sábado, 17 de fevereiro de 2018

''Reerguerás as ruínas antigas''


Sábado depois das Cinzas 
Primeira Leitura (Is 58,9b-14) 
Responsório (Sl 85) 
Evangelho (Lc 5,27-32)

Diz-nos hoje o Senhor pela boca do profeta Isaías, para aquele que anda em Seus caminhos: <Reerguerás as ruínas antigas, reedificarás sobre os alicerces seculares; te chamarão o reparador de brechas, o restaurador das moradias em ruínas. (Is 58, 12)>; a Fé não apenas restaura o homem, curando-lhe suas feridas, saciando sua alma, como vimos no Evangelho com a conversão de Levi o publicano, mas também ela possui um gigantesco efeito civilizacional.

Segundo um autor infeliz: “Uma única coisa deve importar ao Homem: permanecer de pé entre as ruínas”; diferente deste pagão, que fica a choramingar o mundo de outrora, o cristão, como nos ensina Isaías, se coloca a restaurar e reconstruir a Cidade Antiga; pois é o Evangelho a seiva vivificante do que restaura e purifica a tradição dos povos. 

A modernidade é a peste que corrói nossa civilização, a tradição é a cura; tradição esta purificada nas límpidas águas do Santo Evangelho.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

''Sabeis qual é o jejum que aprecio?''


Sexta-feira depois das Cinzas
Primeira Leitura (Is 58,1-9a)
Responsório (Sl 50)
Evangelho (Mt 9,14-15)

Poucos dias atrás, na Quarta-Feira de Cinzas, realizamos nós o jejum conforme o preceito, entretanto, estranhamente, hoje o profeta Isaías parece pregar contra o jejum. Na verdade, o profeta está nos chamando atenção para a realidade de que o jejum não é um fim em si mesmo, este visa penitenciar-nos por nossos pecados, mas de que adianta isso se persistirmos na vida de pecado? Não deve haver uma cisão entre nossa vida cotidiana e nossa vida religiosa, como se bastasse-nos cumprir algumas obrigações rituais e pronto. Não! Nossa vida religiosa tem de manifestar-se também em nossa vida cotidiana; não basta ser católico apenas nos dias de jejum, nos pórticos da igreja; precisamos estender nossa religião a todos os campos da vida, cumprir fielmente nossos deveres, não só na Igreja mas em nossas famílias, em nosso trabalho, bem como praticar as virtudes, sobretudo a caridade em socorro dos sofrimentos do corpo e da alma afligem o nosso próximo.
Sabeis qual é o jejum que aprecio? – diz o Senhor Deus: é romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, mandar ir embora os oprimidos e quebrar toda espécie de jugo. É repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante. (Is 58, 5-7)
Neste tempo quaresmal, aprofundemo-nos nossa relação com Deus, e que nosso jejum e nossa oração tenham como fruto a esmola, a atenção para com as misérias do próximo, sobretudo buscando praticar as 14 obras de misericórdia.

940) Quais são as obras de misericórdia corporais?
As obras de misericórdia corporais são:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

941) Quais são as obras de misericórdia espirituais?
As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2º Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Catecismo Maior de São Pio X; Parte V, Capítulo IV: Das obras de misericórdia

Áudio:

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Escolha Radical


Quinta-feira depois das Cinzas
Primeira Leitura (Dt 30,15-20)
Responsório (Sl 1)
Evangelho (Lc 9,22-25)

Escolha; é em torno deste tema que se põe as leituras da liturgia de hoje; o Deuteronômio fala-nos dos dois caminhos, no salmo cantamos sobre as consequências de cada um deles, e no Santo Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo nos exorta a escolha da Cruz; <Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína? (Lc 9, 25)>.

Nosso mundo de hoje, todavia, vive-se a ilusão infantil da não escolha. Olhemos a nosso redor, são poucos aqueles que sinceramente escolhem o caminho da vida, ou mesmo o caminho da morte, mas há uma multidão de mornos que buscam andar pelas duas estradas. Tal comportamento se reflete nos mais diversos aspectos da vida: nos relacionamentos, onde se está na moda o ficar, ao invés da escolha do compromisso, ou da dispensa; na vocação profissional, onde se está a rodear mil profissões, se interessar por tudo e não realizar nada; na religião, onde em nosso país reina o maldito sincretismo. Nesta moderação burguesa, está uma covardia existencial.

Basta! Que hoje, iluminados pela escritura sejamos radicais em nossas escolhas; busquemos a Deus, Sumo Bem com toda a radicalidade de nosso ser, pois: <Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam. (Mt 11, 12)>.

Áudio:

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Da Quaresma

35) Que é a Quaresma?
A quaresma é um tempo de jejum e de penitencia, instituído pela Igreja por tradição apostólica.

36) Para que fim foi instituída a Quaresma?
A Quaresma foi instituída: 1° para nos fazer conhecer a obrigação que temos de fazer penitencia em todo o tempo da nossa vida, a qual, segundo os Santos Padres, a Quaresma é a figura; 2° para imitar de algum modo o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo fez no deserto; 3° para nos preparar por meio da penitencia para celebrar a festa da Páscoa.

37) Porque se chama dia das Cinzas o primeiro dia da Quaresma?
Chama-se o primeiro dia da Quaresma dia das Cinzas, porque a Igreja impõe naquele dia as cinzas na cabeça dos fiéis.

38) Porque impõe a Igreja as cinzas no princípio da Quaresma?
A Igreja, no principio da Quaresma, impõe as cinzas a fim de que nós, lembrando-nos de que somos pó, e de que após a morte nos havemos de reduzir a pó, nos humilhemos e façamos penitencia dos nossos pecados enquanto temos tempo.

39) Com que disposição devemos receber as cinzas?
Devemos receber as cinzas com o coração contrito e humilhado, e com a santa resolução de passar a Quaresma em obras de penitencia.

40) Que devemos fazer para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja?
Para passar bem a Quaresma, segundo o espírito da Igreja, devemos fazer quatro coisas: 1° observar exatamente o jejum e mortificar-nos não só nas coisas ilícitas e perigosas, mas ainda, quanto pudermos, nas coisas lícitas, como seria moderar-nos nas recreações; 2° fazer orações, esmolas e outras obras de caridade cristã para com o próximo, mais do que em qualquer outro tempo; 3° ouvir a palavra de Deus, não por mero costume ou curiosidade, mas com o desejo de por em prática as verdades que ouvirmos; 4° ter grande cuidado em nos prepararmos para a confissão, para tornar mais meritório o jejum, e para nos dispormos melhor para a Comunhão pascal.

Catecismo Maior de São Pio X; Instrução – Primeira Parte: Das Festas de Nosso Senhor; Capítulo VI: Da Quaresma.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Penitência!


Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n'uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n'um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n'êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus. - Irmã Lúcia 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Ídolos Estatais


5ª Semana do Tempo Comum - Sábado
Primeira Leitura (1Rs 12,26-32;13,33-34)
Responsório (Sl 105)
Evangelho (Mc 8,1-10)

O poder religioso, o antigo Templo de Jerusalém, era uma ameaça ao novo Estado constituído por Jeroboão, então, para consolidar seu poder, este manda edificar ídolos: dois bezerros de ouro, a religião da nação, os ídolos da nação. Ainda hoje tantos assim o fazem, tiranos que visam sufocar a Igreja constituindo uma religião nacional; pensemos em Hitler, imagem do anti-cristo, e o culto neopagão estabelecido na Alemanha; pensemos na seita Anglicana ou na Igreja Patriótica Chinesa, simulacros de religião, bezerros de ouro estatais. Todavia, lemos também na escritura que: <Esse procedimento tornou-se para a casa de Jeroboão uma ocasião de pecado, que causou a sua perda e o seu extermínio da face da terra. (1Rs 13,34)>; a casa de Jeroboão foi extinta; o reich pagão do fuher não passa de pó; assim será o destino de todos aqueles, que buscam sobrepor o Estado acima da Religião, serão todos devidamente extirpados da face da terra.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

''Shema Yisrael!''


5ª Semana do Tempo Comum - Sexta-feira
Primeira Leitura (1Rs 11,29-32; 12,19)
Responsório (Sl 80)
Evangelho (Mc 7,31-37)

Cristo toma o surdo mudo, afasta-se com ele da multidão, e então “Efatá!”; abre-lhe seus ouvidos, solta sua língua. Assim acontece conosco no santo Batismo, onde recebemos a vida na graça, e temos nossos ouvidos abertos para escutar a Palavra do Senhor, e nossa língua solta para proclamá-la. Mas, para que vivamos tal graça, temos de afastarmo-nos da mentalidade mundana, apartarmo-nos da multidão.

Na primeira leitura vemos as consequências advindas do pecado daqueles que, mesmo recebendo a Palavra do Senhor, escolhem ignorá-la, fecham voluntariamente seus ouvidos. Foi o pecado de Salomão, sua traição prestando culto a deuses estranhos, que ocasionou a divisão do antigo Israel. Diz-nos o Senhor no salmo:
No entanto, meu povo não ouviu minha voz, Israel não me quis obedecer.
Por isso, os abandonei a dureza de seus corações!
Oh, se meu povo me tivesse ouvido, se Israel andasse em meus caminhos!
Eu teria logo derrotado seus inimigos, e desceria minha mão sobre seus adversários!”
(Sl 80(81), 12-15)
É Igreja hoje o novo Israel, somos nós o povo de Deus! Escutemos pois Sua Palavra, não fechemos o coração a Sua voz! Procuremos discernir Sua vontade na meditação das Sagradas Escrituras, na Liturgia da Palavra durante a Santa Missa, e no íntimo de nossa alma durante nossas orações; e então, andando por Seus caminhos, seremos salvos, e nossos inimigos derrotados e humilhados.

Shema Yisrael!