domingo, 21 de janeiro de 2018

Da Estudiosidade e o vício oposto: a Curiosidade


Que entendeis por estudiosidade, segunda virtude anexa à temperança, sob a influência da modéstia?
A que preside e modera a afeição ao estudo e ao desejo de saber (CLXVI, 1).

Como se chama o vício oposto?
Curiosidade (CLXVII).

Em que consiste?
No desejo imoderado de saber o que nos não interessa, ou o que nos pode ser prejudicial (CLXVII, 1, 2).

Comete-se este pecado com muita freqüência?
Sim, Senhor; quer na aquisição de toda classe de conhecimentos, quer na daqueles que só podem servir para procurar prazeres para os sentidos e fomentar as paixões (Ibid).

Logo, é pecado de curiosidade a afeição desmedida à leitura, sobretudo à leitura de novelas e romances, o assistir a festas profanas e espetáculos como teatros, cinematógrafos e outros do mesmo gênero?
Sim, Senhor; e costuma ser também pecado de luxúria e sensualidade. 

R. P. Tomás Pègues, O. P. - A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo;; Segunda Parte - O Homem procede de Deus e para Deus deve voltar; Segunda Secção: Estudo concreto dos meios que o homem deve empregar para voltar para Deus.; LV - Da Estudiosidade. - O vício oposto: a curiosidade

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

"Não levantarei a mão contra o meu senhor, pois ele é o ungido do Senhor"


2ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Sm 24,3-21)
Responsório (Sl 56(57),2-4.6.11(R/.2a))
Evangelho (Mc 3,13-19)

Vivemos em nosso país uma época de colonização ideológica onde, após o anos de fuzarca dentro da Igreja promovidas por parte da esquerda, a direita, filial do partido republicano, entra de vez na guerra cultural, ludibriando e iludindo os católicos. Movido por tais artimanhas ideológicas, não é raro vermos uma atitude de rebeldia e desrespeito para com a autoridade eclesiástica; seja paroquial, diocesana, ou mesmo o próprio Papa. Por mais que se divirja do pensamento do Sumo Pontífice, ou que este, hipoteticamente, venha a ser o pior dos pecadores, ainda assim, por conta da unção e do ministério que recebeu, lhe é devido o respeito e a reverência por parte de todo o fiel. A liturgia de hoje muito nos instrui sobre o respeito devido a autoridade religiosa, Saul inicia uma infundada perseguição contra Davi, a este, é dada uma oportunidade de ouro: matar Saul e finalmente assumir o trono de Israel, mas o que faz Davi?

<Mas logo o seu coração se encheu de remorsos por ter feito aquilo, e disse aos seus homens: “Que o Senhor me livre de fazer uma coisa dessas ao ungido do Senhor, levantando a minha mão contra ele, o ungido do Senhor”. Com essas palavras, Davi conteve os seus homens, e não permitiu que se lançassem sobre Saul. Este deixou a gruta e seguiu seu caminho. (1Sm 24, 6-8)>

Pensemos nisto, e moderemos nossas palavras com respeito aqueles aos quais o Senhor ungiu.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

RPG Existencial


“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.” 

Com estes versos o gênio português Fernando Pessoa inicia seu “Poema em Linha Reta, talvez hoje, em tempos de Facebook, mais pertinente que outrora. Creio eu que o leitor ao rondar pela timeline de seus “amigos” virtuais deve ter tido a mesma sensação; uma multidão de personagens todos perfeitos, bonitos, ricos e inteligentes, semi-deuses encarnados; é aquilo que meu amigo (sem as aspas) Augusto costuma chamar de Pose, ou se preferirem, a velha hipocrisia burguesa. Todavia, há um fenômeno ainda mais curioso e ridículo que a própria pose, é aquilo que chamo em termos lúdicos de rpg existencial. Em que consiste? Se nosso “poser” está fingindo para enganar os coleguinhas, o praticante do rpg existencial toma seu personagem como fosse real.

Neste jogo existencial, cuja a matéria é a própria vida, o Facebook figura como o principal tabuleiro, é onde nosso jogador expõe suas habilidades e trava suas batalhas virtuais, normalmente sob a forma de “debates” e “shiposts”; a maioria das fichas, porém, é um tanto quanto clichê; temos nosso gênio incompreendido, um intelectual de alto gabarito a analisar e palpitar sobre tudo e todos; há os generais de sofá, novos Mussolini, líderes natos, dotados de planos infalíveis para salvar a nação, quiçá o mundo, pena que há cacique demais para pouco índio, e ninguém dá a mínima aos planos infalíveis de nossos amiguinhos virtuais; poderia citar também a pouco numerosa, porém muito barulhenta, burocracia inquisitorial do Santo Oficio .com, leigos piedosíssimos (ao menos nas fotos cosplay católico vintage) a julgar cada passo da hierarquia eclesial, desde a cor dos sapatos do Papa a validade das canonizações, sempre com um ar de piedosa indignação; e não poderia encerrar esta pequena lista, sem citar nossos economistas de kitnet, especialistas em finanças governamentais, pobres por pura e simplesmente culpa do Estado. Mas, não se engane o leitor diante de aparentes diferenças, nossos personagens possuem muito em comum, levam-se demasiado a sério, tanto que o destino do mundo repousa sobre suas frágeis e delicadas mãos.

Que o leitor, porém, não se precipite, nem sempre o jogo está associado à fakes e pseudônimos (embora este que vos escreve use de tal artificio, ainda assim não me afiguro entre participantes do “game”), mas sobretudo a uma personalidade pré-fabricada com base em estereótipos grupais, grupais, pois, tanto mais divertido é jogo, quanto maior o número de seus competidores; e qual será o prêmio de tal empreitada? Vaidade. 

***
“Arre, estou farto de semideuses! 
Onde é que há gente no mundo?” 


Gente comum, com sua vidinha comum, seu emprego comum, sua comum insignificância diante do curso da história, do governo dos povos e a economia das nações; gente comum, sem ideias geniais ou planos infalíveis; não a gangue da gravata borboleta, não bonde de alta cultura, mas a galera de bermuna e havianas, gente capaz de rir de si mesmo, gente que passa as noites brincando com o gato ao invés de forjar alianças políticas continentais, gente que tem nas mãos não o destino do universo, mas a própria alma, alma esta mais preciosa e valiosa que míseros likes, ou a própria história das nações.

***

Poema em linha reta


Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

"Levantai, ó Senhor!"


2ª Semana do Tempo Comum - Quarta-feira
Primeira Leitura (1Sm 17,32-33.37.40-51)
Responsório (Sl 143(144),1-2.9-10(R/.1a))
Evangelho (Mc 3,1-6)

Nestes últimos dias a liturgia nos convida a meditar a partir do primeiro livro de Samuel; hoje contemplamos o famoso episódio em que o pequeno Davi vence o gigante Golias. Não foi por sua força ou astúcia, pela espada ou pela lança, que Davi conseguiu a vitória, mas pela graça do Senhor, ele mesmo nos disse: <E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos. (1Sm 17, 47)>. Ainda hoje, tantos gigantes oprimem os filhos de Deus, na Índia, pagãos adoradores de demônios tem usado da máquina estatal para oprimir a Igreja; na Venezuela a besta comunista liderada por Maduro tem atacado padres e bispos; diante destes tiranos e seus portentosos exércitos, os cristãos estão acuados, como o pequenino Davi diante de Golias, mas se confiarmos na graça de Deus, a Igreja há de ser vitoriosa.

Rezemos:
Esmagai, Senhor, sob os nossos pés Satanás e toda a sua perversa influencia. Humilhai agora, como em todos os tempos, os inimigos da Vossa Igreja. Revelai o orgulho deles. Mostrai-lhes sua fraqueza. Arruinai as maldosas intrigas que eles planejam contra nós. Levantai, ó Senhor e fazei com que vossos inimigos se dispersem e todos os que odeiam Vosso santo nome sejam postos em fuga. Amém.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Distinções da Gravidade dos Pecados e seus correspondentes Castigos

Têm os mesmos caracteres de gravidade todos os pecados cometidos pelos homens?
Não, Senhor.

A que se atende para determinar a gravidade de um pecado?
A categoria e necessidade do bem de que priva, e à maior ou menor liberdade com que se executa (LXXIII, 1-8).

Merecem castigo todos os atos pecaminosos?
Sim, Senhor (LXXXVII, 1).

Por que?
Porque, todo pecado é usurpação do direito alheio, e o castigo é à maneira de restituição do que injustamente se tomou (Ibid).

Logo, o castigo do pecado é ato de rigorosa Justiça?
Sim, Senhor.

Quem pode impor a pena devida pelo pecado?
Os encarregados de velar pela ordem e pela justiça, contra os atentados do pecador (Ibid).

Quais são?
Primeiramente Deus, depois, a autoridade humana, nos assuntos de sua competência; e, por último, o mesmo pecador (Ibid).

Como pode o pecador castigar o seu próprio pecado?
De duas maneiras; por meio da penitência e do remorso da consciência (Ibid).

Como intervém a autoridade humana?
Impondo castigos (Ibid).

Como pode castigar Deus?
De duas maneiras, mediata ou imediatamente (Ibid).

Quando dizemos que castiga mediatamente?
Quando o faz mediante a autoridade humana ou a consciência do pecador (Ibid).

Por que chamais castigos divinos aos impostos pela autoridade humana e pela consciência do pecador?
Porque a autoridade humana e a própria consciência participam do poder de Deus, de quem são de algum modo instrumentos (Ibid).

Emprega Deus algum outro meio para castigar o pecado?
Sim, Senhor; utiliza as próprias criaturas, que a Ele pertencem e cuja subordinação e harmonia o pecador procura perturbar (Ibid).

Podemos neste sentido dizer que há uma justiça imanente?
Sim, Senhor; e em virtude dela as mesmas coisas inanimadas servem como de instrumento à Justiça divina para castigar o pecado, fazendo padecer o pecador as conseqüências de sua culpa (Ibid).

Que entendeis por intervenção imediata de Deus no castigo do pecado?
Uma intervenção particular e sobrenatural, em virtude da qual Ele mesmo castiga os atentados do pecador contra a ordem sobrenatural por Ele estabelecida (LXXXVII, 3, 5).

Em que se diferencia o castigo imposto imediatamente por Deus, na ordem sobrenatural, dos impostos pelas criaturas?
Em que Deus castiga alguns pecados com penas que durarão eternamente (LXXXVII, 3).

R. P. Tomás Pègues, O. P. - A Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino em forma de Catecismo; Segunda Parte - O Homem procede de Deus e para Deus deve voltar; Secção Primeira: Noções gerais acerca do modo como o homem tem de voltar para Deus; XIII Distinções da Gravidade dos Pecados e seus correspondentes Castigos.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Judaico-Cristão?


O uso do termo "moral judaico-cristã" é errado por três motivos:

1. MOTIVO TEOLÓGICO: Jesus Cristo cumpriu a antiga lei dos judeus, e sendo assim a velha aliança caducou para dar lugar a nova aliança, como diz São Paulo:

Hebreus 8:13: "Assim sendo, ao falar de nova aliança, tornou velha a primeira. Ora, o que se torna antigo e envelhece está prestes a desaparecer.”

Hebreus 8:8-9: "... realizarei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança. Não como a aliança que fiz com os pais deles..."

A nova aliança é com a Israel eterna [Pátria Celeste], da qual a antiga Israel, temporal e terrena, é apenas uma pré-figura. O Deus da antiga Israel era Deus-Pai, porque assim Ele se quis revelar; o Deus da nova Israel é também Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Os judeus que depois de Cristo continuam obstinadamente a praticar a antiga religião caduca rejeitam Deus-Filho, e todo aquele que nega o Deus-Filho por consequência nega o Deus-Pai, pois o Filho é consubstancial ao Pai.

1 João 2:22: “Quem é o mentiroso, senão o que nega que Jesus é o Cristo? Eis o Anticristo, o que nega o Pai e o Filho.”

A religião judaica, que nega que Jesus é o Cristo, é a religião do Anticristo. Então temos um problema teológico em associar a moral católica a essa tal moral "judaico-cristã", pois o antigo judaísmo caducou e o novo judaísmo é anti-cristão.

2. MOTIVO SEMÂNTICO: se tudo o que era moralmente bom da antiga religião dos hebreus foi incorporado ou absorvido pelo catolicismo (e não poderia ser diferente pois o catolicismo é a continuação natural do antigo judaísmo), então semanticamente também temos um problema, visto que moral "judaico-cristã" seria uma redundância. Tudo o que ensinaram os patriarcas e profetas se cumpriu em Nosso Senhor Jesus Cristo; basta então dizer moral cristã, ou melhor ainda, moral católica.

3. MOTIVO IDEOLÓGICO: Não é difícil perceber que esse termo é bastante usado pelas seitas protestantes judaizantes e por "católicos" neoconservadores que apoiam a ideologia sionista. No caso dos protestantes se pode esperar tudo, pois teologicamente são um saco de gatos. No caso de neoconservadores, deixaram de ser católicos quando trocaram o Catecismo pela mídia neocon norte-americana, o Papa pelo Benjamin Netanyahu e a Igreja pelo estado de Israel.

#Marcos Vinicius

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Nossa Senhora e a Conversão dos Judeus

Afonso Ratisbonne pertencia a uma rica família israelita de grande projeção social e muito estimada na cidade francesa de Estrasburgo. Jovem e boêmio, não tinha crença nenhuma e só pensava em festas e prazeres.

Após longa viagem ao Oriente, movido pela curiosidade de conhecer a ‘Cidade Eterna’, resolveu passar alguns dias em Roma. Quando desceu o Capitólio, seu ódio contra os cristãos foi avivado ao presenciar a miséria e a degradação dos judeus do ‘ghetto’ romano.

Tendo já percorrido todos os pontos históricos e artísticos da bela capital italiana, resolveu certo dia visitar um amigo protestante, que há muito tempo não via. Ao entrar, porém, em sua residência, o empregado equivocou-se e levou-o à presença do irmão desse amigo, o barão de Bussières, fervoroso católico, há pouco convertido do protestantismo.

Após alguns minutos de conversa amigável, travou se entre ambos forte discussão sobre religião e subitamente o barão teve uma ideia: lançou lhe ao pescoço uma medalha milagrosa, e, apesar dos protestos de Ratisbonne, disse-lhe que era apenas para testar suas teorias antirreligiosas. Afonso por educação, aceitou o presente e concordou ainda em copiar a famosa oração à Virgem, o ‘Lembrai-vos’.

No dia seguinte, Ratisbonne encontrou-se por acaso com o Barão em frente a igreja de Santo André e, para fazer-lhe companhia, penetrou no templo. Ao cabo de alguns minutos, cansado de esperar pelo amigo que se dirigia à sacristia, o judeu correu a igreja como os olhos para ver se encontrava alguma obra de arte, mas, de repente, uma visão deslumbrante prendeu-lhe a atenção.

Uma senhora de porte majestoso, adornada de roupas alvíssimas e com um manto azul sobre os ombros, mais luminosa do que o sol e olhando-o com inefável doçura, parecia ter os braços abertos inclinados para ele. Sem saber como, o ateu ajoelhou-se junto à balaustrada da capela. Procurou erguer os olhos, mas a Virgem da Medalha levantou por duas vezes a sua mão e colocou-a sobre a cabeça de Afonso, obrigando-o a baixa-la. Nesse ínterim, o Barão de Bussiéres, apreensivo por ter feito seu companheiro esperar por muito tempo, procurou-o pela igreja e viu Ratisbonne de joelhos e imóvel. Impressionado, olhou-o de perto e percebeu que seu rosto estava pálido e banhado em lágrimas. O barão chamou-o e Afonso abraçou-o soluçando e pediu para falar com um sacerdote.

Após alguns dias de instrução religiosa, Afonso Ratisbonne foi batizado solenemente e, quando o padre lhe perguntou o nome, respondeu humildemente: - Maria.

Uma senhora de porte majestoso, adornada de roupas alvíssimas e com um manto azul sobre os ombros, mais luminosa do que o sol e olhando-o com inefável doçura, parecia ter os braços abertos inclinados para ele.

Este fato ocorrido em 1842 não permaneceu isolado, pois devido a conversão de seu irmão Afonso o padre Teodoro Ratisbonne, que há muito pertencia ao redil de cristo, teve a ideia de fundar uma congregação religiosa destinada especialmente a trabalhar pela conversão do povo de Israel.

Unindo seus esforços nesta instituição missionária e movidos pelo mútuo e supremo ideal de salvar as almas, os dois irmãos ficaram imaginando qual o nome que dariam à sua ordem religiosa, fundada sob a inspiração de Maria Santíssima. Debalde procurava o padre Teodoro imaginar um novo título para a Rainha do Céu, quando certo dia, após celebrar a santa missa, ao abrir um livrinho para rezar a sua ‘ação de graças’, a primeira palavra que viu foi: SION (Sião). Esse nome essencialmente bíblico harmonizava-se tão bem com a obra iniciada pelos irmãos Ratisbonne, que logo foi adotado, criando-se assim para a nova congregação o título de Nossa Senhora do Sion. [1]

Pode-se adivinhar a impressão profunda que causou no mundo católico, a repentina conversão deste jovem judeu. Tanto que a Igreja não tardou em declarar, após pesquisa canônica exigente, que a conversão de Afonso foi um milagre obtido pela intercessão da Bem Aventurada Virgem Maria. [2]