quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Pobre Verme


2ª Semana do Advento - Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 41,13-20)
Responsório (Sl 144 (145), 1.9. 10-11. 12-13ab (R. 8))
Evangelho (Mt 11,11-15)

1. É-nos dito hoje na primeira leitura: <Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão e te digo: “Não temas; eu te ajudarei. Não tenhas medo, Jacó, pobre verme, não temais, homens de Israel. Eu vos ajudarei”, diz o Senhor e Salvador, o Santo de Israel. (Is 41, 13-14)>; é bem essa a condição humana, de um pobre verme, um vermezinho...Somos fracos e limitados, todavia se o Senhor estiver conosco, não temos o que temer, Ele será nossa força, nosso amparo, auxílio e proteção.

2. Já no Evangelho, lemos que o Reino dos Céus é dos violentos: <Desde os dias de João Batista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e são os violentos que o conquistam. (Mt 11, 12)>; esta violência,  esta combatividade cristã não é como a dos maometanos que estão dispostos a matar por sua falsa religião, mas é antes a violência dos santos e mártires que estão dispostos a morrer pela Verdadeira Religião. A violência de moldar a si mesmo, de mortificar as paixões, de abandonar a vida de pecado, e dedicar-se ao Reino com toda inteligência, toda vontade, toda alma, todo coração.

A Fé Cristã não é para molengas!

Mas, se somos vermezinhos, como nos é dito na primeira leitura, de que forma podemos nós viver esta santa violência? Com o auxílio da graça! É Deus que nos tira de nossa mediocridade e faz-nos dignos de seu Reino. Imploremos ao Senhor o dom da Fortaleza.

São João Batista, ora pro nobis!

Devaneios Ferroviários

Phantom Train - Final Fantasy VI
Em algum dos jogos da série Final Fantasy, salvo engano em Final Fantasy VI, há um trem fantasma encarregado de transportar as almas dos mortos até sua morada definitiva. Bonita metáfora, não? Se os gregos tinham Caronte, o barqueiro, a viagem ao outro mundo por meio dos trilhos não me parece menos épica. Todavia, hoje, a ferrovia encontra-se fora de moda, os trilhos que outrora colocaram o Brasil na estrada do progresso são vistos como velharia; aqui onde moro, a antiga estação de trem foi convertida em atração turística, e já desde antes de eu nascer não se escuta mais o apito do maquinista. 

O trem é presença quase que obrigatória nas narrativas steampunk; e porque deveria estar ele ausente de um Brasil arqueofuturista? Apostar todas as fichas no transporte rodoviário não é deveras ingenuidade? Acidentes e mais acidentes, bem como os memoráveis engarrafamentos das metrópoles, não são exemplos do fracasso de tal política? Por que não usar dos trilhos para escoar parte da produção agrícola? Por que não fazer uso deles também para o transporte de pessoas a longas distâncias, em viagens interestaduais? O desenvolvimento das hidrovias não deixaria o país menos interessante, bem como o uso de drones, não? Um cenário magnífico, belo, capaz de encantar as crianças, e inspirar bonitas narrativas. Há, porém os lobbies, as politicagens, a corrupção e blábláblá...; toda aquela chatice que impede as grandes ideias de saírem do papel. Deixemos isso aos políticos e pragmáticos, nós porém, homens de ideias, podemos divagar, sonhar, e confeccionar ferrovias imaginárias, alimentar histórias, contos, narrativas, e quem sabe um dia, um destes figurões acabe por sonhar também, e esculpir na história aquilo que registramos no papel. Enquanto isso não ocorre, continuemos nossos devaneios ao som de Villa-Lobos.


Desta forma, de Final Fantasy a Villa-Lobos, encerro, hoje, estes devaneios, afim de, quem sabe um dia,  retomar o assunto em forma de conto.

Estação Ferroviária - Barretos (SP)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: Ensinar e Curar


1ª Semana do Advento - Sábado
Primeira Leitura (Is 30,19-21.23-26)
Responsório (Sl 146 (147) 1-2. 3-4. 5-6 (R. Is 30,18))
Evangelho (Mt 9,35–10,1.6-8)

Lemos hoje no início do Evangelho que: <Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade (Mt 9, 35)>. Ensinar e curar. Posteriormente ao fim Evangelho, Ele envia seus discípulos e dá-lhes a mesma missão: <Por onde andardes, anunciai que o que o Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai. (Mt 10,7- 8)>. Anunciar o Reino, pregar, ensinar; curar os doentes, purificar os leprosos; expulsar os demônios; esta é, ainda hoje, a tarefa da Igreja. Tantos miseráveis e moribundos, de corpo e alma, necessitam de socorro, de cura; tantos homens confusos que necessitam de ensino, orientação; tantas pobres almas oprimidas pelo poder do demônio, seja pelas possessões, seja pela escravidão do vícios e idolatrias; a messe é grande, mas os operários tão poucos... Rezemos hoje pelas vocações, para que o Senhor envie operários para sua messe, mas pensemos também em como podemos nós contribuir para a missão da Igreja, onde nossos talentos são necessários, que tipo de serviço podemos nós realizar, afim de gratuitamente retribuir aquilo que de graça e pela graça recebemos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "Mais vale procurar refúgio no Senhor"


1ª Semana do Advento - Quinta-feira
Primeira Leitura (Is 26,1-6)
Responsório (Sl 117 (118) 1.8-9. 19-21. 25-27a (R. 26a))
Evangelho (Mt 7,21.24-27)

Segundo alguns sociólogos, pode-se dizer que vivemos em uma era conhecida como Modernidade Liquida, tudo torna-se tão fluido, frágil, mutável. Quem quer que edifique sua vida, sua casa, sobre o mar da modernidade, há de afundar. Aquele perfeitamente adaptado ao seu tempo hoje, amanhã estará “ultrapassado”. Se o apego ao mundo há de fazer-nos submergir, tanto mais o apego aos poderosos, as ideologias, a César; conforme nos ensina o salmo de hoje: “Mais vale procurar refúgio no Senhor do que confiar nos grandes da terra. (Sl 117(118), 8)”; vide o caso da Venezuela onde a confiança nos homens, nas ideologias, faz o povo passar fome, e é Igreja, quem se organiza para lhes dar de comer também o pão material; mais vale, afinal, procurar refúgio no Senhor, o próprio Cristo renova este ensinamento, conforme lemos hoje no Santo Evangelho (Mt 7, 21. 24-27); Ele é a rocha firme, se quisermos manter de pé nossas edificações, nossa vida, nossa sociedade, temos de nos firmar Nele e por em prática a Sua Doutrina. Desta forma, como diz uma frase feliz de um autor infeliz, permaneceremos de pé entre as ruínas, do contrário, faremos nós também parte dos escombros.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Arqueofuturismo, Code Geass, e alguns problemas monárquicos

Em artigo recente, defendi eu a necessidade de uma estética arqueofuturista, afim de que, usando da ficção, pudessem os conservadores e tradicionalistas pensar os impactos futuros da restauração das instituições pretéritas. Todavia, seria um simplismo vulgar e tedioso confinar a ficção a um papel apologia ideológica, mesmo no caso que fosse uma ideologia tradicionalista. Tendo isto em vista, gostaria de tecer alguns comentários a respeito do anime Code Geass.

De um modo inexplicável, o poderoso Império Britânico recupera seu antigo esplendor, estabelecendo um império colonial de proporções globais, onde, tal qual a antiga expressão, o sol nunca se põe. Partindo de um novo conceito da indústria bélica, os kinigthmares, a Britânia reduz o Japão a ruínas, a atual da Área 11, onde se desenvolve a maior parte da trama. Humilhados, impedidos de manifestarem sua identidade, sua cultura, suas tradições, tratados como cidadãos de segunda classe, os “elevens”, combatem em uma guerra suicida contra o Império Britânico usando de táticas terroristas. O arcaísmo da trama, fica por conta da instituição monárquica, dos antigos valores coloniais, enquanto o aspecto futurista é manifesta nas épicas batalhas de megazords knigthmares.

Logo no primeiro episódio, a crítica à nobreza é bem evidente; numa das cenas iniciais, o príncipe Clóvis, após um incidente trágico, faz um emocionante pronunciamento; todavia não passara de encenação, toda a tristeza e emoção do governante eram mera pose, um artificio midiático artificial, gravado em meio a seus divertimentos vulgares. Difamação antimonárquica! - dirão os monarquistas, todavia é uma crítica muito válida. Ao longo da história ocidental, grande parte da nobreza viveu de pose, sendo sua virtude mero teatro, teatro de uma elite vulgar e afeminada, tão desprezível quanto a atual burguesia. Se, uma restauração monárquica é adequada, como evitar o renascimento desta mesma cultura cortesã?

A obra aborda também a questão do nacionalismo: por um lado temos representado o nacionalismo xenófobo brithanians, sobretudo manifesto na radical facção purista liderada pelo general Jerimiah; por outro temos o nacionalismo “do oprimido” dos japoneses-elevens, nacionalismo este que acaba sendo superado por Zero, que se coloca como estando ao lado de todos os oprimidos, “brithanians ou elevens”. Um modo bem interessante de se lidar com o tema, diria eu, um modo feliz, superando as velhas categorias dos tempos passados, o roteirista mostra que embora a expressão das culturas nacionais seja em si um direito dos povos, tal nacionalismo não deve se degenerar em bairrismos, impedindo-os de ver a universalidade da luta na qual se encontram os homens. Marxismo! - dirão outros, pois as categorias nacionais são substituídas pela dicotomia oprimido-opressor.

Voltando ao tema da monarquia, por volta do episódio número 07, durante o funeral de Clóvis vemos um entusiasmado discurso hierárquico por parte do imperador Charles Zi Britannian, quase que uma transcrição de certas ideologias em voga, sobretudo nos meios da Nova Direita Européia. Para Charles, embuído de um perverso darwinismo social, os fracos devem ser eliminados para a evolução do corpo social. Uma verdadeira monstruosidade, e não digo isto partindo de preconceitos anti-hierárquicos, mas baseado na reta doutrina cristã: é certo que o igualitarismo é uma ideologia perversa e problemática, todavia, embora a ordem pressuponha uma hierarquia, esta deve ser vista a partir da perspectiva do serviço, sendo temperada pela caridade. Assim aqueles que estão nas altas hierarquias, o estão para servir e contribuir para o bem comum, respeitando as leis eternas e a dignidade de todos os homens, inclusive os mais fracos e pequeninos.

São estes alguns dos pontos mais interessantes do anime que, todavia, não é uma boa obra. Além do fato de que a perspectiva católica inexiste na narrativa, sendo substituída pelo velho veneno gnóstico, temos personagens pouco trabalhados, o incômodo clichê da escolinha, bem como problemáticos e abundantes mimentos de fan service...

De todo modo, Code Geass tem o mérito de trazer a tona algumas boas reflexões para além do mundo das fadas, sendo um feliz exemplo do paradigma arqueofuturista, que creio eu, ser tão necessário hoje aos tradicionalistas e conservadores.
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Notas:
O áudio incorporado neste vídeo foi gravado por Doomentio.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Reflexões da Sagrada Escritura: "Glória in excélsis Deo"


33ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Mc 4,36-37.52-59)
Responsório (1Cr 29,10-12)
Evangelho (Lc 19,45-48)

A semana se aproxima de seu fim, de forma que a meditação litúrgica sobre os livro dos Macabeus vai se encaminhando a sua conclusão. Na primeira leitura, vemos que imediatamente após a vitória, os israelitas, liderados pelos irmãos Macabeus, procedem os ritos de purificação do Templo. O local destinado ao culto divino fora profanado pelos pagãos, fazia-se pois, urgente, desagravar tais atos, e reconsagrá-lo ao Deus Altíssimo. No responsório, cantamos louvores a glória e ao poder de Deus, com o auxilio da primeira carta São Paulo aos Coríntios, já, no Santo Evangelho, estamos diante do episódio em que Nosso Senhor Jesus Cristo, manifesta sua santa ira, expulsando os vendilhões do templo.

O zelo para com o templo, o zelo pela glória de Deus, é sobretudo este o ensinamento de hoje. Dias atrás, discutia eu com alguns amigos se, até que a Igreja resolvesse a bagunça ocasionada pelo Vaticano II, poder-se-ia improvisar um placebo político para o Brasil, talvez algum tipo de nacionalismo ou ideologia de Estado; vaidade das vaidades. O Estado é como a Lua, recebe suas luzes do Sol, que é a Igreja, é preciso, pois, que nós católicos, expulsemos do templo os traidores, hereges, modernistas e apóstatas, sem isto, qualquer especulação política está condenada ao fracasso. Aos domingos, cantamos: <Glória in excélsis Deo, Et in terra pax homínibus bonae voluntátis.> ; só haverá paz, verdadeira paz, onde Deus for honrado e glorificado.