quinta-feira, 17 de maio de 2018

O Fundamento da Unidade


7ª Semana da Páscoa - Quinta-feira
Primeira Leitura (At 22,30; 23,6-11)
Responsório (Sl 15)
Evangelho (Jo 17,20-26)


Divisão e Unidade, bem sugestivo o tema da liturgia de hoje nas proximidades da Solenidade de Pentecostes.

Na primeira leitura, certamente inspirado pela graça, São Paulo de forma extremamente inteligente explora as divisões internas entre os judeus para escapar ileso. O que unia fariseus e saduceus era o ódio, o ódio a Cristo, mas o ódio é incapaz de forjar alianças sólidas, basta acender a fagulha e vem o incêndio. Alianças forjadas em torno de ódios comuns sempre vão terminar em encrenca, é o que ensina a Escritura. Não é vemos também na história? 

Se é assim, em que se deve forjar a unidade? No Evangelho, Cristo ensina-nos: o amor. Só o amor pode unir, mas não qualquer amor, tem de ser o amor em Cristo. Só em Cristo é possível encontrar unidade! Fora dele, não adianta vir com sentimentalismos e boas intenções, não vai dar não...

É uma lição. Uma lição importante, aplicável em muitas áreas de nossa vida, dos relacionamentos afetivos a alianças políticas.


Adoremos a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Divino Espírito Santo...

Pode-se, facilmente, encontrar a verdadeira religião?

+ Pode-se, então, facilmente, encontrar a verdadeira religião?
Devemos constatar com o Papa Leão XIII: “Reconhecer qual é a verdadeira religião não é difícil a qualquer um que queira julgar com prudência e sinceridade. Com efeito, provas numerosas e estupendas; a verdade das profecias; a multidão de milagres; a prodigiosa rapidez da propagação da Fé, mesmo entre seus inimigos e em detrimento dos maiores obstáculos; os testemunhos dos mártires e outros argumentos similares provam claramente que a única verdadeira religião é a que Jesus Cristo instituiu ele mesmo e cuja guarda e propagação deu à Sua Igreja como missão.”

+ Se é simples encontrar a verdadeira religião, como explicar que tantos homens não a reconheçam?
Se tantos homens não reconhecem a verdadeira religião, é, sobretudo, porque muitos pecam por negligência neste assunto. Não se preocupam em conhecer a Verdade sobre Deus, mas se contentam com os prazeres deste mundo; com costumes e com superstições do meio em que vivem e que bastam para satisfazer seu sentimento religioso; eles não têm sede de Verdade. Muitos pressentem, além disso, que a verdadeira religião lhes exigirá sacrifícios que não desejam. Enfim, o homem é naturalmente um “animal social”: tem necessidade de ajuda em todos os domínios (físico, técnico, intelectual e moral) e depende muito da sociedade onde vive. Se esta é islâmica ou atéia (como a nossa), se a escola e as mídias o afastam do Cristianismo (e, também, embrutecem-no para o impedir de refletir), ser-lhe-á muito difícil nadar contra a maré.

15. A Fé é necessária para a salvação?
A Sagrada Escritura ensina que a Fé é absolutamente necessária para obter a salvação eterna. “Aquele que crer e for batizado, será salvo; aquele que não crer, será condenado” diz Nosso Senhor (Mc 16,16). São Paulo ensina: “Sem a Fé, é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6).

+ Qual é esta Fé necessária para a salvação?
A Fé necessária para a salvação não é qualquer fé; mas a verdadeira Fé, aquela que faz aderir de modo sobrenatural à verdadeira doutrina revelada por Deus.

+ Esta necessidade da verdadeira doutrina é visível na Sagrada Escritura?
A necessidade de guardar a verdadeira doutrina é manifestada pelas advertências repetidas dos Apóstolos quanto aos incrédulos e aos hereges: “Um tempo virá em que os homens não suportarão mais a Sã Doutrina; mas, ao contrário, ao sabor de suas paixões e com o ouvido seduzindo-os ardentemente, dar-se-ão mestres em quantidade e desviar-se-ão o ouvido da Verdade para se entregar às fábulas.” (2Tm 4,3)

+ Aqueles que, sem culpa de sua parte, não aderem às Verdades Reveladas, estão, pois, necessariamente perdidos?
Deus dá a todo homem a possibilidade de se salvar. Aquele que desconhece as Verdades de Fé, sem culpa de sua parte, obterá de Deus, num momento ou num outro, se fizer todo o possível para viver bem, a possibilidade de receber a Graça santificante. Mas é evidente que aquele que, por sua culpa, não professa a Verdadeira Religião, perder-se-á eternamente.

+ A verdadeira Fé é, pois, de suprema importância?
Efetivamente. Não se trata, nesta questão, de uma vã controvérsia teológica; mas da salvação ou da perdição eterna das almas imortais.

Catecismo Católico da Crise na Igreja - Pe. Matthias Gaudron, FSSPX; Cap. I: Crise na Fé, pág. 28-29.

terça-feira, 15 de maio de 2018

"Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a Ti''


7º Semana de Páscoa – Terça-Feira
Primeira Leitura (At 20,17-27)
Responsório (Sl 67/68)
Evangelho (Jo 17, 1-11)

<Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. (Jo 17,3)>; conhecer a Deus e a seu Cristo, amar e viver e comunhão com Ele, eis em que consiste a vida eterna. Deus mesmo é o “objeto” de nossas aspirações; ou assim deveria ser...Quantas vezes nos dispersamos, vamos atrás das ilusões desta vida, e fazemos de Deus não nossa meta, mas antes um “suporte espiritual” para alcançarmos nossas vaidades: sucesso, dinheiro, prazer, poder; tamanha tolice! Devemos ansiar por Deus, viver n´Ele, aprender sobre Ele, estar com Ele, Sumo Bem e Senhor Nosso. Ordenemos devidamente as nossas paixões, peçamos a graça, imploremos a graça!

No dia de hoje também recordamos a memória de Santo Isidoro Lavrador, homem simples que em meio ao duro labor no campo soube reconhecer e responder aos desígnios divinos. Tão piedoso era este homem que, certa feita, ocorreu que os anjos dos céus desceram para lavrar a terra, afim de que não interrompesse seus exercícios de devoção. Que Santo Isidoro interceda por nós, interceda, também, por aqueles homens que vivem na roça e trabalham no campo, para que tenham os olhos fixos em Deus; Deus que se revela, não aos sábios e entendidos, mas aos humildes e simples de coração. 

Santo Isidoro Lavrador, rogai por nós!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Devaneios Católico-Futuristas

Convido o leitor a um exercício imaginário: esqueçamos, pois, o presente com seus problemas e vicissitudes e vislumbremos o futuro, uma fantasia futurista, pensando o papel que a Igreja poderia ocupar neste mundo do amanhã. 

Imaginemos que a tecnologia espacial seja tamanha que permita aos homens colonizar outros planetas, e que nesta jornada nenhuma outra raça vivente fosse encontrada. A fim de habitar os limites do cosmos, a tolice neomalthusiana deveria ser prontamente abandonada, e a doutrina eclesial das famílias numerosas acolhida pelo Estado.

Numerosas expedições para ocupar Marte, Vênus, Netuno, quem sabe até o longínquo Plutão? Pensemos na dinamicidade dessa economia galáctica, em quanto emprego e mão de obra serão criados inicialmente na confecção e manutenção da infraestrutura espacial. Imaginemos os sacerdotes de Cristo, pastores da Igreja, acompanhando os homens nesta viagem, nesta aventura. Missionários mandados a lua de Titã, igrejas nos Anéis de Saturno, quem sabe não teríamos Patriarcados Planetários? Liturgias próprias desenvolvidas segundo as características culturais gestadas em cada novo mundo, que tal a liturgia Greco-Uraniana, Latino-Marciana? Os confins do universo, em suas diversas línguas professando a mesma Fé Católica, ecoando cânticos em latim pelo cosmos. E que experiência sublime seria o conclave, onde cardeais vindos das mais longínquas terras se uniriam em Roma para a escolha do Pastor Universal. É certo que surgiriam também problemas: seitas, heresias, e até mesmo, talvez, cismas planetários. Mas que outra religião estaria mais preparada para está realidade cósmica, que não a Santa Igreja Católica? Protestantes que mal conseguem uma unidade municipal acaso seriam capazes de manter uma rede transplanetária? Talvez poderíamos, é verdade, ter problemas com o Islã, Sultões Espaciais, e Ciberterroristas, assustador, mas, sem dúvida, intrigante. Não só o terrorismo, mas também a criminalidade ofereceria novos desafios. Como se daria a segurança no espaço interplanetário? Talvez, quem sabe, o antigo sistema de caçadores de recompensa teria de ser restabelecido. Justiceiros privados em um game universal a procura de criminosos perigosos. Quão emocionante e arriscada não deveria ser a vida destes personagens, ou mesmo de profissões mais simples e cotidianas como um caminhoneiro, pensemos num “carga pesada” espacial. 

E a política? Teríamos unidades planetárias, ou antes, colônias nacionais em cada planeta? Talvez províncias russas e protetorados franceses rivalizando em Saturno? A democracia seria mantida ou a nova realidade demandaria um governo mais centralizado e estável, quem sabe um renascer das dinastias imperiais? 

E a saúde? Quanto não se demandaria da medicina a fim de socorrer e responder as injúrias alienígenas? Virus mutacionados em Mercúrio, respostas do corpo humano aos diversos climas, atmosferas e luminosidades. 

Tantos perigos e, ao mesmo tempo, tantas possibilidades. Uma aventura no mais puro sentido do termo. Será que a história dos filhos de Adão chegará a tanto? Deus permitirá ao homem colonizar o universo, espalhar-se pela galáxia, ou o fim dos tempos virá muito antes?

sábado, 12 de maio de 2018

A Crise na Igreja

1. Há hoje uma crise na Igreja?
Seria preciso cobrir os olhos para não ver que a Igreja Católica sofre uma grave crise. Esperava-se, nos anos sessenta, na época do Concílio Vaticano II, uma nova primavera para a Igreja, mas foi o contrário que aconteceu. Milhares de padres abandonaram seu sacerdócio; milhares de religiosos e de religiosas retornaram à vida secular. Na Europa e na América do Norte, as vocações se tornam raras, e não se pode nem mais computar o número de seminários, conventos e casas religiosas que tiveram que fechar. Muitas paróquias permanecem sem padre e as congregações religiosas devem abandonar escolas, hospitais e asilos para idosos. “Por alguma fissura, a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” – essa era a queixa do Papa Paulo VI em 29 de junho de 1972.

+ Sabe-se quantos padres abandonaram seu sacerdócio nos anos sessenta?
No conjunto da Igreja, entre 1962 e 1972, 21.320 padres foram reduzidos ao estado leigo. Não estão incluídos neste número aqueles que negligenciaram pedir uma redução oficial ao estado leigo. Entre 1967 e 1974, trinta a quarenta mil padres teriam abandonado sua vocação. Esses fatos catastróficos podem, com algum esforço, ser comparados com os acontecimentos que acompanharam a auto-intitulada “Reforma” protestante do século XVI.

+ Há um desastre análogo nas congregações religiosas?
Quebec, província francófona do Canadá, era, no início dos anos sessenta, a região que contava, proporcionalmente, com mais religiosas no mundo. O Cardeal Ratzinger conta, precisando que é só um exemplo: “Entre 1961 e 1981, por causa das saídas, dos falecimentos e da paralisação do recrutamento, o número de religiosas passou de 46933 para 26294. Uma queda de 44%, que parece impossível de frear. As novas vocações, com efeito, diminuíram durante o mesmo período ao menos 98,5%. Verifica-se então que uma boa parte dos 1,5% restante e´constituída por “vocações tardias”, e não por jovenzinhos. Ao ponto que as simples previsões permitem a todos os sociólogos se porem de acordo sobre esta conclusão brutal, porém objetiva: Daqui a pouco (salvo reversão de tendência muito improvável, ao menos ao olhar humano), a vida religiosa feminina tal como conhecemos não será mais que um souvenir do Canadá”.

+ A situação não melhora hoje, e não se poderia considerar que a crise agora ficou para trás?
Havia na França, nos anos cinqüenta, por volta de mil ordenações sacerdotais por ano. Desde os anos noventa, não há mais de cem por ano. Havia 41000 padres diocesanos na França em 1965. Não havia mais de 16859 em 2004, e a maioria tem mais de 60 anos. O número de religiosos no mundo continua a diminuir.

+ Esta crise atinge também aos fiéis?
Em 1958, 35% dos franceses assistiam à missa dominical: hoje, são menos de 5%, e freqüentemente são idosos. Em 1950, mais de 90% das crianças nascidas na França eram batizadas; hoje, menos de 50% o são.

+ Não há, porém, um aumento, na França, de Batismos de adulto?
Alguns milhares de Batismos de adultos não seriam capazes de compensar uma baixa de centenas de milhares de Batismos de crianças (ainda mais porque a perseverança dos novos batizados deixa normalmente muito a desejar).

+ O caso da França é realmente característico?
Encontra-se o mesmo desinteresse pela Igreja pela Europa. Entre 1970 e 1993, 1.9 milhões de alemães oficialmente abandonaram a Igreja Católica. O ódio ou a cólera não são os motivos mais freqüentes, mas tão simplesmente a indiferença. A Igreja não quer dizer mais nada aos homens, não tem mais importância em suas vidas; abandona-se a Igreja, para economizar o imposto eclesiástico. Neste ritmo, a religião católica vai virar a religião de uma pequena minoria. A Alemanha, segundo um dito de Karl Rahner, corre o perigo de virar uma terra pagã de passado cristão com alguns vestígios de Cristianismo.

+ Não se pode dizer que esta terrível crise é apenas local, atingindo a Europa Ocidental e a América do Norte, mas poupando a América Latina, a África e a Ásia, onde, ao contrário, o Catolicismo parece particularmente dinâmico?
Algumas cifras poderiam fazer crer que a crise é só local. O Anuário Pontifício sublinha que o aumento de ordenações e de seminaristas nos países de Terceiro Mundo compensa grandemente a baixa constatada nos países ocidentais. Na realidade, a crise é universal, mesmo se não se manifeste por toda parte do mesmo modo (os países pobres, onde o sacerdócio representa ascensão social, recrutam muito facilmente vocações; mas de qual qualidade ?). A América Latina, por exemplo, que passa por bastião do Catolicismo, está atualmente em vias de passar ao protestantismo, mais rapidamente do que a Alemanha do século XVI.

+ Temos estatísticas para ilustrar essa protestantização da América Latina?
Às vésperas de Vaticano II, 94% dos brasileiros eram católicos. Não eram mais que 89% em 1980; 83% em 1991; 74% em 2000 (e menos de 60% nas grandes cidades: São Paulo e Rio). Os protestantes, que representavam 3% da população em 1900, são atualmente 18% e seu número não pára de crescer! Cinco igrejas pentecostais são criadas em média no Rio de Janeiro a cada semana. O padre Franc Rodé, Secretário do Conselho Pontifical para o Diálogo com os não-crentes, estimava que em 1993 a Igreja perdia 600.000 fiéis latino-americanos a cada ano. Outras fontes fornecem estimativas mais graves ainda: 8000 católicos passariam a cada dia para as seitas. Considera-se que, no Chile, desde 1960, 20% da população entrou para seitas protestantes; e, na Guatemala, cerca de 30% !

2. Esta crise é uma crise de Fé?
A Fé cristã parece em vias de desaparecer da Europa. As verdades fundamentais, como a fé em Deus, a Divindade de Jesus Cristo, o Céu, o Purgatório e o Inferno são cada vez menos aceitas. O mais inquietante é que esses artigos de Fé são negados mesmo por pessoas que se dizem católicas e freqüentam regularmente a igreja.

+ Temos números mais precisos para ilustrar esta crise de Fé?
Sem ser perfeitamente confiáveis, as sondagens são representativas das grandes tendências da sociedade. Segundo uma sondagem recente, 58% dos franceses somente crêem na existência certa ou provável de Deus (contra 61% em 1994); 65% (e 80% entre os jovens de 18 a 24 anos) dizem não crer de jeito nenhum num Deus em três Pessoas; e 67% não crêem de nenhum modo no Inferno (contra 48% em 1994); 12% apenas dos católicos dizem ainda crer completamente no Inferno (16% crêem um pouquinho; 72% não crêem nele). Mesmo entre os católicos praticantes regulares, os números são catastróficos: 23% apenas crêem firmemente no Inferno, enquanto 54% não crêem; ainda por cima, 34% desses praticantes regulares crêem completamente que Maomé é um profeta, enquanto que somente 28% não o crêem (35% crêem um pouquinho; os outros não sabem). Em 2006, apenas 7% dos católicos franceses achavam que sua religião era a única verdadeira. “Mede-se a amplitude da mudança se sabemos que a metade dos católicos pensavam em 1952 que existia uma só verdadeira religião” sublinha o sociólogo Yves Lambert. Assim mesmo, 81, 3% dos católicos do Valais acham que todas as religiões levam à salvação eterna.

+ Que lição tirar das estatísticas?
Esses números manifestam que a crise é primeiro uma crise de Fé. Não somente o número daqueles que pensam pertencer à Igreja diminui, mas até a maioria daqueles que são oficialmente seus membros não possui mais a Fé Católica !!! Aquele que nega uma Verdade de Fé, perdeu a Fé, pois esta é um todo e deve ser recebida como um todo. Se, então, 72% se recusam a crer no Inferno, não há mesmo nem um católico para cada três que tenha a Fé.

3. Esta crise é também uma crise moral?
A crise dos costumes acompanha a crise de Fé. Enquanto São Paulo lembra aos cristãos que devem pela sua maneira de viver brilhar em meio a uma geração corrupta assim como as estrelas brilham no Universo (Fl 2,15), pode-se dizer que o gênero de vida dos cristãos atuais não difere em nada daquele dos filhos deste mundo, daquele dos incrédulos. Sua Fé fraca e esvaziada em sua substância não tem mais força para influenciar sua vida, ainda menos para transformá-la.

+ Qual é a ligação normal entre a Fé e a Moral?
O homem enfraquecido pelo pecado original tem tendência de se abandonar a suas paixões, perdendo assim o domínio de si. A fé cristã, ao contrário, mostra-lhe o que Deus espera dele e como se deve conduzir a vida conforme Sua Vontade. O homem sabe pela Fé o que ele pode esperar se observar os Mandamentos de Deus, mas também as penas com as quais Deus o punirá se ele se desviar. A Fé e os Sacramentos dão-lhe a força para vencer suas más inclinações e para se entregar todo inteiro ao Bem e ao amor de Deus.

+ Quais são as conseqüências morais de uma crise de Fé?
Se a Fé desaparece, o homem não se vê mais chamado à perfeição moral e à vida eterna ao lado de Deus. Entregar-se-á sempre mais aos prazeres desregrados desta vida.

+ A atual crise dos costumes também atinge aos católicos ?
É o que nós experimentamos hoje. Fidelidade, pureza, justiça, espírito de sacrifício, etc. não são mais, até entre os cristãos, valores incontestáveis. Um casamento em três acaba hoje em divórcio depois de cinco ou de dez anos; é sabido que a segunda união depois do divórcio é demandada por um número cada vez maior de católicos. A revista Herderkorrespondenz de março de 1984 dava a conhecer que, no Tyrol católico, 84% da população rejeita o ensinamento da Igreja sobre a contracepção,e, que, dentre as pessoas de 18 a 30 anos, a plena adesão é quase nula (1,8%). No Valais, 81,5% dos católicos acham que as pessoas divorciadas e recasadas devem poder comungar. Na França, em 2003, um quarto dos católicos praticantes declaram que, para eles, “ a idéia de pecado não significa mais grande coisa”.

4. Não há hoje também uma crise no clero?
A falta de vocações sacerdotais e religiosas, tanto quanto as defecções manifestam uma crise profunda no clero. Muitos padres perderam a Fé; eles não estão mais em condições de comunicá-la e de entusiasmar os homens por ela.

+ Qual é a real ligação entre a crise de Fé e a Crise do clero?
A crise do clero é a causa da crise de Fé entre os fiéis. Se a Fé dos católicos que assistem regularmente à missa dominical está num estado tão lamentável, a causa só pode vir duma pregação defeituosa. Se os padres ensinassem regularmente a Fé Católica, a situação seria toda outra. Os homens não perderam sozinhos a Fé, esta foi-lhes arrancada no catecismo e do alto do púlpito. Quando, no sermão, durante anos e anos, as Verdades de Fé são postas em xeque, relativizadas ou até negadas abertamente, como se surpreender se os simples fiéis perdem a Fé? Os mais jovens até mesmo nunca a conheceram.

+ Podeis dar um exemplo desse mau ensinamento dispensado pelo clero?
Hoje, não é raro que uma criança, ao fazer sua primeira Comunhão, ignora que Nosso Senhor Jesus Cristo está verdadeira, real e substancialmente presente na Eucaristia; ignora porque seu pároco ele mesmo não crê mais neste Mistério. No “Como nós vivemos”, livro de instrução religiosa na Alemanha, pode-se ler: "Quando os cristãos partilham sua refeição com Jesus, vão ao altar. O padre lhes dá um pequeno pedaço de pão. Eles comem o pão." Esse livro de ensino religioso recebeu o imprimatur dos Bispos alemães e por eles foi autorizado!

+ A situação não é melhor na França?
Se 34% dos católicos praticantes regulares franceses crêem completamente que Maomé seja um profeta e 35% o creiam um pouquinho ( temos um total de 69%), nota-se que a cifra está muito mais baixa entre os católicos não praticantes ( 21% e 22% somando 43%). Sobre esse ponto, os não praticantes são então mais católicos do que os praticantes. Isso vem evidentemente do ensino dispensado nas igrejas. De fato, vários Bispos franceses deram igrejas aos muçulmanos e o Papa João Paulo II beijou o Corão em 14 de maio de 1999.

+ A crise do clero é também uma crise moral?
A crise é antes uma crise de Fé, mas um clero cuja Fé é fraca não tem evidentemente mais a força de guardar o celibato, pois isso só é possível àquele que está animado de fé viva e de um grande amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é um mistério para ninguém que grande número de padres entretenham hoje relações pecaminosas com uma mulher, de modo mais ou menos público; ouve-se regularmente que um padre abandonou seu posto, confessando que não guardava mais o celibato há anos. Nesse aspecto, a situação do clero do Terceiro Mundo, cujo número está em crescimento, não é, enfim, melhor...

+ Essas defecções de padres não são voluntariamente propagandeadas pela mídia a fim de obter a supressão do celibato dos padres?
É evidente que o celibato afasta muitos jovens do sacerdócio; mas em lugar de polemizar esse assunto, seria preciso se perguntar por que numerosos homens ofereciam antigamente com alegria este sacrifício, enquanto que não é mais o caso hoje em dia.

5. Em que a presente crise difere daquelas que a Igreja sofreu no passado?
A presente crise na Igreja se distingue das precedentes, principalmente no fato de serem as mais altas autoridades da Igreja seus deflagadores, empreendedores e aqueles que impedem que medidas eficazes sejam tomadas para resolvê-la.

+ Não houve já grandes crises na Igreja?
Sempre houve crises na Igreja. Padres, bispos até e mesmo Papas às vezes levaram uma vida contrária ao Evangelho. A imoralidade e a indisciplina do clero freqüentemente prejudicaram a Igreja. De tempos em tempos, padres e bispos se separaram da verdadeira Fé. Mas nunca os erros e a negação pública das Verdades de Fé foram propagadas como hoje em dia, graças à tolerância, à aprovação e até à atividade das autoridades romanas e do episcopado mundial. Esta é a nota particular da crise atual, que é favorecida pelas mais altas autoridades da Igreja; Papa incluso.

+ Essa nota singular da crise atual foi reconhecida pelas autoridades da Igreja?
Paulo VI mesmo pronunciou em 1968 a frase bem famosa, falando de uma Igreja em estado de “autodemolição”: “A Igreja se acha em uma hora de inquietude, de auto-crítica, diríamos mesmo de auto-demolição. É como uma instabilidade interior, aguda e complexa, ao qual ninguém teria esperado depois do Concílio.(...). É como a Igreja se golpeasse a si mesma.”


Catecismo Católico da Crise na Igreja - Pe. Matthias Gaudron, FSSPX; Cap. I: Crise na Fé, pág. 7-15.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Veganismo Católico?


Hoje é sexta-feira, para nós católicos é tempo de abstinência de carne, prática penitencial que tem em vista recorda-nos dos derradeiros sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz, bem como contribuir para um melhor autodomínio sobre nossos instintos. Têm essa prática algo a ver com o Veganismo? Aliás a Igreja e a Escritura dizem algo a respeito desta moderna prática? Vejamos… 

Veganismo, vegetarianismo e outros -ismos; são uma espécie de etiqueta alimentar moderna que tem em vista abolir o consumo de carnes e produtos de origem animal, a fim de minimizar as formas de exploração e de crueldade contra animais. 

A atenção para com os direitos dos animais é uma preocupação meritória, desde que temperada e ordenada pela virtude da prudência, o próprio Catecismo da Igreja Católica nos ensina: 
§2415 O sétimo mandamento manda respeitar a integridade da criação. Os animais, como as plantas e os seres inanimados, estão naturalmente destinados ao bem comum da humanidade passada, presente e futura . O uso dos recursos minerais. vegetais e animais do universo não pode ser separado do respeito pelas exigências morais. O domínio dado pelo Criador ao homem sobre os seres inanimados e os seres vivos não é absoluto; é medido por meio da preocupação pela qualidade de vida do próximo, inclusive das gerações futuras; exige um respeito religioso pela integridade da criação .

§2416 Os animais são criaturas de Deus, que os envolve com sua solicitude providencial. Por sua simples existência, eles o bendizem e lhe dão glória . Também os homens lhes devem carinho. Lembremos com que delicadeza os santos, como S. Francisco de Assis ou S. Filipe de Neri, tratavam os animais. 
E bem sabemos que existem abusos e problemas na indústria alimentar. O jornalista Michel Pollan documenta bem isso em sua obra "O Dilema do Onívoro". 

Dito isto, porém, é necessário lembrar-se que existe uma hierarquia na Criação, sendo o homem a obra prima criada a imagem e semelhança de Deus; e uma única alma humana mais valiosa que milhões de espécies animais. Além disso, este mesmo homem por sua superior dignidade, pode dispor-se das espécies para seu usufruto: 
2417. Deus confiou os animais ao governo daquele que foi criado à Sua imagem (159). É, portanto, legítimo servimo-nos dos animais para a alimentação e para a confecção do vestuário. Podemos domesticá-los para que sirvam o homem nos seus trabalhos e lazeres. As experiências médicas e científicas em animais são práticas moralmente admissíveis desde que não ultrapassem os limites do razoável e contribuam para curar ou poupar vidas humanas. 

2418. É contrário à dignidade humana fazer sofrer inutilmente os animais e dispor indiscriminadamente das suas vidas. É igualmente indigno gastar com eles somas que deveriam, prioritariamente, aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, mas não deveria desviar-se para eles o afecto só devido às pessoas. 

E a Bíblia? Segundo o livro do Gênesis (Gn 1, 29) a dieta do homem primevo era constituída unicamente de vegetais, sendo o consumo de carne uma concessão pós-diluviana (Gn 10, 3). A ordem dos monges Cartuxos, adota essa dieta primeva ainda hoje como forma de penitência e ascese. Mas é uma prática opcional, e não lei para todos os fiéis, uma vez toda e qualquer restrição alimentar (mesmo as antigas distinções judaicas entre animais puros e impuros) foram abolidas na Nova Aliança (At 10, 9-16). Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida terrena alimentou-se de animais, a escritura nos fala ao menos de peixes (Lc 24, 42-43) e do tradicional cordeiro consumido na páscoa judaica (Lc 22, 8-15). 

Em resumo, a Igreja não impõe a nenhum homem a abstinência perpétua, tampouco o consumo obrigatório de carne animal, cabe a cada um julgar por si. Um católico pode ser vegano ou vegetariano? Sim, desde que tenha em vista a superioridade do homem sobre os demais seres da Criação, e respeite a opção “carnívora” dos demais, não impondo seus caprichos pessoais como norma de conduta universal

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Paulo, Apóstolo de Cristo


6ª Semana da Páscoa - Quarta-feira
Primeira Leitura (At 17,15.22–18,1)
Responsório (Sl 148)
Evangelho (Jo 16,12-15)

1. São Paulo em Atenas disputava com os filósofos da época. A Escritura hoje nos fala dos epicuristas. Também hoje disputam os cristãos, e há tantas filosofias e panelinhas com a qual disputar, tantas doutrinas que devem ser impugnadas e destruídas pela força do Evangelho. No Areópago, São Paulo faz uma pregação incrível, um primor de oratória, lemos na liturgia de hoje, é lindo! Entretanto, poucos são os que se convertem. Paulo os acolhe, e segue para Corinto.

Pregar, anunciar o Evangelho, disputar (e não dialogar) com as falsas doutrinas: eis a vida do cristão, eis como deve ser a nossa vida. Mas, se mesmo dando nosso melhor nos depararmos com a dureza de coração dos demais o que faremos? Adiante, passemos para o próximo, para nossa ''Corinto'', pois ainda hoje há tantos que precisam que se lhes anuncie do Evangelho.

Tantas vezes queremos o conforto, a fixidez em um só lugar, para um único público. Queremos ficar eternamente em nossa zona de conforto, em nossa panelinha, em nossa ''Atenas'', e ainda queremos o sucesso, o número, o sucesso do mundo. Quão distante está nossos pensamentos, da ação do Apóstolo, aquele santo homem inspirado pelo Espírito da Verdade? 

2. Atualmente está em cartas o filme ''Paulo, Apóstolo de Cristo'', obra boicotada pela crítica e o estamento midiático, tal como fora o apóstolo ignorado em Atenas, obra ''ortodoxa'' e bela. Façamos um esforço, e vamos assistir este filme, com tantas besteiras perdemos tempo (Vingadores e toda a mitologia da Marvel e DC...) esqueçamos essas fantasias e, vamos contemplar a vida dos santos quando aparecem nas telas do cinema, aprendamos com Paulo, São Paulo Apóstolo, o viver para Cristo.