afirmar o grande ideal: Jesus Cristo, Salvador do mundo. O governo massônico temia este tipo de manifestações públicas. O liberalismo dominante era contrário aos princípios inovadores da Igreja.

Os jovens católicos queriam afirmar com ímpeto a presença dos católicos italianos na reforma da sociedade.

Proibido o encontro no Coliseu, foi transferido para a Praça de São Pedro com Santa Missa celebrada por Monsenhor Pini. A passeata devia concluir-se no Monumento ao Soldado Desconhecido.

Pedro Jorge sentia-se feliz entre tantos jovens provenientes de toda a Itália.

Com o berrete universitário na cabeça e nas mãos a bandeira do Círculo Cesar Balbo, com a liderança que lhe era natural aconselhava: “Vede bem o que fazeis. Para combater certos sistemas não devemos ser nós os primeiros a usá-los”.

O Papa Bento XV recebeu os 50.000 jovens nos jardins do Vaticano impartindo-lhes sua bênção apostólica.

Em seguida iniciava-se a grande passeata.

Elementos perturbadores intrometem-se e se generaliza uma luta a socos e pancadaria.

Os jovens católicos procuravam defender-se mas chegaram os guardas régios batendo com armas nas costas dos jovens.

Um guarda foi acima de certo jovem franzino, Pedro Jorge interveio em sua defesa com os poderosos socos de sua juventude vigorosa.

Superando o primeiro choque, ao chegar a passeata perto de Santa Maria em Varicella as tropas, por ordem da massonaria, fizeram uma barreira que foi também superada pelo ímpeto dos 50.000 jovens.

Na Praça Argentina os esperava uma segunda barreira com cavalaria, obrigando desviar a passeata para a Rua Plebiscito, quando outros guardas régias se lançaram acima dos jovens com a ordem de tirar-lhes as bandeiras e destruí-las.

Iniciaram o assalto.

Os jovens se defendiam de todos os modos.

Lacerada a bandeira de Trento, avançaram para a bandeira do “Cesar Balbo”.

Quebrada a haste, Pedro Jorge segurou a bandeira com os dentes e com a haste defendeu-se contra 3 guardas régias que queria arrebatá-la.

No fim foram todos levados presos no jardim do Palácio Alfieri. Ele não cedeu a bandeira, símbolo do seu ideal e de sua fé.

Por ordem de chegada dos jovens, ele os acolhia com abraço fraterno agitando a bandeira em farrapos. Tranquilo e sereno encorajava os colegas apavorados.

Entre os presos havia um sacerdote com batina toda rasgada e a face ensanguentada. Continuaram os maus tratos sob os protestos dos jovens, mas os guardas continuaram a bater.

Pedro Jorge, indignado diante daquele cruel comportamento, se lançou contra um tenente.

Então houve o seguinte diálogo:

– “Qual o teu nome?”
– “Pedro Jorge Frassati”
– “Quem é teu pai?”
– “Alfredo Frassati”
– “Qual sua profissão?”
– “Embaixador da Itália em Berlim”
– “Pedimos-lhe desculpas. Pode sair já”.
– “Sairei com todos os outros”.

Jamais se aproveitara do fato de ser filho do embaixador.

Depois se ajoelhou no chão junto ao sacerdote ferido. Os outros o imitaram. Com o rosário numa mão e a bandeira na outra, disse: “Jovens, por todos nós e por aqueles que nos bateram, rezemos”.

Na parte da tarde todos foram liberados.

Várias tentativas de assalto ao grupo Pedro Jorge encontraram a resposta dos seus vigorosos músculos.

No dia seguinte, os 50.00 jovens católicos participaram na Praça de São Pedro da Santa Missa celebrada pelo Santo Padre Bento XV.

Unidos no Pão da Eucaristia, agradeceram a Deus e reafirmaram a vontade de lutar para um Itália unida na fé cristã e na promoção dos pequeninos.

Aos que perguntavam sobre o acidente respondia: “Nos trataram mal, mas respondemos com a reza do rosário”.

Não condenava a ninguém, mas manifestava alegria íntima de ter sofrido pela causa de Cristo.

Digno de nota o seguinte episódio:

Ao sair da Basílica de São Pedro, um numeroso grupo de fascista atacou os poucos jovens que serravam fileira ao redor da bandeira do “Círculo Cesar Balbo”. Pedro Jorge salvou a bandeira odiada com seus músculos fortes e rijos.

Retomado o caminho, aproximou-se um jovem franco e leal que confessou: “Vi a cena. Se quiserdes eu vos acompanharei e defenderei aqui em Roma com muita alegria. Vós mereceis. Também, eu, outrora participava de vossa fé”.

Era um jovem comunista, Pedro Jorge lhe murmurou aos ouvidos: “Há Deus, que nos defende e nos dá força. Dará também ao senhor, a graça de volta a fé. Nós rezaremos muito!”

No coração de Pedro Jorge acendeu-se mais vivamente o amor ao Papa e gritava com todo vigor: “VIVA O PAPA!”

Cansados, doloridos pelas pancadas recebidas, sem voz, voltaram para casa, porém, alegres com o sabor da vitória.

No trem, quando os jovens, tomados de cansaço, tentavam dormir, ele convidou-os: “Agora, juntos, vamos rezar as orações da noite”.

Em Turim, a quantos o elogiavam relatando o que a imprensa escrevera, respondia: “Cumprimos nosso dever. Quando Deus está conosco, nada devemos temer”.

De fato, em Pedro Jorge se manifestava a juventude ativa do catolicismo. Possuído pelo amor ao Cristo sentia-se mobilizado para a causa da redenção da classe dos obres e dos valores evangélicos para uma sociedade fraterna.

Pedro Jorge resistiu bravamente aos desequilíbrios do mundo egoísta e materialista, rejeitou firmemente as disformes configurações plasmadas por uma sociedade liberal massônica, sobrepujou valentemente as múltiplas circunstâncias levianas pelas quais tentavam entravar seu caminho retilíneo e franco de renovação evangélica e desarticulou energicamente todos os preconceitos que visavam vinculá-lo ao consórcio dos covardes. 
A leitura de sua biografia tem sido para mim uma feliz fonte de inspiração e espanto. Ao ver as admiráveis obras deste rapaz em idade próxima a minha, bem como em um tempo histórico recente; fico perturbado com minha mediocridade e animado a deixar cada ranço de “molenguisse” e covardia que ainda resta do “homem velho”. Creio eu que tal leitura terá efeitos semelhantes para com o leitor, por conta disto indico a leitura da obra “Eucaristia e os Pobres” e a devoção a este grande homem de Fé.

Beato Pier Giorgio Frassati, rogai por nós.

Nota: Existe também um filme italiano retratando a vida de Frassati: “Se Non Avessi L'Amore” (segue abaixo), porém, o diretor não foi muito feliz em traduzir a vida do beato para o cinema, a película é bem “sem graça”.

domingo, 6 de agosto de 2017

Padres, nazistas, exorcismo, beadões e parapsicologia: Vatican Kiseki Chousakan – Uma crítica católica

(No momento em que escrevo este texto a série encontra-se no seu quinto episódio, sendo que a primeira temporada irá contar com 12, e o arco introdutório foi finalizado no episódio 4, mas creio que com o que foi mostrado já é possível ter uma ideia dos rumos que o anime tomará)

O Japão não é um país cristão; herdeiro de um passado pagão foi introduzido na hipermodernidade pelo trauma nuclear. Os católicos japoneses, constituem uma pequena parcela da população com pouca influência sob a indústria cultural; daí deriva o fato de, no mais das vezes, a grande maioria dos animes serem profundamente problemáticos. Problemáticos em que sentido? Problemáticos no sentido de abusarem de roteiros gnósticos e supersticiosos, personagens impudicos, estereotipados e sexualizados, abordarem temas como sodomia, incesto, além de cenas de extrema violência gráfica (este é o menor dos problemas, mas é normalmente o mais lembrado pelas “Tias de Colégio”), problemas estes que se acentuam quando há alguma referência a Igreja nestas obras, onde se abusam de calúnias e mentiras difamatórias. É o caso de Hellsing, Chrono Crusader, Full Metal Alchemist entre outros.

Vatican Kiseki Shousakan (ou Vatican Miracle Examiner se preferir o título em inglês) foge (ou tenta fugir), surpreendentemente, deste padrão. Ao longo dos quatro primeiros episódios que constituem o primeiro arco do anime, podemos ver uma rica explicação sobre a teologia do Livro de Jó, comentários sobre a morte heroica dos mártires e até citações a respeito da Pequena Via de Santa Terezinha do Menino Jesus. Padre Hiraga e padre Roberto Niccolas são os especialistas do Vaticano encarregados de examinar alegados milagres, afim de discernir se de fato tem uma causa sobrenatural ou se constituem farsas e superstições, sendo o primeiro caso retratado uma dita gravidez virginal. Ao longo da trama, o mistério cresce: imagens que choram, estigmas e possessões demoníacas apimentam a história. Porém, no melhor estilo Scooby Doo, vão pouco a pouco sendo rastreadas as causas humanas dos supostos acontecimentos preternaturais.

Para mim, um brasileiro, nascido em um país extremamente supersticioso, superstição que por vezes ecoa até mesmo na mente de alguns clérigos, foi uma grande felicidade ver a cautela e a frieza científica dos protagonistas antes de dar o milagre como certo, buscando separar minuciosamente a verdade da mentira. Se Padre Quevedo assistisse desenho, estaria dando saltos de alegria rsrs.



A obra também tem seus problemas: usa de alguns clichês anticatólicos. Não, a obra não é anticatólica, na luta do bem contra o mal, da verdade contra a mentira, vemos a Igreja, representada pelos padres Hiraga e Roberto, do lado correto, mas, entre os vilões temos padres pedófilos e nazistas (porém, vale dizer que eram “falsos católicos”, que adoravam o demônio e praticavam espiritismo/necromancia enquanto se disfarçavam sob a batina). Japonês adora associar a Igreja Católica ao nazismo, ecoando o mito do “Papa de Hitler”, só que, não era o Vaticano que lutava ao lado do Eixo na Segunda Guerra, mas sim os amarelos de olhos puxados, enquanto isso o Papa Pio XII, fundamentado na teologia de Santo Tomás de Aquino, conspirava o assassinato de Hitler e acolhia judeus no Vaticano; ao invés de projetar suas culpas na Igreja, deviam os japoneses fazer sua própria mea culpa.

Outro problema da obra: insinuações Yaoi. Que raios é isso? Yaoi é um mangá de beadões. Japonês e sobretudo japoneizinhas pevertidas criaram subgêneros romântico-sodomitas, Yaoi seria entre beadagem e Yuri sapatices. O anime, felizmente, não possui cenas pornográficas nem romances pecaminosos, mas o traço afeminado de alguns personagens (Hiraga, Lauren) imita o estilo usado nos yaois, bem como há cenas onde os personagens mostram uma proximidade que poderia ser interpretada tanto com inocência, quanto com perversidade, uma espécie sútil de piada de duplo sentido, mas profundamente incômoda. Assim, de certo ponto de vista a blasfêmia de Hellsing se torna até mais assimilável que a suavidade de Vatican Kiseki Shousakan, se Alexander Anderson é um vilão sanguinário, psicopata e doentio, ao menos exala masculidade, diferente da dupla Hiraga-Roberto, heróis bonzinhos, “fofinhos” e afeminados.


Com seus méritos e deméritos, não creio se tratar de uma obra católica, mas tampouco de uma obra de difamação vulgar, existe muita coisa pior, sobretudo no mercado japonês.

O que pensa o leitor (manifeste-se nos comentários)? Para mim, essa sútil beadagem da série animada já se tornou incomoda o suficiente, motivo pelo qual não postarei mais os links dos demais episódios no BunKer, embora continue a acompanhar por motivos de estudo (sobre o tema das dinâmicas relações entre a Igreja e a Indústria Cultural no contexto das guerras culturais). 

Diz a sabedoria facebookiana: otaku fedido não é gente; já meu amigo Augusto defende que o entretenimento japonês não passa de “guloseimas culturais”, de modo que quem sobrecarregar a imaginação com essas coisas irá acabar doente, diabético e malnutrido. Este católico fanático arqui-tradicionalista retrógado integrista ultramontano é obrigado a concordar: o entretenimento japonês é profundamente problemático, e mesmo seus melhores achados guardam uma profunda perversão...

***

Já que mencionei o Padre Quevedo lá em cima, aproveito para divulgar o trabalho de meu amigo Mário Umetsu. No seu canal Sugestão Católica, Mário tem se esforçado por difundir o legado do Pe. Quevedo e os ensinamentos da Parapsicologia de forma extremamente didática e bem-humorada. O termo “beadagem” também foi cunhado por ele, então fica essa propaganda como um pagamento de direitos autorais rsrs.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Eixo Rio-Hollywood-Tóquio e as dinâmicas da Guerra Cultural

Rio de Janeiro-Hollywood-Tóquio, este é o eixo de difusão de ideias via entretenimento cujos ecos ressoam na mente do brasileiro. Vez ou outra ecoa aqui alguma coisa da “zoropa”, mas só depois de ter batido carimbo no Tio Sam.

Do Rio de Janeiro, do Projac, saem as degenerações nacionais da Rede Globo, regadas pelo substrato pseudo-intelectual das universidades brasileiras, como a USP e a UFRJ, difundindo pós-modernices que atingem as massas, de modo especial, as classes mais baixas, na forma de novelas, minisséries e programas "inteligentinhos" (estes mais ao gosto de classe média) como a dona Fátima Bernardes.

O entretenimento estadunidense (e o europeu com carimbo do Tio Sam) influi mais sobre as classes médias e altas. Chega via TV paga, cinema e Netflix. É artisticamente superior as produções nacionais, mas igualmente meio de difusão de uma filosofia antropocêntrica, pós-moderna, globalista e anti-católica. Além de gestar degenerados, o entretenimento americano causa a doença do viralatismo e dá ao consumidor uma falsa sensação de superioridade por consumir uma droga mais refinada.

Por fim, o entretenimento japonês, que atinge uma pequena parcela da população brasileira, sobretudo jovens com acesso à internet e tempo de ócio, um entretenimento igualmente problemático, mas, de natureza um tanto quanto diferente dos anteriores. Se a indústria cultural nacional e estadunidense estão comprometidas e submetidas ao projeto de poder novordista-marcusiano, o entretenimento japonês, por sua vez, é a expressão de um povo espiritualmente doente que busca na fantasia gnóstica a fuga do trauma advindo do pós-guerra.

Sob estes três pólos não têm a Igreja nenhuma influência, o que explica porque de difundirem degenerações. No caso dos dois primeiros (Rio-Holywood), temos uma estrutura abertamente hostil e inimiga da Fé e dos valores católicos, comprometida um projeto de poder que visa a destruição do cristianismo e sua assimilação em uma espiritualidade new age híbrida e sincrética. No caso do terceiro (Tóquio) temos uma terra que não foi evangelizada de forma satisfatória, que guarda as chagas de um passado pagão clássico e o parasita gnóstico-moderno em alto grau de desenvolvimento.

Poderia o leitor acusar-me de simplismo, aceito a acusação. Realmente, este esquema dos eixos culturais é demasiado simplista, mas é um simplismo com fins pedagógicos. É certo, por exemplo, que pólo norte-americano é palco de uma guerra interna entre o projeto novordista-marcusiano e um projeto nacionalista-neocon (resíduo da fase anterior da revolução); certo é também que para além das produções televisivas e cinematográficas há a influência de cada um destes pólos culturais no mundo da música, e em menor grau, por meio da indústria dos quadrinhos e livros pops; mas por agora fiquemos com o modelo inicial afim de extrairmos dele algumas consequências.

Como não há na atualidade uma "potência cultural" católica, sendo as manifestações dos filhos Igreja na cultura pop raríssimas, constituindo quase que uma subcultura, inevitavelmente o católico brasileiro será consumidor dos produtos culturais advindos destes três pólos, a menos que magicamente surja do “nada” uma nova indústria cultural católica com pretensões globais, coisa está não muito provável no curto e médio prazo. Neste cenário, o caminho para a lida do católico com a cultura pop é apenas um: não “seje” trouxa, ou em linguagem bonitinha: não seja um consumidor passivo, mas um espectador crítico. Jamais sente na frente da TV e torne-se refém do que “está passando”, da programação previamente escolhida e desenhada pelos donos de uma emissora anti-cristã; não invente de assistir uma série só porque "todo mundo está comentando", a popularidade em uma cultura pagã-mundana nunca é um guia seguro. Faça uso da crítica, e de um apurado discernimento, selecione previamente e detalhadamente o conteúdo que vai consumir, do contrário, vai assistir porcaria e ter a cabeça envenenada por degenerações.

A tudo isso junta-se mais uma dificuldade: não existe em nosso país uma crítica cultural católica. Daí, na hora de avaliar a pertinência de determinado entretenimento vai ter que acabar recorrendo a crítica pagã-mundana para formar seu juízo inicial com relação a determinada obra.

Sim, a coisa é feia, e do ponto de vista da guerra cultural estamos anos atrasados. Mas choramingar não adianta; já passou da hora de abandonar a passividade e ingenuidade infantil e encarar as coisas como são. A vitória no campo político-institucional depende antes de uma vitória hegemônica do campo cultural, e neste front, nós filhos da Igreja estamos perdendo de lavada.